MUNDIAIS DE FUTEBOL

FIFAÁfricaAmérica Norte, Central e CaraíbasAmérica SulÁsiaEuropaOceania


I - 1930 (Uruguai)

1930 - UruguaiConstituída a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association) em 1904, não seria fácil concretizar o sonho de Jules Rimet, de organizar uma competição de futebol de nível mundial; apenas nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, o futebol adquirira uma verdadeira dimensão internacional; o desenvolvimento verificado nas Jogos da Olimpíada seguinte, em 1928, faria despertar a motivação para a realização de uma prova autónoma.

A realização do primeiro Campeonato do Mundo de Futebol na América do Sul – numa época em que o mundo sofria uma severa crise económica –, obrigando a uma deslocação marítima interatlântica de cerca de 1 mês (ida e volta), fez com que o contingente europeu fosse relativamente reduzido; apenas França, Bélgica, Jugoslávia e Roménia aceitaram o convite para participar na prova, tendo viajado no mesmo navio, reunindo-se às restantes 9 selecções, oriundas do continente americano: Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai, México e EUA.

O jogo inaugural da primeira edição dos Mundiais de Futebol, prova integralmente disputada na cidade de Montevideu, decorreu a 13 de Julho de 1930, opondo a França e o México.

EUA e Jugoslávia alcançariam, de forma algo surpreendente, as ½ finais, classificando-se na 3ª posição final.

A 30 de Julho de 1930, no "Estádio Centenário", o país organizador, Uruguai (Campeão Olímpico em 1928 e celebrando o centenário da sua independência), vencendo a vizinha Argentina, sagrava-se como o primeiro Campeão Mundial de Futebol da história.

A selecção "celeste", perdendo 1-2 ao intervalo, "daria a volta" ao marcador na segunda parte, com 3 golos, sendo premiada com a taça de ouro, de 30 cm e pesando 4 kg, entregue ao capitão José Nazassi.

Uruguai - 1930

Os capitães de equipa do Uruguai (José Nasazzi - com a bola) e da Argentina (Manuel Ferreira) entram em campo para disputar a primeira final da história do Campeonato do Mundo de Futebol.


II - 1934 (Itália)

Itália - 1934Com a chegada do Mundial à Europa, o número de inscritos elevar-se-ia a 32 (21 selecções europeias, entre as quais Portugal, que teria uma infeliz estreia; 4 da América do Sul; 4 da América do Norte e Central; e 3 da Ásia/África), apesar de apenas 27 terem efectivamente participado nos jogos de qualificação para apuramento das 16 selecções finalistas, pela primeira vez disputados.

Na fase de eliminatórias, destaque para os embates entre EUA e México (vitória dos norte-americanos); Jugoslávia e Roménia (com os romenos a garantir o apuramento); e um encontro que se tornaria um clássico, entre os rivais Holanda e Bélgica (tendo ambos alcançado a qualificação).

Os outrora irmãos Áustria e Hungria, integrando o mesmo grupo de qualificação, conseguiriam também ambos o apuramento, mesmo sem se defrontarem, na sequência de vitórias sobre a Bulgária.

Como curiosidade, referência para a participação nos jogos de qualificação do "Estado Livre da Irlanda" (que apenas se tornaria oficialmente em R. Irlanda no final de 1937) e de uma equipa judia da "Palestina" (antecessora de Israel).

Apenas seis países repetiriam a presença, depois da estreia em 1930: Argentina, Brasil, França, Bélgica, Roménia e EUA.

O Campeão do Mundo, Uruguai, renunciaria à viagem ao continente europeu, tal como o Chile e Peru, o que atribuiria automaticamente a qualificação à Argentina e Brasil, sem terem que disputar qualquer partida.

Entre os 16 finalistas, a Europa marcava vincada supremacia (12 representantes – de onde sairiam todos os 8 participantes nos ¼ final); o continente africano era representado pelo Egipto, enquanto que os EUA representavam a América do Norte.

Depois de uma viagem de 13 000 km, Argentina e Brasil ("dispensados" dos jogos da fase de apuramento, pela desistência de Chile e Peru), apenas disputarim um único jogo na fase final da prova, perdendo logo na 1ª eliminatória, respectivamente frente à Suécia e Espanha.

A prova seria marcada por grandes contendas, como a que opôs a Itália à Espanha nos ¼ final, obrigando a um jogo de desempate e, na eliminatória seguinte, o encontro entre italianos e austríacos (que, desta vez, tinham tido mesmo de se bater com a Hungria).

Num outro duelo de irmãos, a Alemanha, batendo a Áustria, alcançaria o 3º lugar final.

Perto do termo do jogo decisivo, a Checoslováquia (que eliminara a Alemanha nas ½ finais) vencia ainda a equipa anfitriã; a Itália apenas no prolongamento conseguiria o golo que lhe conferiria o título de Campeão do Mundo.

Itália - 1934

Os capitães da Alemanha (Fritz Szepan) e da Checoslováquia (Frantisek Planicka) antes do jogo das 1/2 finais.


III - 1938 (França)

França - 1938A 3ª edição do Mundial de Futebol seria disputada em França, premiando o esforço de figuras históricas como Jules Rimet, Henri Delauney e Robert Guérin.

À partida, eram 37 os países inscritos (com destaque para 24 da Europa e 7 da América do Norte e Central); contudo, dada a instabilidade política que grassava então, apenas 21 disputariam os 14 lugares disponíveis na fase final, juntando-se aos automaticamente qualificados: o Campeão do Mundo (Itália) e o país organizador (França).

A Alemanha acabara de anexar a Áustria, inicialmente qualificada, depois de eliminar a Letónia; com a ausência da Áustria, a fase final seria disputada por apenas 15 selecções; os inventores do futebol moderno, Inglaterra, convidados para substituir os austríacos, declinariam o convite, continuando assim ausentes de uma fase final de um Mundial. Na sequência da referida anexação, parte importante da selecção alemã viria a ser constituída por jogadores austríacos.

Por seu lado, a Argentina, ambicionando receber a fase final da prova, tendo sido preterida, renunciaria à participação na prova; o Brasil seria o único representante sul-americano, sem disputar qulaquer jogo de qualificação.

As Índias Holandesas Orientais (predecessoras da Indonésia), beneficiando da desistência do Japão (em guerra com a China), seriam qualificados como únicos representantes da Ásia.

Também Cuba se qualificaria sem jogar, por desistência das equipas do seu grupo de apuramento; igual situação se verificaria com a Roménia, na sequência da desistência do Egipto.

A inscrição da Espanha (então em Guerra Civil) seria recusada. Portugal seria eliminado após a disputa de um único jogo de qualificação, em que perdeu 1-2 com a Suíça.

Na fase de apuramento, destaque para a eliminação da Jugoslávia pela Polónia e para as goleadas da Hungria à Grécia (11-1) e da Checoslováquia à Bulgária (6-0).

O contexto envolvente da Fase Final do 3º Campeonato do Mundo era já de pré-guerra; a prova não ficaria imune a efeitos da conjuntura política da época (nomeadamente na sequência da Guerra Civil de Espanha e da anexação da Áustria pela Alemanha).

O brasileiro Leónidas, apelidado de "diamante negro", chegando a jogar descalço, seria o herói de um épico jogo entre o Brasil e a Polónia, ao marcar 4 dos golos que permitiram fixar o resultado final numa vitória dos canarinhos por 6-5, após prolongamento (apesar dos 4 golos do polaco Willimowski).

O Brasil (com Leónidas no banco, a "descansar para a Final"?!…) viria a cair nas ½ finais, perante os Campeões do Mundo (Itália), que haviam já deixado pelo caminho, na eliminatória anterior, a equipa da casa, a França. Os brasileiros teriam de se satisfazer com o 3º lugar, depois de bater a Suécia.

A Hungria, facilmente vitoriosa perante as Índias Holandesas Orientais (6-0, na 1ª eliminatória), a Suíça (2-0, nos ¼ final) e a Suécia (5-1, nas ½ finais), seria o derradeiro obstáculo dos italianos no caminho para a revalidação do título, que não dariam hipóteses, triunfando por 4-2.

Seria necessário esperar 12 anos pelo Mundial seguinte…

França - 1938

A Itália bisa a conquista do Campeonato do Mundo de Futebol; Vittorio Pozzo é, até hoje, o único treinador bi-campeão.


IV - 1950 (Brasil)

Brasil - 1950A II Guerra Mundial obrigara a um longo interregno; seriam necessários 12 anos para que se realizasse novo Campeonato do Mundo de Futebol, acolhido em 1950 pelo Brasil, numa altura em que a prova recebeu o nome de Jules Rimet.

Com 34 países inscritos (apenas 17 da Europa, sem qualquer participação dos países do Leste, impedindo a URSS, Checoslováquia e Hungria de confirmarem o seu forte potencial), dos quais apenas 21 viriam a participar efectivamente, foi, ainda assim, necessário apurar os 14 finalistas, que se juntariam ao país organizador (Brasil) e ao Campeão em título (Itália), selecção extremamente abatida pelo fatal acidente aéreo de Superga em 1949.

Da América do Sul vinham 8 inscritos; contudo, a Argentina, Equador e o Peru viriam a abdicar da prova, permitindo ao Uruguai, Bolívia, Chile e Paraguai a qualificação sem ter a necessidade de disputar qualquer jogo de qualificação.

Juntavam-se 3 países da América do Norte e Caraíbas (EUA, México e Cuba) e 6 da Ásia (Birmânia, Indonésia e Filipinas, desistindo em favor da Índia; Israel e Síria – apenas os últimos dois tendo efectivamente participado, na sequência da abdicação da Índia, dada a interdição de os jogadores jogarem descalços…).

Na fase de qualificação, a França perderia o desempate com a Jugoslávia, mas viria a ter a oportunidade de ser repescada, na sequência da desistência da Escócia e Turquia. Portugal – depois de mais uma vez ter sido eliminado pela Espanha – seria convidado para substituir a Turquia, mas viria a refutar.

Depois das desistências da Escócia, Turquia e Índia (e na sequência da recusa da França e de Portugal), a Fase Final seria disputada por apenas 13 selecções.

Pela segunda vez na história, o Uruguai sagrava-se Campeão Mundial, na única edição da prova em que não houve uma Final (tendo a competição sido disputada sob a forma de "mini-campeonato" opondo a Suécia, Espanha e Uruguai ao Brasil), num jogo histórico frente ao Brasil, que, mais de 50 anos depois, continua a ser relembrado como uma "tragédia", a que assistiram ao vivo, em pleno Estádio do Maracanã, cerca de 174 000 brasileiros (um record que, provavelmente, nunca virá a ser batido).

Depois de esmagar a Suécia por 7-1 e a Espanha por 6-1, o Brasil, necessitando apenas de um empate, sofreria o 1-2 a cerca de 10 minutos do final do jogo, num golo que ensombraria para sempre a vida do guarda-redes Barbosa.

Os EUA provocariam grande surpresa ao eliminar a equipa da Inglaterra; também de forma inesperada, a Suécia eliminaria um enfraquecido Campeão em título, a Itália.

Outro guarda-redes, Antonio Carbajal, do México, iniciava também um record virtualmente insuperável: 5 Fases Finais consecutivas do Campeonato Mundial, entre 1950 e 1966. Apenas o alemão Lothar Matthaus conseguiria igualá-lo, participando nas provas de 1982 a 1998, sendo o jogador com mais jogos disputados em Fases Finais de Mundiais: 25!

Brasil - 1950

O golo do uruguaio Ghiggia que ensombraria toda a vida do desolado Barbosa.


V - 1954 (Suíça)

Suíça - 1954A 5ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol registou um novo record de inscritos: 45 países, dos quais contudo apenas 35 participariam efectivamente na prova.

A fase de qualificação envolveu 27 selecções europeias, 6 sul-americanas, 6 da Ásia (Taiwan, Índia, Japão, Coreia do Sul, Vietname e Israel – este incluído na zona Europeia), 5 da América do Norte e Central (EUA, México, Cuba, Costa Rica e Haiti), e, de África, o Egipto - disputando os lugares de 14 finalistas que se reuniriam ao Campeão do Mundo, Uruguai e ao país organizador, Suíça.

Uma das principais surpresas seria a eliminação da Espanha pela Turquia, numa partida de desempate. A Suécia, que tivera um bom desempenho em 1950, foi também eliminada, pela Bélgica.

Num grupo inteiramente britânico (Inglaterra, Escócia, I. Norte, e P. Gales), seriam os ingleses a obter a qualificação.

Portugal seria esmagado por uma fortíssima Áustria, por 1-9, conseguindo depois, de alguma forma redimir-se, com um caseiro empate a zero.

A Argentina recusava, mais uma vez, participar na fase de qualificação. Até 1954, o Brasil não tivera ainda necessidade de disputar nenhum jogo de qualificação, apurando-se directamente para as Fases Finais das provas.

Também a Hungria – então considerada a melhor equipa do mundo, depois da dupla humilhação imposta em jogos amigáveis à Inglaterra, por 6-3 em Wembley e 7-1 em Budapeste – se qualificaria sem jogar, na sequência da desistência da Polónia.

Nesta prova participou também o Sarre, então considerado um estado independente da Alemanha.

A "todo poderosa" selecção da Hungria, já Campeã Olímpica em 1952 – por alguns considerada ainda hoje como a melhor equipa de futebol de sempre, integrando jogadores como Puskas, Bocsik e Kocsis – chegava ao Mundial de 1954 com um estatuto de grande favorita, na sequência de 31 jogos consecutivos sem derrota, desde 1950.

Estatuto que seria reforçado após a humilhante derrota imposta aos anfitriões alemães, por 8-3, já depois de "brindarem" a Coreia do Sul com 9-0 e o Brasil e os Campeões em título, o Uruguai, em ambos os casos com 4-2!

Na mais surpreendente final de sempre, a 4 de Julho de 1954, em Berna, depois de chegar a 2-0, a Hungria seria surpreendida, sofrendo 3 golos da Alemanha em 10 minutos, que assim conquistava o seu primeiro título mundial.

O Uruguai, depois de 2 títulos mundiais, chegara invicto à sua 3ª Fase Final, deslocando-se pela primeira vez à Europa, em busca do 3º título, que lhe atribuiria definitivamente o troféu em disputa; contudo, seria impotente perante a magia da Hungria, perdendo nas ½ finais por 2-4.

O jogo Áustria-Suíça estabeleceria um record difícil de bater, o de mais golos numa partida das Fases Finais do Mundial, com os austríacos a vencerem por 7-5, depois de terem chegado a estar a perder por 0-3… Cerca de 30 anos depois, no Mundial de Espanha, em 1982, uma renovada equipa da Hungria bateria El Salvador por 10-1, num jogo que "se ficou" pelos 11 golos!

Os suíços haviam já anteriormente provocado surpresa, ao eliminar a Itália, terminando contudo a sua carreira perante o poderio austríaco.

Esta foi a Fase Final mais produtiva de sempre, com 140 golos em 26 jogos: média de 5,4 golos por jogo!

Suíça - 1954

O avançado húngaro Nandor Hidegkuti visa a baliza, sob o olhar do defesa alemão Horst Eckel; de forma surpreendente, a Alemanha levaria a melhor na Final do Mundial.


VI - 1958 (Suécia)

Suécia - 1958A fase final da sexta edição do Campeonato do Mundo disputou-se na Suécia, com 16 dos 55 países inscritos à partida (dos quais apenas 46 disputariam efectivamente na fase de qualificação – com o Campeão de 1954, RFA, e o país organizador a serem qualificados automaticamente).

A URSS, Campeã Olímpica em Melbourne, em 1956, participaria pela primeira vez num Mundial, garantindo o apuramento em detrimento da Polónia (que eliminaria num jogo de desempate, disputado na RDA) e Finlândia. Seria também a primeira participação da RDA (país surgido do fraccionamento da Alemanha, no pós-guerra) e da China.

Mas também o Uruguai e a Argentina tinham, pela primeira vez, de disputar o apuramento para a Fase Final, dado que, nas edições anteriores tinham beneficiado do facto de serem país organizador da prova, Campeão em título, ou da desistência dos seus oponentes.

Grandes selecções como os bi-campeões mundiais Uruguai e Itália, ou como a Espanha, seriam eliminadas na fase de qualificação (respectivamente pelo Paraguai e pelas surpreendentes I. Norte e Escócia). Portugal ficaria na última posição do Grupo em que, inesperadamente, a I. Norte eliminou a Itália.

Pela primeira vez na história, as 4 selecções britânicas qualificavam-se para a Fase Final; para além da Inglaterra, I. Norte e Escócia, o País de Gales seria repescado, para eliminar Israel, que, por sua vez, beneficiara das sucessivas desistências de Turquia, Indonésia, Sudão e Bélgica.

Em 1958, na Suécia, nascia o mito Pelé, então com 17 anos, que viria a ser consagrado como o melhor futebolista de todos os tempos.

Não obstante, o melhor marcador da prova seria o francês Just Fontaine, com 13 golos, um record virtualmente imbatível. Pelé quedar-se-ia então pelos 6 golos, vindo a totalizar 12 golos nas suas 4 presenças em Fases Finais de Mundiais (até 1970). O melhor marcador de sempre em Mundiais é contudo o alemão Gerd Müller, com 14 golos (em 1970 e 1974).

A França, com 23 golos, fixava também um record em Fases Finais do Mundial; não resistiria ao poderio do Brasil… e de Pelé, perdendo por 5-2. Redimir-se-ia, no jogo de disputa do 3º e 4º lugar, goleando a RFA por 6-3.

Para além de ser o primeiro Campeonato do Mundo com tansmissão televisiva para todo o mundo, esta prova fica marcada também – depois das anteriores 5 edições – pelo primeiro jogo sem golos numa Fase Final do Mundial, o 0-0 entre o Brasil e a Inglaterra.

Numa final com o país da casa (Suécia, que eliminara o Campeão do Mundo em título, RFA), com uma clara vitória por 5-2, o Brasil conquistava finalmente - depois da desilusão de 1950 - o seu primeiro Campeonato do Mundo. Mário Zagallo iniciava o seu percurso de vitória; estaria ligado aos 4 primeiros títulos mundiais do Brasil: em 1958 e 1962 como jogador, em 1970 como treinador e em 1994 como treinador adjunto.

Suécia - 1958

O Brasil conquistava finalmente a sua primeira Taça Jules Rimet, iniciando o percurso para o Penta-Campeonato Mundial, que concretizaria em 2002


VII - 1962 (Chile)

Chile - 1962A Fase Final da VII edição do Campeonato do Mundo de Futebol disputou-se novamente na América do Sul, no Chile – iniciando-se então um regime de alternância entre o continente americano e a Europa, que vigoraria até à última edição, disputada em 2002 na Ásia (Japão e Coreia do Sul).

Esta edição da prova contava à partida com 56 países inscritos, dos quais apenas 49 disputariam a fase de qualificação (para apuramento dos 14 países que se reuniriam ao Campeão, Brasil, e ao Chile).

Portugal seria mais uma vez eliminado, num Grupo vencido pela Inglaterra, com um resultado de pouca "honra", derrotado por 2-4 com o Luxemburgo, coincidindo com a estreia de Eusébio na selecção.

Os finalistas e organizadores da prova de 1958 (Suécia) seriam eliminados, num jogo de desempate, pela Suíça. Também a França, 3º em 1958, não conseguiu impor-se à Bulgária… que a eliminaria novamente, 32 anos depois.

RFA, Hungria, URSS, Checolsováquia, Inglaterra, Itália, Espanha e Jugoslávia garantiram com alguma naturalidade o apuramento.

A prova ficou também marcada pela estreia de alguns países africanos, nomeadamente a Etiópia, Ghana, Marrocos, Nigéria e Tunísia; por seu lado, o Egipto e a Síria disputaram a fase de qualificação de forma unificada, sob o nome de República Árabe Unida.

Mesmo sem poder contar com Pelé, lesionado logo no jogo de abertura com o México, o Brasil, conduzido por Garrincha e Zagallo, acabaria por se impor com naturalidade: depois de vencer o seu grupo, à frente da Checoslováquia, eliminaria nos ¼ final a Inglaterra, para se impor ao país organizador, o Chile, nas ½ finais. Na final, teria de defrontar novamente… a Checoslováquia, que venceu por 3-1, com golos de Amarildo, Zito e Vavá.

O jogo entre o Chile e a Itália (no qual, os chilenos, vencendo por 2-0, eliminariam a Itália) degeneraria numa triste "batalha campal". Uruguai, Argentina (suplantada pela Hungria e Inglaterra) e Espanha (última no Grupo em que foram apurados os países que atingiriam a Final da prova) seriam também eliminados na fase de grupos, não atingindo sequer os ¼ final.

Um jogo histórico foi também o URSS-Colômbia que, a meia hora do fim, a URSS vencia por 4-1, mas em que, em apenas 9 minutos, os colombianos conseguiriam alcançar o 4-4… apesar do guarda-redes soviético ser o lendário Lev Yashin, que viria a ser consagrado como o melhor guarda-redes de sempre dos Mundiais.

A vitória do Chile sobre a URSS (que vencera o seu Grupo, eliminando o Uruguai), que permitiu à equipa da casa o acesso às ½ finais, provocaria uma imensa manifestação de júbilo popular. O Chile não conseguiria contudo deter a carreira vitoriosa do Brasil; a consolação viria no jogo de disputa do 3º e 4º lugares, com a vitória por 1-0 sobre a Jugoslávia.

Esta prova fica marcada pelo golo mais rápido de sempre da história das Fases Finais de Campeonatos do Mundo: o checoslovaco Vaclav Masek marcaria golo ao mexicano Carbajal iam decorridos apenas 15 segundos de jogo! (Não obstante, seria o México a vencer a partida…). Em 1982, o inglês Bryan Robson demorou apenas 27 segundos para marcar o primeiro golo à França; em 1978, o francês Bernard Lacombe marcara à Itália ao fim de 37 segundos.

Mas foi nas fases de qualificação que seria marcado o golo mais rápido de sempre dos Mundiais de Futebol: em 1993, Davide Gualtieri, de S. Marino, em apenas 9 segundos de jogo, chegou ao golo contra a Inglaterra!

Chile - 1962

O Brasil, com as suas estrelas Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo, bisando o título de Campeão Mundial


VIII - 1966 (Inglaterra)

Inglaterra - 1966A VIII edição do Campeonato do Mundo de Futebol, cuja Fase Final foi disputada em Inglaterra no ano de 1966, bateu todos os records de inscrições, pela primeira vez ultrapassando 70 países inscritos (total de 74).

Não obstante, o facto de que 3 continentes (Ásia, África e Oceânia) apenas dispusessem de uma vaga na Fase Final provocaria várias desistências; efectivamente, 21 dos países inscritos não chegariam a realizar qualquer jogo de qualificação (tal como o Campeão do Mundo, Brasil, e o país organizador, Inglaterra – ambos qualificados "de ofício").

Dos inicialmente inscritos Argélia, Camarões, Congo, Etiópia, Gabão, Ghana, Guiné, Libéria, Líbia, Mali, Marrocos, Nigéria, Senegal, África do Sul (candidatura recusada pela FIFA devido às práticas segregacionistas do apartheid – apenas viria a ser aceite em 1992), Sudão, Tunísia e República Árabe Unida (federação do Egipto e da Síria), nenhum deles disputaria efectivamente a qualificação.

A grande surpresa chegaria da desconhecida equipa da Coreia do Norte, apurada com uma dupla vitória (6-1 e 3-1) sobre a Austrália.

Portugal conseguia, pela primeira vez na sua história, a qualificação para o Mundial, de forma "surpreendente", eliminando o vice-campeão do Mundo (Checoslováquia)… já em Inglaterra, viria a eliminar também o Campeão do Mundo (Brasil)!

A Jugoslávia foi também uma das principais selecções a "ficar de fora", afastada pela França.

O México, "crónico" representante da América do Norte e Central, marcando novamente presença na Fase Final, possibilitava ao seu guarda-redes Antonio Carbajal disputar o seu 5º Campeonato do Mundo (desde 1950).

Inglaterra - 1966

Eusébio confortando Pelé, lesionado no jogo com Portugal; dois dos maiores ícones do futebol mundial; em 1966, a vitória foi para o português

A Fase Final do Campeonato do Mundo de 1966 começaria por ser marcada pelo episódio do furto da Taça Jules Rimet, em exposição em Londres. Seria encontrada dias depois num jardim nos arredores da cidade...

O Brasil procurava o tri-campeonato (depois das vitórias nas duas edições precedentes, em 1958 e 1962)… mas a sua caminhada triunfal seria interrompida por Portugal, na sua estreia nos Mundiais!

Pelé, lesionado no jogo contra Portugal, cederia o palco a outras grandes estrelas: Bobby Moore, Bobby Charlton e, especialmente, Eusébio, coroado como o rei dos marcadores, com 9 golos em 6 jogos.

A maior surpresa da prova seria a Coreia do Norte, eliminando a histórica selecção de Itália. Tal como o Brasil e a Itália, também a França (eliminada pela Inglaterra e Uruguai) e a Espanha (suplantada pela RFA e Argentina) se quedariam pela primeira fase da competição.

Nos ¼ final, num jogo "épico", à passagem da meia hora, a Coreia do Norte vencia Portugal por 3-0; na mais sensacional reviravolta da história dos Campeonatos do Mundo, conduzida por Eusébio (autor de 4 golos), a selecção portuguesa chegaria aos 5-3.

Nas ½ finais, Portugal, defrontando a equipa da "casa", a Inglaterra, não conseguiria evitar a derrota, por 1-2, num jogo que culminou com as imagens que correram mundo, de Eusébio em lágrimas.

A equipa portuguesa ganharia ainda forças para, no jogo de atribuição do 3º e 4º lugares se impor à URSS, por 2-1, alcançando assim a sua melhor classificação de sempre (até hoje…) num Campeonato do Mundo de Futebol: o 3º lugar!

Na Final, após um dos golos mais polémicos de sempre da história do futebol (o que, já no prolongamento, colocou o resultado em 3-2 – com a bola, depois de embater na barra, a cair sobre a linha de baliza, na época, com uma enorme dúvida se teria ou não transposto essa linha), a Inglaterra, conquistaria o título de Campeão Mundial, vencendo a RFA por 4-2.

Inglaterra - 1966

O capitão inglês, Bobby Moore, com a Taça Jules Rimet, vitoriado em ombros pelos seus companheiros


IX - 1970 (México)

México - 1970A IX edição do Campeonato do Mundo de Futebol registou um número de inscritos similar ao registado na anterior edição, ascendendo a 75 países (com a estreia da Argélia, Bermudas, Camarões, El Salvador, Líbia, N. Zelândia, Rodésia e Zâmbia).

Não obstante, dada a desistência – verificada no Mundial de 1966 – dos países africanos, participariam nos jogos da Fase de Qualificação um total de 68 países (visando apurar os 14 finalistas que se reuniriam aos países qualificados de ofício: a Inglaterra, como Campeão do Mundo em título; o México, como país organizador), o que passava a constituir um novo record até à data.

Cerca de metade dos países que haviam disputado os ¼ final do Campeonato de 1966, seriam eliminados logo na fase de qualificação, entre eles Portugal, último classificado de um grupo vencido pela Roménia.

A Hungria, recém Campeã Olímpica (também no México, em 1968), seria eliminada no desempate com a Checoslováquia, assim falhando a presença numa Fase Final de um Campeonato do Mundo, pela primeira vez desde 1950.

A Coreia do Norte seria desqualificada por se recusar a defrontar a selecção de Israel. A Argentina seria surpreendentemente eliminada pelo Peru.

O jogo entre as Honduras e El Salvador viria a originar o início de um conflito entre ambos os países. No campo, os salvadorenhos levariam a melhor, apurando-se para a Fase Final.

Em África, a selecção de Marrocos tornar-se-ia na primeira a alcançar a qualificação para um Mundial (em 1934, o Egipto fora apurado sem ter necessidade de disputar qualquer partida).

A Austrália eliminaria a Rodésia (actual Zimbabwe) num jogo em campo neutro, disputado em Moçambique; contudo, viria a ser eliminada por Israel (que afastara também a N. Zelândia).

Pela primeira vez na história, a Fase Final de um Campeonato do Mundo de Futebol assumia o cariz de grande espectáculo televisivo, à escala mundial, obrigando a disputar vários jogos ao meio-dia, sob um calor muito intenso.

Não obstante, esta prova seria caracterizada pelas excelentes partidas de futebol, de que se destacam os jogos: Brasil-Inglaterra (1-0), Inglaterra-RFA (reedição da Final do Mundial de 1966, desta vez com vitória dos alemães por 3-2) e Itália-RFA (uma ½ final alucinante, com a Itália a eliminar a RFA, por 4-3, com um record de 5 golos no prolongamento – em apenas 30 minutos!).

Uma outra estreia absoluta nesta edição do Mundial foi a possibilidade das equipas fazerem substituições durante os jogos!

E, continuando, em matéria de novidades, os famosos cartões amarelo e vermelho também teriam a sua "entrada em cena", pela primeira vez, nesta prova (em 1986, o uruguaio José Batista seria expulso antes de cumprido o primeiro minuto de jogo!).

O Brasil, depois do falhado "tri" no Mundial de Inglaterra (eliminado por Portugal) – anedoticamente a expressão "tri" passou então a ser glosada como "terminou recreio Inglaterra" ou "todos regressem imediatamente"...), alcançaria finalmente o ambicionado Tri-Campeonato – conquistando definitivamente a Taça Jules Rimet –, com uma equipa em que pontificavam grandes figuras como Jairzinho (com golos marcados em todas as partidas), Pelé, Gerson, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto, na que continua a ser considerada como uma das melhores equipas mundiais de sempre, esmagando na Final, no Estádio Azteca, a Itália, por concludente 4-1.

Foi também neste Mundial que o guarda-redes inglês (Gordon Banks) fez aquela que é, ainda hoje, considerada como uma "defesa impossível".

México - 1970

O segundo golo do Brasil na Final, por Gérson, considerado o segundo melhor jogador da prova, a seguir a Pelé


X - 1974 (Alemanha)

RFA - 1974Com 99 países inscritos, a X edição do Campeonato do Mundo de Futebol estabelecia um novo record, pela primeira vez com mais de 200 jogos de qualificação, para apurar os 14 finalistas, que se juntariam ao país organizador (RFA) e ao Campeão do Mundo em título (Brasil).

Alguns países "históricos" ficariam arredados da Fase Final, nomeadamente a França, Áustria, Hungria, a Inglaterra (Campeã do Mundo em 1966, agora eliminada pela Polónia, com o "herói" Jan Tomaszewski a segurar o nulo no Estádio do Wembley), URSS (que recusou deslocar-se ao Chile… de Pinochet), Bélgica (eliminada pela "arqui-rival" Holanda), Espanha (caindo 2às mãos" da Jugoslávia, num jogo de desempate), Checoslováquia (eliminada pela Escócia)... e Portugal, batido pela Bulgária, num grupo em que marcava também presença a I. Norte de George Best. A RDA, vencendo o grupo, à frente da Roménia, apurava-se para o Mundial da nação irmã, do outro lado do Muro de Berlim.

Também na zona americana, uma grande surpresa, com a eliminação do México… perante o Haiti. Em África, o Zaire tornava-se no primeiro país sub-sahariano a qualificar-se para a Fase Final de um Mundial. Na zona da Oceânia, a Austrália garantia o apuramento, após ter eliminado os asiáticos Irão e Coreia do Sul.

RFA - 1974

A "Laranja Mecânica" ao ataque, mas sem que Neeskens conseguisse bater o grandioso Sepp Maier

Não obstante o título mundial para a poderosa RFA, jogando "em casa", este foi o Mundial da "Laranja Mecânica", com a Holanda - conduzida pelo "mago" Johan Cruyff, acolitado por nomes como Neeskens, Rep ou Rensenbrink - a deslumbrar o mundo com o seu "futebol total" (já revelado ao mundo pela célebre equipa do Ajax, tri-campeão europeu no início da década de 70), "esmagando" a Argentina por 4-0 e batendo claramente o tri-campeão do mundo (Brasil), por 2-0.

Mas a RFA tinha também os seus trunfos: começando pela baliza, com o fenomenal Sepp Maier, passando pela defesa, com o "kaiser" Franz Beckanbauer e o pendular Berti Vogts, Paul Breitner e, culminando no ataque, com o "bombardeiro" Gerd Muller, chegava, 20 anos depois, à conquista do seu segundo título mundial de futebol. Apesar da surpreendente derrota frente à RDA, numa fase em que ambas as selecções haviam já garantido a qualificação para a fase seguinte da prova.

Na final, um árbitro de coragem assinalaria, logo no primeiro minuto de jogo, um penalty a favor da Holanda, na sequência de uma iniciativa de Cruyff, convertido por Neeskens. A equipa da RFA ainda não havia tocado na bola e já perdia por 0-1. Não obstante, por intermédio de Breitner (também na conversão de uma grande penalidade) e Muller, os alemães dariam a "volta ao jogo".

Do Leste da Europa viria também uma selecção poderosa, a Polónia, que - liderada por Gzregorz Lato e escudada no seu guarda-redes Tomaszewski - viria a alcançar o 3º lugar, derrotando os tri-campeões do mundo.

Esta prova marca o advento da chegada da televisão a cores!... Ao mesmo tempo que é assinalada pela introdução de um novo troféu "Taça do Mundo da FIFA" (estatueta em ouro maciço, encimada por uma representação do globo terrestre), na sequência da conquista definitiva da "alada" Taça Jules Rimet pelo Brasil (em 1970).

RFA - 1974

Sepp Maier, "O Gato", ergue o troféu de Campeão do Mundo conquistado pela RFA


XI - 1978 (Argentina)

Argentina - 1978A XI edição do Campeonato do Mundo de Futebol, cuja Fase Final foi disputada em 1978 na Argentina ultrapassou pela primeira vez na história o número de 100 selecções, com 107 países inscritos – com a RFA (Campeã do Mundo em título) e a Argentina (país organizador) qualificados "de ofício" – sendo que, pela última vez, a fase de qualificação se destinou a apurar apenas 14 países (a partir de 1982, o Campeonato do Mundo passou a acolher 24 Finalistas).

A eliminação do Uruguai no torneio de qualificação sul-americano (em detrimento do Peru… e do "eterno" e "omnipresente" Brasil) constituiu uma das maiores surpresas desta fase, que acolheu uma estreia, a do desempate por grandes penalidades para apurar um dos finalistas, no encontro em que a Tunísia se impôs à selecção de Marrocos.

De fora ficariam também selecções poderosas como a da Inglaterra (eliminada pela Itália), URSS (superada pela Hungria), Checoslováquia (batida pela Escócia)… e, como habitualmente, Portugal (apesar da boa campanha realizada, quedar-se-ia atrás de uma fortíssima selecção da Polónia). A Bélgica - também como habitualmente - seria afastada pela vizinha Holanda...

Na zona da América do Norte, Central e Caraíbas, o México garantiria, mais uma vez, a qualificação, mas, desta vez, por escassa margem, em relação aos EUA e Canadá.

O representante da Ásia seria o Irão, eliminando a Coreia do Sul, não obstante os dois empates averbados.

Argentina - 1978

O holandês René van der Kerkhof em acção na Final do Mundial, frente a Argentina; uma vez mais, os holandeses ficariam "às portas da glória"

Desde o Mundial de Itália em 1938 que a prova não era tão marcada pela componente política: a ditadura argentina (do General Videla) apostou forte na organização do Campeonato e, também, na vitória da equipa da casa.

E assim seria… 48 anos depois de ter sido finalista vencida na I edição do Campeonato do Mundo de Futebol, a Argentina (de Menotti), no "seu" Mundial, com o apoio entusiasta do seu público, sagrar-se-ia, pela primeira vez, Campeã do Mundo.

Para tal, teria de vencer alguns obstáculos: na primeira fase, seria suplantada pela Itália, garantindo, não obstante, o apuramento para a fase seguinte. Aí, a polémica instalou-se; à entrada para o último jogo do Grupo, a Argentina, para superar o Brasil em termos de diferença de golos, necessitava de derrotar o Peru (de Cubillas – surpreendente vencedor do seu grupo, na primeira fase, à frente da Holanda) por 4 golos de diferença; o resultado final seria de 6-0; mas, durante muito tempo, os brasileiros alegariam que o guarda-redes da equipa peruana fcilitara a vitória argentina.

Na Final, o "futebol total" da Holanda (desta vez já sem Cruyff) – e depois de bater a Áustria por concludentes 5-1, a Itália (2-1) e de empatar a 2-2 com os campeões em título (Alemanha – eliminando-a, numa espécie de "desforra" da Final do Mundial de 1974) – ficaria uma vez mais à beira da glória… sem contudo a conseguir tocar; depois de 1-1 no final dos 90 minutos, Kempes e companhia (Passarella, Ardiles e o fantástico guarda-redes Fillol, um dos heróis da Final) dariam o tão ansiado triunfo à Argentina, por 3-1.

A França, no regresso ao mais alto nível mundial, após 12 anos de ausência, não iria longe na prova, sendo eliminada logo na primeira fase, na sequência das derrotas com a Itália e a Argentina.

A Tunísia alcançaria a primeira vitória de uma selecção africana na Fase Final do Mundial, derrotando o México por inequívocos 3-0; causaria ainda surpresa ao forçar um empate a zero com os campeões do mundo em título (Alemanha); não obstante, tal não seria suficiente para se apurar para a fase seguinte.

Na disputa do 3º e 4º lugares, o Brasil (afastado da final pela expressiva vitória argentina frente ao Peru) venceria a Itália por 2-1, numa reedição da Final de 1970… e numa antecipação da final de 1994.

Argentina - 1978

Na Final do "seu" Mundial, a Argentina sagrava-se Campeão do Mundo, batendo a Holanda por 3-1... após prolongamento


XII - 1982 (Espanha)

Espanha - 1982Pela primeira vez uma Fase Final de um Mundial (na sua XII edição) acolhia 24 selecções, das 109 inscritas à partida; com este alargamento, a fase de qualificação para o Mundial de 1982, na sua zona Europeia, consistiu na formação de 6 Grupos de 5 selecções (apurando-se as 2 primeiras de cada Grupo) e 1 Grupo de 3 selecções (apurando o vencedor), a juntar ao país organizador (Espanha) – formando um contingente total de 14 selecções europeias – e ao Campeão em Título (Argentina).

Na América do Sul, Brasil, Peru e Chile qualificaram-se também, à custa do Uruguai.

Na Zona da América do Norte, Central e Caraíbas, apurar-se-iam o tradicional México, as Honduras e El Salvador.

A N. Zelândia representaria a Oceânia, depois de uma maratona de 15 jogos de qulificação, afastando no último minuto a China; no percurso, estabeleceriam alguns records: melhor marcador (com 44 golos!), 9 jogos sem sofrer golos e uma histórica vitória de 13-0 sobre as Ilhas Fiji (em 16.08.1981). A Ásia apenas seria representada pelo Kuwait.

Finalmente, no continente africano, Argélia e Camarões aprestavam-se para mostrar ao mundo o "perfume" do seu futebol.

Portugal, integrado num Grupo considerado "acessível" – e com enormes expectativas de marcar presença na vizinha Espanha – teria uma pobre campanha, terminando em penúltimo do Grupo, apenas à frente de Israel (com quem teve uma das mais "comprometedoras" derrotas da sua história, por 1-4); Escócia e a surpreendente I. Norte seriam os apurados no Grupo (eliminando a Suécia), elevando a representação do contingente britânico na Fase Final a 3 participantes (com a Inglaterra), apenas o P. Gales não logrando o apuramento.

Num grupo muito disputado, a França teria de sofrer bastante para chegar ao 2º lugar, após a Bélgica, eliminando a Irlanda… e o bi-vice-campeão do Mundo, a Holanda! De fora ficariam também, entre outros, a Bulgária, a Roménia e a emergente Dinamarca. Um dos países mais poderosos da actualidade, a Turquia, fechava a sua campanha de apuramento com 8 derrotas em 8 jogos (a par do Chipre e Luxemburgo… sendo esta última a única equipa que a Grécia conseguiu então superar).

A RFA alcançaria o pleno, com 8 vitórias em 8 jogos (entre os quais as goleadas de 8-0 à Albânia e 7-1 à Finlândia), com um total de 33 golos marcados e apenas 3 sofridos!

Áustria, URSS, Checoslováquia, Hungria, Jugoslávia, Itália e Polónia seriam os outros representantes europeus na Fase Final da prova.

Espanha - 1982

As estrelas brasileiras Sócrates, Zico, Falcão, Júnior e Cerezo regressavam a casa no termo de um "alucinante" Itália-Brasil

À partida para a Fase Final deste Mundial, poucos seriam os apostadores na Itália… Que ultrapassou com imensa dificuldade a 1ª fase, com 3 empates em 3 jogos… eliminando os Camarões pela vantagem no número de golos marcados.

Tudo se alteraria na 2ª fase: integrando um grupo com os colossos sul-americanos Brasil e Argentina, a Itália começaria por, surpreendentemente, bater a Argentina de Maradona, para, de seguida, "mandar para casa" a poderosa selecção brasileira.

Num jogo "épico", o Brasil apenas necessitava de empatar; conseguiu fazê-lo a 1-1 e a 2-2, mas os italianos alcançariam, pela 3ª vez (com 3 golos do "mago" Paolo Rossi), e de forma definitiva, a vantagem no jogo, que lhes daria a vitória no Grupo e o apuramento para as ½ Finais.

Nas ½ Finais, a Itália derrotaria com alguma naturalidade a Polónia (com mais 2 golos de Paolo Rossi, que se consagraria como o melhor marcador da prova, com um total de 6 golos); na outra partida, a França seria eliminada pela RFA na transformação de pontapés da marca de grande penalidade, depois de, já no prolongamento, ter estado a vencer por 3-1; Rummenigge conduziria a sua equipa ao empate a 3-3…

RFA, que para chegar à 2ª fase (em que eliminaria a Inglaterra e os anfitriões, a Espanha) – depois de perder surpreendentemente com a Argélia na 1ª fase – tinha necessitado de fazer "anti-jogo" na partida com a Áustria, contando com a tácita colaboração desta, uma vez que o resultado de 1-0 apurava as duas equipas.

A prova ficaria ainda assinalada pela goleada da Hungria frente a El Salvador, por 10-1 (reforçando a sua própria marca de 9-0 à Coreia, em 1954 – resultado também verificado em 1974, na vitória da Jugoslávia frente ao Zaire), insuficiente para evitar que os húngaros fossem eliminados pela Bélgica (surpreendentemente vitoriosa no jogo de abertura com os Campeões do Mundo, Argentina) e… pelos argentinos.

Na Final, a Itália impor-se-ia aos teutónicos, com uma clara vantagem de 3-1 (com mais um golo de... Paolo Rossi).

Espanha - 1982

O guarda-redes e capitão Dino Zoff torna-se, aos 40 anos, no futebolista mais velho a vencer a Taça do Mundo; a Itália conquistava o Tri-Campeonato (depois das vitórias de 1934 e 1938), igualando o Brasil


XIII - 1986 (México)

México - 1986A cada edição do Campeonato do Mundo, ia sendo batido o record de participantes; na XIII edição do Mundial (cuja Fase Final foi disputada no México, em 1986), inscreveram-se 121 selecções, tendo efectivamente 110 delas disputado as 22 vagas para acompanhar o México e o Campeão do Mundo em título, a Itália.

Na zona Europeia, históricos do futebol mundial, como a Suécia e Checoslováquia (terminando, respectivamente no 3º e 4º lugares do Grupo, a seguir a Portugal), Jugoslávia, ou Roménia (surpreendentemente suplantada pela I. Norte) seriam eliminados na fase de qualificação… tal como a Holanda – a dois anos de se sagrar Campeã Europeia –, desta vez afastada pela vizinha e "eterna rival" Bélgica, num muito disputado "play-off"… e a Grécia (última classificada no seu Grupo). Destaque ainda para a qualificação da Inglaterra, única equipa sem derrotas, culminando com uma vitória por 8-0 na Turquia!

Ao fim de 30 anos, Portugal conseguia, pela segunda vez na sua história, o apuramento para a Fase Final do Mundial, com uma épica vitória na Alemanha (nunca antes derrotada em casa!).

Os antigos Campeões do Mundo oriundos da América do Sul marcaram, desta vez, presença na Final, com o regresso do Uruguai, acompanhando os tradicionais Brasil e Argentina… e também o Paraguai (conseguindo o apuramento após 28 anos de "jejum").

De África, vieram a Argélia e Marrocos, ficando os Camarões (grande surpresa de 1982) ausentes da Fase Final. Angola marcaria, pela primeira vez na sua história, presença na fase de apuramento para um Campeonato do Mundo de Futebol.

Na zona Asiática, os apurados seriam a Coreia do Sul (eliminando o Japão)… e o Iraque (vencedor da Síria).

Depois de a Colômbia ter manifestado não reunir as condições necessárias, o México tornou-se no primeiro país a organizar por duas vezes a Fase Final de um Campeonato do Mundo de Futebol, após a edição de 1970.

Na primeira fase da competição, do total de 24 participantes, apenas 8 seriam eliminados; um dos indesejados lugares caberia a Portugal, passando ao "lado da prova"… Não obstante um excelente início, com vitória sobre a Inglaterra, a derrota com a Polónia colocou a equipa portuguesa dependente de um empate ante Marrocos; não parecia difícil, mas o "desastre" aconteceria; irreconhecível, embrenhada em inúmeros problemas a nível de organização (nomeadamente a falta de entendimento quanto ao valor de eventuais prémios a atribuir aos jogadores), Portugal voltaria para casa vergado ao peso de uma derrota pouco menos que "humilhante", por 1-3.

Marrocos tornava-se então no primeiro país africano a ultrapassar a fase de grupos num Campeonato do Mundo, apurando-se para os 1/8 Final, vencendo um grupo formado também por Inglaterra, Polónia e Portugal.

Nos 1/8 Final, num jogo extremamente emotivo, a Bélgica bateria a URSS, no prolongamento, por 4-3, enquanto a Argentina afastava, com alguma naturalidade, o Uruguai. A Espanha goleava a já então forte Dinamarca (sagrar-se-ia Campeã Europeia 6 anos depois) por 5-1, no "dia" de Butragueño, com 4 golos.

Os Campeões da Europa de 1984 (França), então com Platini no auge, bateriam os Campeões do Mundo (Itália) nos 1/8 Final, e o Brasil nos ¼ Final (na sequência do que foi considerado como um dos melhores jogos de sempre; no desempate na marcação de pontapés da marca de grande penalidade, e apesar da falha de Platini, Sócrates e Júlio César possibilitariam a vitória dos franceses)… viriam a terminar a sua brilhante carreira nas ½ Finais, mais uma vez (tal como em 1982) derrotados pela Alemanha (que, nos ¼ Final, acabara com o sonho mexicano, eliminando o México no desempate por pontapés da marca de grande penalidade).

Como "prémio de consolação", a França viria a alcançar o 3º lugar final, após vencer a Bélgica (que, por sua vez, havia eliminado, também nos ¼ Final, e igualmente no desempate por via de pontapés da marca de grande penalidade, a forte selecção da Espanha).

Maradona conduziria a Argentina ao bis como Campeão do Mundo de Futebol (repetindo a vitória "caseira" de 1978), com o célebre slalom pela defesa inglesa, a que se juntou outro golo, com a "mão de Deus", vencendo nos ¼ Final por 2-1. Nas ½ Finais, perante a Bélgica, Maradona marcaria também mais 2 golos.

E, tal como em 1982, depois de eliminar a França nas ½ Finais, a Alemanha repetiria na Final a derrota de 4 anos antes, perdendo agora por 2-3, já depois de ter recuperado de uma desvantagem de 2 golos.

Maradona, agora Campeão do Mundo, consagrava-se como o melhor futebolista mundial.

México - 1986

Maradona, consagrado melhor jogador do mundo, com a "sua" Taça de Campeão do Mundo


XIV - 1990 (Itália)

Itália - 1990Na fase de apuramento para a XIV edição do Campeonato do mundo, disputado em Itália em 1990, foram 116 as selecções inscritas, tendo 103 disputado os 22 lugares de acesso à Fase Final, com a Argentina e Itália qualificadas automaticamente.

Destaque para o apuramento dos Emiratos Árabes Unidos, após 4 empates e uma vitória (frente à China), sendo acompanhados (na zona Asiática) pela Coreia do Sul.

Após 40 anos de ausência, os EUA regressavam a uma Fase Final do Mundial, secundados pela Costa Rica (com o México excluído pela FIFA, na sequência de um processo de falsificação de idade de jogadores em competições de juniores).

Na Zona Europeia, as maiores surpresas seriam a eliminação da França (treinada por Platini – classificada após a Jugoslávia e Escócia) e da Dinamarca (dois anos antes de – após ser repescada – se sagrar Campeã da Europa), afastada pela Roménia. A Alemanha e Inglaterra, classificadas em 2º lugar nos respectivos grupos garantiam o apuramento.

Portugal, não obstante não ter feito uma má campanha, terminaria o seu Grupo no 3º lugar, após a Checoslováquia e Bélgica, sendo – mais uma vez – eliminado da Fase Final de um Campeonato do Mundo. As 2 vitórias frente ao Luxemburgo e à Suíça (em casa e fora) não seriam suficientes, perante os empates caseiros e derrotas forasteiras com a Checoslováquia e Bélgica.

Na América do Sul, no jogo Brasil-Chile, o guarda-redes chileno simulara que fora atingido por um foguete, quando a sua equipa vencia por 1-0, tendo-se recusado a prosseguir o jogo. Descoberto o estratagema, o Chile viria a ser também excluído pela FIFA do Mundial seguinte. Juntamente com o "eterno" Brasil, seriam o Uruguai e Colômbia (depois de eliminar Israel, que, por sua vez, afastara anteriormente a Austrália e N. Zelândia) a qualificar-se, juntando-se aos campeões do mundo, Argentina.

Na Zona de África, o Egipto regressava aos grandes palcos mundiais, 56 anos depois, sendo acompanhado pelos Camarões, que muito viriam a dar que falar...

Itália - 1990

Cerimónia de abertura - Mundial 1990 (Itália)

A Fase Final da XIV edição do Campeonato do Mundo, disputada em 1990 em Itália (também na sua segunda organização, depois de 1934), seria marcada pelo futebol defensivo e pelos desempates por via de pontapés da marca de grande penalidade (nomeadamente em ambas as partidas das ½ finais, com a Argentina a eliminar a Itália e a Alemanha a afastar a Inglaterra).

Esta prova marca o auge do camaronês Roger Milla, aos 38 anos, com um extraordinário regresso, já depois de ter abandonado a alta competição, conduzindo a sua selecção até aos 1/4 Final (depois de eliminar a então favorita selecção da Colômbia), apenas sendo afastada, no prolongamento, pela Inglaterra (Milla viria ainda a marcar um golo no Mundial de 1994, já com 42 anos!).

Também a Costa Rica - treinada pelo "trota-mundos" Bora Milutinovic -, provocaria surpresa, ao chegar aos 1/8 Final da prova (eliminando a Escócia e a Suécia), sucumbindo ante o poderio da Checoslováquia.

Outros dois nomes ficariam registados nesta edição da prova; o do italiano Salvatore Schillaci, praticamente desconhecido antes do evento, no qual se sagrou como melhor marcador, com 6 golos… que não seriam suficientes para passar das ½ Finais, frente a uma Argentina (apurada "in extremis" na primeira fase da prova, depois da derrota com os Camarões no jogo de abertura), cujo herói foi o guarda-redes Sergio Goycochea, impondo a sua "lei" nos desempates por pontapés da marca de grande penalidade (tal como o fizera já frente à Jugoslávia, depois de ter segurado a vitória ante o Brasil).

Ironicamente, a Final, entre a Alemanha (que eliminara sucessivamente a Holanda, a Checoslováquia e a Inglaterra) e Argentina, que seria considerada como uma das mais pobres da história dos Mundiais, viria a ser decidida por uma grande penalidade convertida por Andreas Brehme frente a Go

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