JOGOS OLÍMPICOS
Um pouco de História...
1896 (Atenas)

Um congresso realizado em Paris em Junho de 1894, sob a direcção de Pierre de Freddy – que viria a ser conhecido como Barão de Coubertin –, esteve na génese do relançamento dos Jogos Olímpicos, tendo por origem a fundação do Comité Olímpico Internacional.
1503 anos depois das últimas Olimpíadas (extintas no ano de 393 pelo Imperador Romano Teodósio, após 293 edições), o renascimento dos Jogos Olímpicos atraiu 241 atletas (homens) de 14 países, que, entre 6 e 15 de Abril de 1896, em Atenas – próximo do local histórico das Olimpíadas originais, em Olímpia –, disputaram 43 provas de 9 modalidades (Atletismo, Ciclismo, Esgrima, Ginástica, Levantamento de Pesos, Luta, Natação, Ténis e Tiro).
Precisamente a 6 de Abril de 1896, no Estádio Olímpico de Atenas, perante cerca de 80 000 espectadores, o americano James Connolly, ao vencer o Triplo-salto, tornou-se o primeiro Campeão Olímpico da Era Moderna, recebendo, pelo feito, uma medalha… de prata (seria ainda vice-campeão no Salto em altura, e 3º no Salto em comprimento). O alemão Karl Schumann conseguiria um lugar de honra em 4 provas diferentes.
Mas o herói dos Jogos, seria o grego Spiridon Louis, vencendo a Maratona, a prova que evocava o feito do soldado Phidipiddes que, no ano 490 A.C., levou aos Atenienses a notícia da vitória sobre os Persas, na Batalha de Maratona, não tendo, após ter percorrido os 42,195 km, e transmitido a notícia de que era mensageiro, resistido à exaustão.
O quadro final de medalhas registou a seguinte repartição (Ouro / Prata / Bronze):
1. EUA – 11 / 7 /2
2. Grécia – 10 / 17 / 19
3. Alemanha – 6 / 5 /2
4. França – 5 / 4 / 2
5. Grã-Bretanha – 2 / 3 / 2
6. Hungria – 2 / 1 / 3
7. Áustria – 2 / 1 / 2
8. Austrália – 2/ 0 / 0
9. Dinamarca – 1 / 2 / 3
10. Suíça – 1 / 2 / 0
1900 (Paris)

Os Jogos da II Olimpíada realizaram-se em Paris, inseridos na Exposição Universal Internacional de 1900 (que apresentavas as grandes inovações da época), abrangendo 24 países e 997 atletas tendo as 95 provas sido repartidas ao longo de um período de cinco meses (de 14 de Maio a 28 de Outubro), sem grande ênfase no seu estatuto olímpico (relegado para segundo plano, quase de uma forma "marginal" e algo anárquica), tendo sido, pela primeira vez, admitidas (22) mulheres (a primeira Campeã Olímpica seria Charlotte Cooper, da Grã-Bretanha, em Ténis).
Alvin Kraenzlein venceria quatro provas em 3 dias (60m, 110 e 200 metros barreiras e salto em comprimento) – record até hoje nunca batido –, enquanto que Ray Ewry se sagrava, a 16 de Julho de 1900, tri-Campeão Olímpico, vencendo 3 provas num só dia (Saltos em comprimento, altura e triplo). John Walter Tewksbury venceu os 200 metros, 400 metros barreiras, tendo sido segundo nas provas de 60 m e 100 m e 3º nos 200 metros barreiras).
No quadro de medalhas, destacam-se os 10 primeiros países:
1. França – 25 / 41 / 34
2. EUA – 19 / 14 / 14
3. Grã-Bretanha – 15 / 6 / 9
4. Suíça – 6 / 2 / 1
5. Bélgica – 5 / 5 / 5
6. Alemanha – 4 / 2 / 2
7. Itália – 2 / 1 / 0
8. Austrália – 2 / 0 / 3
9. Dinamarca – 1 / 3 / 2
10. Hungria – 1 / 3 / 2
1904 (St. Louis)

Os Jogos Olímpicos de 1904, realizados nos EUA, em St. Louis (apesar de inicialmente previstos para Chicago), decorreram de 1 de Julho a 23 de Novembro, também algo "perdidos" no meio da Feira Mundial, apenas com a participação de 12 países – o mais baixo número de sempre – e 645 atletas (apenas 6 mulheres). Das 91 provas do programa, apenas cerca de 40 incluíam atletas para além dos norte-americanos.
Estes Jogos foram também marcados por indignos "Dias antropológicos", com a "exibição" de homens de raça negra, índia, pigmeia, turca e mexicana, assim como por pouco enaltecedores concursos de cuspir tabaco.
Na verdade, as medalhas de ouro, prata e bronze, apenas nestas Olimpíadas seriam introduzidas. Dada a grande variedade de provas e concursos, o número de medalhas atribuídas foi enorme, premiando essencialmente os participantes americanos, em larguíssima maioria.
A grande figura dos Jogos seria o ginasta americano George Eyser, vencedor de 6 medalhas. O também americano Archie Hahn seria Campeão dos 60m, 100m e 200m, enquanto que Harry Hillman vencia os 400m e os 400m barreiras, proeza nunca mais repetida. Ray Ewry repetiria os triunfos de 1900 (saltos em altura, comprimento e triplo).
O quadro de medalhas foi assim distribuído:
1. EUA – 77 / 81 /78
2. Alemanha – 4 / 4 / 5
3. Cuba – 4 / 2 / 3
4. Canadá – 4 / 1 / 1
5. Hungria – 2 / 1 / 1
6. Grã-Bretanha – 1 / 1 / 0
7. Suíça – 1 / 0 / 1
8. Grécia – 1/ 0 / 1
9. Áustria – 0 / 0 / 1
1908 (Londres)

Os Jogos Olímpicos de 1908 estavam inicialmente previstos para Roma, tendo sido entretanto atribuídos a Londres (após a renúncia italiana, em 1906), decorrendo de 27 de Abril a 31 de Outubro – a mais longa duração de sempre, tendo as provas sido divididas em dois períodos, na Primavera e no Verão – tendo marcado a reabilitação do espírito do movimento olímpico, depois dos insucessos de 1900 e 1904, apesar de decorrerem também em paralelo com uma grande exposição franco-britânica.
Pela primeira vez, na Cerimónia de Abertura, os (2008) atletas desfilaram por país, inscritos em equipas nacionais, tendo participado no evento 22 nações, disputando 110 provas.
Os arqueiros William e Charlotte Dod tornaram-se os primeiros irmãos a conquistar medalhas olímpicas.
Oscar Swahn seria o mais velho concorrente a vencer a medalha de ouro, aos 60 anos, na prova de Tiro. Ray Ewry seria Campeão Olímpico de Salto em altura pela terceira vez, vencendo também o Salto em comprimento, tornando-se no único atleta na história a conquistar 8 medalhas de ouro em provas individuais.
A Maratona teria um final dramático: o italiano Dorando Pietri seria o primeiro a entrar no Estádio, depois de 42 km de corrida, mas chegaria cambaleante, em situação de colapso por 5 vezes na pista, vindo a ser desclassificado ao passar a meta apoiado em assistentes.
No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram os seguintes:
- Grã-Bretanha – 56 / 51 / 38
- EUA – 23 / 12 / 12
- Suécia – 8 / 6 /11
- França – 5 / 5 / 9
- Alemanha – 3 / 5 / 6
- Hungria – 3 / 4 / 2
- Canadá – 3 / 3 / 10
- Noruega – 2 / 3 / 3
- Itália – 2 / 2 / 0
- Bélgica – 1 / 5 / 2
1912 (Estocolmo)

Contrariamente aos de 1900 e 1904, os Jogos de Estocolmo – realizados entre 5 de Maio e 27 de Julho de 1912 – revelaram uma boa organização, numa competição em que participaram 2 407 atletas de 28 países (pela primeira vez, representando os 5 Continentes), disputando 102 provas.
Estes Jogos foram caracterizados por longas provas de resistência, com os 320 km na prova de estrada de ciclismo a constituírem a prova mais longa da história das Olimpíadas; e com a meia-final da prova luta greco-romana a prolongar-se por 11 horas.
O finlandês Hannes Kohlemainen venceria três medalhas de ouro em provas de fundo (5 000 m – sendo o primeiro atleta a baixar da barreira dos 15 minutos –, 10 000 m e cross-country). Mas o maior herói dos Jogos seria o índio americano Jim Thorpe, Campeão do Pentatlo (vencendo as 5 provas) e do Decatlo, com um record mundial.
Inédito na história dos Jogos Olímpicos foi o facto de um presidente de um Comité Olímpico (da Áustria) ter conquistado a medalha de prata na prova de sabre (Esgrima).
Na sequência da fundação do Comité Olímpico Português, Portugal teria a sua primeira participação, com 6 atletas (Atletismo, Esgrima e Luta), a qual viria a ser tragicamente assinalada com a morte de Francisco Lázaro - considerado candidato à vitória na Maratona -, a 22 de Julho de 1912, vítima de insolação ao untar com sebo a cabeça, tapando os poros, impedindo a transpiração, quando percorrera já 32 km de prova.
No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:
- EUA – 25 / 19 / 12
- Suécia – 24 / 24 / 17
- Grã-Bretanha – 10 / 15 / 16
- Finlândia – 9 / 8 / 9
- França – 7 / 4 / 3
- Alemanha – 5 / 13 / 7
- África do Sul – 4 / 2 / 0
- Noruega – 4 / 1 / 4
- Hungria – 3 / 2 / 3
- Canadá – 3 / 2 / 3
1920 (Antuérpia)

Os Jogos da VI Olimpíada estavam previstos para Berlim, em 1916, mas viriam a ser cancelados devido à I Guerra Mundial.
Os Jogos apenas seriam retomados em 1920, sendo atribuída a VII Olimpíada a Antuérpia, na Bélgica, honrando o sofrimento do país durante a Guerra. Decorreram de 20 de Abril a 12 de Setembro, com a participação de 2 626 atletas de 29 países, disputando 154 provas.
Pela primeira vez, foi introduzida a bandeira olímpica, com os 5 anéis de cores diferentes, simbolizando os 5 Continentes (Azul - Europa; Amarelo - Ásia; Preto - África; Verde - Oceania; Vermelho - América).
O italiano Nedo Nadi conseguiria conquistar 5 medalhas de ouro em Esgrima, enquanto que a americana Ethelda Bleibtrey venceria todas as 3 provas de natação, estabelecendo records mundiais em todas elas.
O mais velho medalhado da história dos Jogos Olímpicos seria o sueco Oscar Swahn, conquistando a medalha de prata, na prova de tiro, com a idade de 72 anos.
A prova de vela seria a primeira a ser realizada simultaneamente em dois países, iniciando-se na Bélgica, mas terminando na Holanda.
No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:
- EUA – 41 / 27 / 27
- Suécia – 19 / 20 / 25
- Grã-Bretanha – 16 / 15 / 13
- Finlândia – 15 / 10 / 9
- Bélgica – 14 / 11 / 11
- Noruega – 13 / 9 / 9
- Itália – 13 / 5 / 5
- França – 9 / 19 / 13
- Holanda – 4 / 2 / 5
- Dinamarca – 3 / 9 / 1
1924 (Paris)

Nos Jogos Olímpicos de 1924, regressando a competição a Paris, realizada de 4 de Maio a 27 de Julho, foi introduzido o lema "Citius, Altius, Fortius" (Mais Longe, Mais Alto, Mais Forte); pela primeira vez, na Cerimónia de Encerramento, seriam hasteadas três bandeiras: a do Comité Olímpico Internacional, a do país organizador e a do país organizador das Olimpíadas seguintes.
Participaram nos Jogos 3 089 atletas, com um acréscimo importante de países, de 29 para 44, sendo disputadas 126 provas.
A 20 de Julho de 1924, Johnny Weissmuller, dos EUA – que viria a ser imortalizado como o "Tarzan" –, conquistaria duas medalhas de ouro em provas de natação, para além da medalha de bronze em pólo aquático.
O finlandês Paavo Nurmi conquistaria 5 medalhas de ouro, acrescendo às 3 que conquistara já em 1920. Num só dia, 10 de Julho de 1924, começou por vencer a prova dos 1 500 metros; menos de 1 hora depois, venceria os 5 000 metros. Outro finlandês, Ville Ritola, alcançaria também 4 medalhas de ouro (3 000 metros obstáculos, 10 000 metros e, colectivamente, as provas de 3 000 m e de cross-country) e 2 de prata (5 000 m e cross-country).
Portugal (com 29 atletas participantes) conquistaria a sua primeira medalha, de bronze, por intermédio da equipa de Hipismo, no concurso de Obstáculos (Aníbal Borges de Almeida, Hélder de Sousa Martins, José Mouzinho de Albuquerque e Luís Cardoso Mendes).
No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:
1. EUA – 45 / 27 / 27
2. Finlândia – 14 / 13 / 10
3. França – 13 / 15 / 10
4. Grã-Bretanha – 9 7 13 / 12
5. Itália – 8 / 3 / 5
6. Suíça – 7 / 8 / 10
7. Noruega – 5 / 2 / 3
8. Suécia – 4 / 13 / 12
9. Holanda – 4 / 1 / 5
10. Bélgica – 3 / 7 / 3
…
23. Portugal – 0 / 0 / 1
1928 (Amesterdão)

Nos Jogos da IX Olimpíada, realizados de 17 de Maio a 12 de Agosto de 1924 em Amesterdão, pela primeira vez, a Grécia abriu o desfile de participantes (2 883) na Cerimónia de Abertura, cabendo ao país organizador, Holanda, fechar o desfile, no que viria a tornar-se o protocolo oficial. Também pela primeira vez, a "Chama Olímpica" foi instalada no topo do Estádio, ficando acesa durante a duração do evento.
Dos 46 países participantes, disputando 109 provas, 28 conquistariam medalhas de ouro, um record que perduraria durante 40 anos. Pela primeira vez, as mulheres participaram nas provas de atletismo e ginástica.
Estes Jogos marcariam também a estreia de um país asiático na conquista de medalhas de ouro, por intermédio dos japoneses Mikio Oda, Campeão Olímpico do Triplo-Salto, e de Yoshiyuki Tsuruta, Campeão dos 200 metros em natação, tendo também a Índia vencido a prova de Hóquei em Campo, de que seria, consecutivamente, 6 vezes Campeã, até 1960.
Também a Hungria iniciaria a conquista de 7 medalhas de ouro consecutivas na prova de sabre, em Esgrima.
John Weissmuller venceria novamente as provas de 100 m e 400 metros em Natação.
Portugal, com uma comitiva de 32 atletas, conseguiria uma nova medalha de bronze, na prova de Espada e Florete (Esgrima), com uma equipa constituída por Paulo d’ Eça Leal, Mário de Noronha, Jorge Paiva, Frederico Paredes, João Sasseti e Henrique da Silveira.
A equipa olímpica portuguesa de futebol, presente pela primeira vez – com a direcção técnica de Cândido de Oliveira e Ricardo Ornellas – alcançaria os ¼ final da prova, depois de vencer o Chile por 4-2 (primeira vitória portuguesa no estrangeiro) e a Jugoslávia por 2-1, perdendo o jogo de acesso às 1/2 finais com o Egipto por 1-2; o Campeão Olímpico de 1928 seria a Argentina.
Os países mais medalhados foram:
1. EUA – 22 / 18 / 16
2. Alemanha – 10 / 7 / 14
3. Finlândia – 8 / 8 / 9
4. Suécia – 7 / 6 / 12
5. Itália – 7 / 5 / 7
6. Suíça – 7 / 4 / 4
7. França – 6 / 10 / 5
8. Holanda – 6 / 9 / 4
9. Hungria – 4 / 5 / 0
10. Canadá – 4 / 4 / 7
…
33. Portugal – 0 / 0 / 1
1932 (Los Angeles)

Após a França, os EUA foram o segundo país a repetir a organização dos Jogos Olímpicos; em 1932, seriam realizados em Los Angeles (depois de St. Louis em 1904).
Apesar de decorrerem logo após a Grande Depressão de 1929, com uma redução do número de participantes (1 332 atletas, de 37 países, disputando 118 provas), estes seriam os melhores Jogos até então realizados, com 18 records mundiais e com uma audiência de 100 000 espectadores na Cerimónia de Abertura.
Pela primeira vez, a duração dos Jogos foi estabelecida em cerca de 16 dias (de 30 de Julho a 14 de Agosto), a qual seria sensivelmente observada a partir de então. Os atletas foram, também pela primeira vez, instalados numa única "Vila Olímpica".
O japonês Kusuo Kitamura, ao vencer, aos 14 anos, a prova de Natação de 1 500 m, tornou-se no mais jovem Campeão Olímpico masculino de sempre.
O sueco Carl Westergren conquistaria três títulos olímpicos de Luta Greco-Romana, em diferentes divisões.
Portugal apenas participaria com uma diminuta equipa de 7 participantes, sem feitos desportivos a realçar.
No quadro de medalhas, os primeiros países foram:
1. EUA – 41 / 32 / 30
2. Itália – 12 / 12 / 12
3. França – 10 / 5 / 4
4. Suécia – 9 / 5 / 9
5. Japão – 7 / 7 / 4
6. Hungria – 6 / 4 / 5
7. Finlândia – 5 / 8 / 12
8. Grã-Bretanha – 4 / 7 / 5
9. Alemanha – 3 / 12 / 5
10. Austrália – 3 / 1 / 1
1936 (Berlim)

As Olimpíadas de 1936, realizadas em Berlim, capital da Alemanha, entre 1 e 16 de Agosto de 1936, foram organizadas com um cuidado então inigualável em toda a história do desporto, visando demonstrar a superioridade da raça ariana, transformando a competição num evento político. Participaram 3 963 atletas de 49 países, disputando 129 provas.
Foi a partir de 1936 que se iniciou a que viria a ser a tradicional rota da chama olímpica, viajando desde Olímpia (na Grécia) até ao local dos Jogos. Os Jogos de Berlim foram também os primeiros a ser transmitidos por uma "espécie" de televisão (por via de écrans gigantes espalhados pela cidade)!
Foi também o ano de introdução de modalidades como o Andebol e o Basquetebol.
Curiosamente, seria um atleta negro, o norte-americano Jesse Owens, a destacar-se, ao conquistar 4 medalhas de ouro em provas de velocidade (100m, 200m, estafeta 4 x 100m) e salto em comprimento, obrigando Hitler a retirar-se do Estádio no momento da Cerimónia de entrega das medalhas.
A norte-americana Marjorie Gestring, de apenas 13 anos, seria Campeã Olímpica de saltos para a água, tornando-se na mais jovem Campeã da história das Olimpíadas. A mais nova medalhada de sempre seria a dinamarquesa Inge Sorensen que, aos 12 anos, obteve a medalha de bronze em Natação.
O remador britânico Jack Beresford, vencendo a medalha de ouro na prova de "Double Sculls" conseguia ser medalhado em 5 Jogos Olímpicos consecutivos (entre 1920 e 1936!).
Portugal obteria nova medalha de bronze, mais uma vez em Hipismo, no concurso de obstáculos por equipas, através de Luís Mena e Silva, Domingos de Sousa Coutinho e José Beltrão.
No quadro de medalhas, os países mais medalhados foram:
1. Alemanha – 33 / 26 / 30
2. EUA – 24 / 20 / 12
3. Hungria – 10 / 1 / 5
4. Itália – 8 / 9 / 5
5. Finlândia – 7 / 6 / 6
6. França – 7 / 6 / 6
7. Suécia – 6 / 5 / 9
8. Japão – 6 / 4 / 8
9. Holanda – 6 / 4 / 7
10. Grã-Bretanha – 4 / 7 / 3
…
30. Portugal – 0 / 0 / 1
1948 (Londres)

As XII e XIII Olimpíadas, que deveriam ter-se realizado em 1940 e 1944, acabariam por ser anuladas, devido à II Guerra Mundial.
Após uma interrupção de 12 anos, os Jogos da XIV Olimpíada seriam disputados em Londres, em 1948 (repetindo também a organização de 1908), de 29 de Julho a 14 de Agosto, com a participação de 4 104 atletas de 59 países, disputando 136 provas.
Os Jogos de 1948 seriam os primeiros a ser efectivamente transmitidos pela televisão, apesar de serem ainda poucos os ingleses com televisão em casa.
Ficaram também assinalados pela primeira presença dos "países comunistas", provenientes do bloco de leste, na sequência do fim da Guerra. Ao contrário, primaram pela ausência, grandes potências como a Alemanha, a URSS e o Japão.
A holandesa Fanny Blankers-Koen tornar-se-ia na primeira mulher a conquistar 4 medalhas de ouro numa única Olimpíada, vencendo os 100m, 200m, 80 m barreiras e estafeta. Apesar de ser também recordista mundial do salto em altura e do salto em comprimento, seria impedida pelo regulamento de participar em mais provas.
O norte-americano Bob Mathias, vencendo a prova do Decatlo com a idade de 17 anos, tornou-se no mais jovem desportista de sempre a vencer uma prova de atletismo nos Jogos Olímpicos.
Ilona Elek (Hungria) e Jan Brzak (Checoslováquia) conseguiriam revalidar os títulos olímpicos que tinham conquistado 12 anos em Berlim, tendo portanto (em teoria) perdido a possibilidade de vencer mais títulos, devido à não concretização das Olimpíadas de 1940 e 1944.
Portugal participou no evento com 47 atletas, conseguindo conquistar finalmente a sua primeira medalha de prata, por intermédio de Duarte Bello e Fernando Bello, na prova de Vela (classe "Swallow"). Alcançaria também a 4ª medalha de bronze do seu historial, no concurso de "Dressage" (Hipismo), por Francisco Valadas Jr. e Luís Mena e Silva (também já medalhado em 1936).
No quadro de medalhas, os primeiros países foram:
1. EUA – 38 / 27 / 19
2. Suécia – 16 / 11 / 17
3. França – 10 / 6 / 13
4. Hungria – 10 / 5 / 12
5. Itália – 8 / 11 / 8
6. Finlândia – 8 / 7 / 5
7. Turquia – 6 / 4 / 2
8. Checoslováquia – 6 / 2 / 3
9. Suíça – 5 / 10 / 5
10. Dinamarca – 5 / 7 / 8
…
26. Portugal – 0 / 1 / 1
1952 (Helsínquia)

Em Helsínquia, em 1952 – de 19 de Julho a 3 de Agosto –, pela primeira vez na história, as duas super-potências, EUA e União Soviética (estreante), enfrentavam-se no campo desportivo, aumentando o número de atletas presentes para 4 955, representando 69 países, disputando 149 provas.
Estes Jogos Olímpicos marcam o regresso da Alemanha (cuja última presença anterior datava já de 1936), com uma equipa da República Federal Alemã (RFA). A República Democrática Alemã (RDA) não participaria ainda nestas Olimpíadas.
A equipa feminina de ginástica da URSS iniciaria aqui um domínio que se estenderia por um longo período de 40 anos, em que venceu sucessivamente todas as Olimpíadas… até o próprio país se desmembrar em diversas repúblicas independentes.
No Triplo-Salto, o Campeão Olímpico seria o brasileiro Ademar Ferreira da Silva, batendo então o record mundial.
Mas a grande figura dos Jogos seria o checoslovaco Emil Zatopek, conhecido como "Locomotiva Humana", que se tornou no único atleta de sempre a conseguir vencer – numa única edição dos Jogos Olímpicos – as corridas de 5 000 metros e 10 000 metros (com um intervalo de apenas 24 horas) e ainda a Maratona.
Portugal apresentaria a maior delegação de sempre até à data, com 73 atletas participantes, tendo obtido nova medalha de bronze (elevando o total geral das medalhas conquistadas para 5 de bronze e 1 de prata), por via de Joaquim Mascarenhas Fiúza e Francisco Rebelo de Andrade, na prova de Vela (classe "Star").
No quadro final de medalhas, destacaram-se os seguintes países:
1. EUA – 40 / 19 / 17
2. URSS – 22 / 30 / 19
3. Hungria – 16 / 10 / 16
4. Suécia – 12 / 13 / 10
5. Itália – 8 / 9 / 4
6. Checoslováquia – 7 / 3 / 3
7. França – 6 / 6 / 6
8. Finlândia – 6 / 3 / 13
9. Austrália – 6 / 2 /3
10. Noruega – 3 / 2 / 0
…
40. Portugal – 0 / 0 / 1
1956 (Melbourne)

Pela primeira vez na história, os Jogos da XVI Olimpíada foram realizados fora da Europa ou dos Estados Unidos, chegando ao hemisfério Sul, à Austrália (que derrotara a candidatura de Buenos Aires… por 1 voto!), onde 3 314 atletas, representando 72 países, disputaram 145 provas, de 22 de Novembro a 8 de Dezembro de 1956.
Dadas as restritivas leis australianas quanto ao período de quarentena de animais, pela primeira vez, as provas de hipismo tiveram de ser realizadas num outro país, no caso a Suécia, em Estocolmo (provas realizadas em Junho de 1956), na única vez, em 100 anos de história olímpica, em que a unidade no tempo e no espaço não foi respeitada.
Na sua segunda presença, a URSS assumiria a liderança mundial em termos de medalhas conquistadas, o que se tornaria uma quase constante até ao fim da sua existência como país unificado, apenas perdendo para os EUA em 1968 e (em número de medalhas de ouro) em 1964.
O atleta russo Vladimir Kutz ganharia as provas dos 5 000 e 10 000 metros. O húngaro Laszlo Papp tornou-se no primeiro pugilista a conquistar três medalhas de ouro.
Na ginástica, o ucraniano Viktor Chukarin venceu 5 medalhas, 3 das quais de ouro, elevando o seu total para 11 medalhas (sendo 7 de ouro). Por seu lado, a húngara Agnes Keleti, conquistando 4 medalhas de ouro e 2 de prata, atingia um total de 10 medalhas olímpicas.
A equipa norte-americana de Basquetebol exerceu tal supremacia que marcava cerca do dobro dos pontos dos adversários, vencendo todos os jogos por mais de 30 pontos de vantagem.
A jovem australiana Elizabeth "Betty" Cuthbert, ao vencer 3 medalhas de ouro (100m e 200m e estafeta 4 x 100m), tornou-se numa heroína nacional.
Portugal participaria com uma pequena delegação de 12 atletas, sem resultados desportivos de destaque.
No quadro de medalhas, os primeiros países foram:
1. URSS – 37 / 29 / 32
2. EUA – 32 / 25 / 17
3. Austrália – 13 / 8 / 14
4. Hungria – 9 / 10 / 7
5. Itália – 8 / 8 / 9
6. Suécia – 8 / 5 / 6
7. Alemanha (equipa unificada) – 6 / 13 / 7
8. Grã-Bretanha – 6 / 7 / 11
9. Roménia – 5 / 3 / 5
10. Japão – 4 / 10 / 5
1960 (Roma)

Os Jogos Olímpicos de 1960 ficaram marcados pela grandiosidade, assinalada com a construção de estádios, ginásios e da "vila olímpica". Decorreram de 25 de Agosto a 11 de Setembro de 1960, com a participação de 5 338 atletas, representando 83 países, disputando 150 provas.
O hino olímpico composto pelos gregos Spyros Samaras e Kostis Palamas para os I Jogos Olímpicos, tornou-se (64 anos depois) o hino oficial.
Uns Jogos que fizeram uso da monumental cidade de Roma, com as provas de Luta a serem realizadas onde, 2 000 anos antes, decorriam concursos de luta, as provas de Ginástica nos "Banhos de Caracalla" e com o termo da maratona no Arco de Constantino.
Foram os Jogos que projectaram Cassius Clay (posteriormente Muhammad Ali), Campeão Olímpico de Pugilismo.
O dinamarquês Paul Elvstrom venceria a medalha de ouro pela quarta vez consecutiva, na prova de Vela (Classe Finn), enquanto que o esgrimista húngaro Aladar Gerevich conquistava a sexta medalha de ouro na prova de Sabre por equipas, tal como o sueco Gert Fredricksson, também 6 vezes Campeão Olímpico em canoagem.
Depois de derrotada três vezes consecutivas na Final, a Jugoslávia, conquistaria finalmente o título de Campeã Olímpica em Futebol.
O ganês Ike Quartey, finalista na prova de pugilismo, tornou-se no primeiro africano negro a conquistar uma medalha olímpica (prata). Poucos dias depois, despontava Abebe Bikila, o etíope que corria descalço, sagrando-se o primeiro Campeão Olímpico da África negra, vencendo a prova da Maratona.
A jovem norte-americana Wilma Rudolph tornou-se na primeira atleta americana a vencer três medalhas de ouro (100m, 200m e estafeta 4 x 100m).
Portugal, com uma comitiva de 65 atletas, alcançou nova medalha de prata, também na prova de Vela (classe "Star"), por Mário Quina e José Manuel Quina.
O quadro de medalhas regista os seguintes países com mais lugares de honra nesta Olimpíada:
1. URSS – 43 / 29 / 31
2. EUA – 34 / 21 / 16
3. Itália – 13 / 10 / 13
4. Alemanha (equipa unificada) – 12 / 19 / 11
5. Austrália – 8 / 8 / 6
6. Turquia – 7 / 2 / 0
7. Hungria – 6 / 8 / 7
8. Japão – 4 / 7 / 7
9. Polónia – 4 / 6 / 11
10. Checoslováquia – 3 / 2 / 3
…
32. Portugal – 0 / 1 / 0
1964 (Tóquio)

Pela primeira vez, os Jogos Olímpicos foram disputados na Ásia, envolvendo 5 151 atletas, de 93 países, disputando 163 provas, entre 10 e 24 de Outubro de 1964, premiando o processo de reconstrução do Japão, devastado na sequência da II Guerra Mundial.
Nesta Olimpíada, foram introduzidas as modalidades de Judo e Voleibol (sendo esta a primeira modalidade com equipas femininas).
Um dos grandes heróis seria Bob Hayes, ao vencer a prova de 100 metros, com 10 segundos exactos, um record mundial. O também norte-americano Don Scholander conquistaria 4 medalhas de ouro em natação.
O etíope Abebe Bikila tornou-se no primeiro atleta a sagrar-se bi-Campeão Olímpico da Maratona, repetindo a vitória alcançada em Roma.
A ucraniana Larysa Latynina, conquistando medalhas atrás de medalhas, fixava a sua marca em 18 medalhas, das quais 9 (!) de ouro, um record olímpico.
O remador russo Vyacheslav Ivanov, o norte-americano Al Oerter (Lançamento do Disco) e a nadadora australiana Dawn Fraser tornavam-se tri-Campeões Olímpicos, em sucessivas Olimpíadas (elevando a última o número de medalhas conquistadas para 8: 4 de ouro e 4 de prata).
O húngaro Dezso Gyarmati, jogador de polo aquático, conseguiria conquistar a sua 5ª medalha concecutiva. O também húngaro Imre Polyak (Luta greco-romana), depois de três medalhas de prata nas Olimpíadas anteriores (desde 1952), sagrou-se finalmente Campeão Olímpico.
Portugal fez-se representar por uma pequena comitiva de 20 atletas, destacando-se o 4º lugar alcançado por Manuel Oliveira na prova dos 3 000 metros obstáculos.
No quadro de medalhas, os primeiros países foram:
1. EUA -36 / 26 / 28
2. URSS – 30 / 31 / 35
3. Japão – 16 / 5 / 8
4. Alemanha (equipa unificada) – 10 / 22 / 18
5. Itália – 10 / 10 / 7
6. Hungria – 10 / 7 / 5
7. Polónia – 7 / 6 / 10
8. Austrália – 6 / 2 / 10
9. Checoslováquia – 5 / 6 / 3
10. Grã-Bretanha – 4 / 12 / 2
1968 (México)

Em 1968, na Cidade do México, nos Jogos da XIX Olimpíada, um novo record de participantes (5 516 atletas), representando 112 países, disputando 172 provas, num evento que decorreu entre 12 e 27 de Outubro.
Os Jogos Olímpicos de 1968 marcam a estreia da que viria a tornar-se numa nova grande potência desportiva mundial - até ao seu desaparecimento enquanto país independente -, a República Democrática Alemã (RDA).
Nestes Jogos, realizados a 2 260 metros de altitude, o ar rarefeito (menos 30 % do que ao nível do mar), ao mesmo tempo que limita a resistência, potencia o desempenho em provas rápidas, o que permitiu resultados excepcionais, com 88 records (nomeadamente em todas as provas de atletismo de extensão abaixo dos 800 metros), destacando-se os 8,90 m do americano Bob Beamon no Salto em comprimento (record mundial que perduraria durante mais de 20 anos, sendo ainda record olímpico, quase 4 décadas depois), os 9,9 segundos do também americano Jim Hines nos 100 metros e os 17,39 metros do soviético Viktor Saneev no Triplo-Salto.
A ginasta checoslovaca Vera Caslavska conquistaria quatro medalhas de ouro e duas de prata.
O norte-americano Al Oerter venceria a prova de Lançamento do Disco pela quarta vez. O também americano e até então desconhecido Dick Fosbury tornar-se-ia mundialmente famoso ao introduzir uma radical inovação na técnica de transposição da fasquia no salto em altura, que viria a ficar conhecido como o "Fosbury Flop", em que atacava a fasquia de costas, em vez do tradicional sistema de "rolamento ventral", que singraria, proporcionando-lhe a vitória olímpica e vindo a ser adoptado de forma generalizada a partir de então (o último campeão a ter êxito com o antigo sistema seria Gerd Wessig, o alemão de leste vencedor dos Jogos Olímpicos de 1980, já então uma excepção no uso dessa técnica de salto, a par da sua compatriota Rose Marie Ackermann).
Portugal, mais uma vez representado com uma pequena delegação, de 20 atletas, não alcançaria qualquer resultado de destaque.
No quadro de medalhas, os países mais medalhados foram os seguintes:
- EUA – 45 / 28 / 34
- URSS – 29 / 32 / 30
- Japão – 11 / 7 / 7
- Hungria – 10 / 10 / 12
- RDA – 9 / 9 / 7
- França – 7 / 3 / 5
- Checoslováquia – 7 / 2 / 4
- RFA – 5 / 11 / 10
- Austrália – 5 / 7 / 5
- Grã-Bretanha – 5 / 5 / 3
1972 (Munique)

O record de participantes ia sendo sucessivamente batido, de Olimpíada para Olimpíada: em 1972, nos Jogos da XX Olimpíada, realizados de 26 de Agosto a 11 de Setembro, 7 134 atletas, de 121 países, disputaram 195 provas.
A tradição pacificadora dos Jogos Olímpicos seria abrupta e tragicamente interrompida em 1972, a 5 de Setembro, quando terroristas palestinos da organização "Setembro Negro" invadiram os aposentos da delegação de Israel, saldando-se o ataque com a morte de 11 atletas e dos 5 terroristas, abatidos pela polícia alemã. Os Jogos seriam suspensos por 34 horas, até à deliberação do Presidente do Comité Olímpico Internacional de que "The Games must go on", embora com as bandeiras de todos os países participantes a meia-haste.
Depois de 36 anos de ausência, a Alemanha voltava (tal como em 1936) a integrar o Andebol como modalidade olímpica.
Os Jogos de 1972 foram os primeiros a ter uma mascote oficial. A mascote não oficial seria contudo a ginasta russa Olga Korbut, vencendo a prova por equipas, falhando na prova individual, mas acabando por vencer as provas por aparelhos.
O grande herói desta Olimpíada seria o nadador americano Mark Spitz, somando 7 medalhas de ouro às duas que conquistara já na Cidade do México.
O finlandês Lasse Viren, apesar de ter caído a meio da final dos 10 000 metros, conseguiria, ainda assim, estabelecer um novo record mundial, conquistando a primeira das suas 4 medalhas de ouro (duas em 1972 e duas em 1976, nos 5 000 m e 10 000 m).
A nadadora australiana Shane Gould alcançaria três medalhas de ouro, estabelecendo 3 records mundiais; conquistaria ainda mais uma medalha de prata e outra de bronze.
Portugal participaria com uma delegação de 29 atletas, não registando resultados de realce; na sua primeira participação olímpica, o futuro Campeão Olímpico Carlos Lopes não teria sucesso.
Os países que conquistaram mais medalhas foram os seguintes:
1. URSS – 50 / 27 / 22
2. EUA – 33 / 31 / 30
3. RDA – 20 / 23 / 23
4. RFA – 13 / 11 / 16
5. Japão – 13 / 8 / 8
6. Austrália – 8 / 7 / 2
7. Polónia – 7 / 5 / 9
8. Hungria – 6 / 13 / 16
9. Bulgária – 6 / 10 / 5
10. Itália – 5 / 3 / 10
1976 (Montreal)

Os Jogos Olímpicos de Montreal ficariam marcados pelo boicote dos países africanos, em protesto contra o facto de a equipa de râguebi da Nova Zelândia ter feito uma digressão pela África do Sul, e isto em contestação ao regime político de apartheid deste país africano.
O número de participantes reduziu-se consequentemente para 6 084 atletas, representando 92 países, disputando 198 provas, entre 17 de Julho e 1 de Agosto.
Pela primeira vez, disputaram-se competições femininas de Andebol e Basquetebol.
O símbolo maior destes Jogos seria a ginasta romena Nadia Comaneci, de 14 anos, alcançando, pela primeira vez na história da ginástica, na prova de Paralelas Assimétricas, a nota máxima (10), traduzindo a "perfeição" (que repetiria por mais seis vezes), e que obrigaria a uma revisão da tabela de pontuação, com um acréscimo do grau de dificuldade dos exercícios obrigatórios. Esta seria a minha primeira "memória viva" de uns Jogos Olímpicos.
O italiano Klaus Dibiasi conquistava a terceira medalha de ouro consecutiva na prova de Saltos para a água, sagrando-se também o georgiano Viktor Saneyev (URSS) tri-Campeão Olímpico do Triplo-Salto.
A polaca Irena Szewinska alcançava a sua sétima medalha, em 5 provas diferentes. O cubano Alberto Juantorena conseguiria, pela primeira vez na história, uma dupla vitória nos 400 m e 800 m.
O húngaro Miklos Németh tornou-se no primeiro filho de um Campeão Olímpico a conquistar também a medalha de ouro olímpica, no Lançamento do Dardo; o pai, Imre, vencera a prova de Lançamento do Martelo em 1948.
Carlos Lopes, Campeão Mundial de Cross, fez sonhar os portugueses, mas na última volta das 25 que integram os 10 000 metros, o finlandês Lasse Viren, que sempre seguira na peugada do português, arrebataria nova medalha de ouro, relegando Carlos Lopes para o segundo lugar e correspondente medalha de prata - 8 anos depois, Carlos Lopes viria a confessar que, durante muito tempo, "se sentiu perseguido pela passada de Lasse Viren, qual fantasma sempre atrás de si, que finalmente tinha exorcizado".
Com uma pequena comitiva de apenas 19 atletas, Portugal conquistaria uma outra, e surpreendente, medalha de prata, por Armando Marques, no Tiro - Fosso Olímpico.
Na tabela geral de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:
- URSS – 49 / 41 / 35
- RDA – 40 / 25 / 25
- EUA – 34 / 35 / 25
- RFA – 10 / 12 / 17
- Japão – 9 / 6 / 10
- Polónia – 7 / 6 / 13
- Bulgária – 6 / 9 / 7
- Cuba – 6 / 4 / 3
- Roménia – 4 / 9 / 14
- Hungria – 4 / 5 / 13
… - Portugal – 0 / 2 / 0
1980 (Moscovo)

Como grande manifestação universal, a política começou a ter um campo de intervenção nos Jogos Olímpicos, assistindo-se a novo boicote, liderado pelos EUA, seguido por diversos países ocidentais, em protesto contra a ocupação soviética do Afeganistão.
Nestes Jogos, da XXII Olimpíada, reduziu-se portanto o número de atletas participantes a 5 179, representando apenas 80 países (o menor número desde 1956), disputando 203 provas, entre 19 de Julho e 3 de Agosto.
Não obstante, a União Soviética faria um grandioso investimento, estimado em cerca de 3 000 milhões de dólares, dispondo de 68 estádios, 230 pavilhões de ginástica, 23 piscinas olímpicas e ainda outros 110 campos de futebol.
Um domínio avassalador da URSS (maior número de medalhas conquistadas de sempre), com apenas um único país a "dar alguma réplica", a RDA.
O soviético Aleksandr Dityatin, alcançando medalhas em todas as provas de ginástica, tornou-se no único atleta de sempre a conseguir 8 (!) títulos de Campeão Olímpico numa única Olimpíada.
O pugilista cubano Teófilo Stevenson tornou-se no primeiro a conquistar três medalhas de ouro em Olimpíadas sucessivas. O nadador soviético Vladimir Salnikov venceria também três medalhas de ouro, mas nesta Olimpíada, tornando-se o primeiro homem de sempre a nadar os 1 500 metros em menos de 15 minutos (viria a repetir o triunfo 8 anos depois, em Seoul).
Os Jogos ficaram também marcados pela intensa rivalidade entre os britânicos Steve Ovett e Sebastian Coe, que repartiriam entre si as vitórias nas provas de 800 m e 1 500 m – apesar de serem respectivamente recordistas mundiais das provas em que… acabaram por não vencer.
Portugal apresentaria uma das mais reduzidas comitivas de sempre, apenas com 11 atletas, sem resultados a destacar.
Os países com mais medalhas foram os seguintes:
1. URSS – 80 / 69 / 46
2. RDA – 47 / 37 / 42
3. Bulgária – 8 / 16 / 17
4. Cuba – 8 / 7 / 5
5. Itália – 8 / 3 / 4
6. Hungria – 7 / 10 / 15
7. Roménia – 6 / 6 / 13
8. França – 6 / 5 / 3
9. Grã-Bretanha – 5 / 7 / 9
10. Polónia – 3 / 14 / 15
1984 (Los Angeles)

No regresso dos Jogos a Los Angeles (52 anos depois), pela primeira vez (na sua XXIII edição da Era Moderna) foram realizados sem qualquer financiamento oficial do Estado, sendo patrocinados por instituições privadas, tendo a cadeia de televisão ABC pago 325 milhões de dólares pelos direitos de exclusividade.
A Cerimónia de Abertura foi um espectáculo dentro do grande espectáculo, com uma mega-produção "hollywoodesca".
E continuou o boicote, desta vez dos países do bloco comunista, à excepção da Roménia e com a China a fazer a sua estreia.
Ainda assim, seria estabelecido um novo record de países participantes (140), reunindo um total de 6 829 atletas, disputando 221 provas, entre 28 de Julho e 12 de Agosto.
O herói desta Olimpíada seria Carl Lewis, que, com 4 medalhas de ouro (100m, 200m, estafeta 4 x 100m e salto em comprimento), repetia o feito de Jesse Owens de 48 anos antes.
O remador Pertti Karppinen venceria a prova de individual de "Sculls" pela terceira vez, enquanto que Sebastian Coe se tornava no primeiro atleta de sempre a repetir o título olímpico dos 1 500 metros.
Portugal, com uma comitiva de 39 atletas, conquistaria a sua primeira medalha de ouro de sempre nas Olimpíadas, com Carlos Lopes a sagrar-se Campeão Olímpico da Maratona, numa histórica madrugada, percorrendo os 42,195 km da prova em 2h09m21s, ainda hoje (mais de 20 anos decorridos), record olímpico!
Na que seria a melhor participação de sempre de Portugal até hoje, também Rosa Mota e António Leitão, conquistariam medalhas, de bronze, respectivamente nas provas da Maratona feminina (a primeira da história dos Jogos, vencida pela americana Joan Benoît) e dos 5 000 metros.
Na tabela de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:
1. EUA – 83 / 61 / 30
2. Roménia – 20 / 16 / 17
3. RFA – 17 / 19 / 23
4. China – 15 / 8 / 9
5. Itália – 14 / 6 / 12
6. Canadá – 10 / 18 / 16
7. Japão – 10 / 8 / 14
8. N. Zelândia – 8 / 1 / 2
9. Jugoslávia – 7 / 4 / 7
10. Coreia do Sul – 6 / 6 / 7
…
23. Portugal – 1 / 0 / 2
1988 (Seoul)

Cerca de 8 391 atletas, de 159 países, fizeram dos Jogos de Seoul – finalmente sem boicotes – os maiores de todos os tempos, com a disputa de 237 provas, entre 17 de Setembro e 2 de Outubro.
Esta Olimpíada ficaria marcada pelo record mundial e quase imediata desclassificação de Ben Johnson, na prova de 100 metros, vindo a medalha de ouro a ser atribuída a Carl Lewis, por análise positiva de Johnson no controlo anti-doping.
A ciclista Christa Luding-Rothenburger tornar-se-ia na primeira atleta de sempre a conseguir alcançar medalhas nos Jogos de Olímpicos de Verão e de Inverno no mesmo ano (depois de ter sido já medalhada na prova de velocidade de patinagem no gelo).
No regresso do Ténis aos Jogos Olímpicos, depois de uma longa ausência, a tenista Steffi Graf, após ter ganho já os 4 torneios do Grand Slam (Austrália, Roland-Garros, Wimbledon e EUA), culminaria a época com a conquista do título olímpico.
Os americanos Matt Biondi, Greg Louganis e Florence Griffith-Joyner marcariam também esta Olimpíada, com o primeiro a alcançar 7 medalhas (5 de ouro) em provas de natação; o segundo, a conseguir repetir as duas medalhas de ouro nas provas de Saltos para a Água (tal como em 1984); e com a última a estabelecer inacessíveis records de velocidade em atletismo (100m e 200m).
Portugal participaria com 65 atletas, conseguindo Rosa Mota, também na prova da Maratona, conquistar a segunda medalha de ouro para Portugal, sagrando-se a primeira mulher portuguesa Campeã Olímpica.
No quadro de medalhas, os países mais bem colocados foram:
1. URSS – 55 / 31 / 46
2. RDA – 37 / 35 / 30
3. EUA – 36 / 31 / 27
4. Coreia do Sul – 12 / 10 / 11
5. RFA – 11 / 14 / 15
6. Hungria – 11 / 6 / 6
7. Bulgária – 10 7 12 / 13
8. Roménia – 7 / 11 / 6
9. França – 6 / 4 / 6
10. Itália – 6 / 4 / 4
…
29. Portugal – 1 / 0 / 0
1992 (Barcelona)

Nesta XXV Olimpíada, seria estabelecido novo record de participantes, com 9 356 atletas, representando 169 países, disputando 257 provas, entre 25 de Julho e 9 de Agosto de 1992.
Foram os jogos da abertura ao profissionalismo, com os EUA a apresentarem, no Basquetebol, um verdadeiro "Dream Team", com Magic Johnson, Michael Jordan, Larry Bird e Charles Barkley, entre outros. A equipa americana "arrasaria" todos os competidores – com uma média de 117 pontos por jogo, nos 8 jogos disputados –, vencendo sem dificuldade a medalha de ouro.
O ginasta soviético Vitaly Scherbo – agora já em representação da denominada "Comunidade de Estados Independentes", na sequência do colapso político da União Soviética –, conquistaria 6 medalhas de ouro, 4 delas num único dia.
A etíope Derartu Tulu, vencendo a prova de 10 000 metros, tornou-se a primeira africana negra a sagrar-se Campeã Olímpica, comemorando o título com a vice-campeã, a sul-africana branca Elana Meyer, numa volta de honra de grande simbolismo para África e para o mundo.
Portugal, apesar de participar com a maior comitiva de sempre (89 atletas), não alcançaria qualquer resultado de realce, numa presença frustrante.
Os países / equipas que conquistaram mais medalhas foram os seguintes:
1. Confederação de Estados Independentes (ex-URSS) – 45 / 38 / 29
2. EUA – 37 / 34 / 37
3. Alemanha – 33 / 21 / 28
4. China – 16 / 22 / 16
5. Cuba – 14 / 6 / 11
6. Espanha – 13 / 7 / 2
7. Coreia do Sul – 12 / 5 / 12
8. Hungria – 11 / 12 / 7
9. França – 8 / 5 / 16
10. Austrália – 7 / 9 / 11
1996 (Atlanta)

Os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, comemorando o centenário das Olimpíadas da Era Moderna, prometiam ser os melhores da história da existência das Olimpíadas.
De record em record, foi ultrapassada a barreira dos 10 000 atletas; no total, 10 318 atletas, representando 197 países, disputaram 271 provas, entre 19 de Julho e 4 de Agosto de 1996.
Outro record foi o de número de países medalhados, 79 no total, com 53 países a conquistarem títulos olímpicos, também consequência do desmembramento da União Soviética, com o surgimento de novas potências desportivas, com destaque para a Rússia, Ucrânia e Bielorrussia.
O americano Carl Lewis tornou-se no único atleta a vencer a mesma prova por 4 vezes consecutivas, sendo o quarto atleta a alcançar um total de 9 medalhas de ouro. Por seu lado, o também americano Michael Johnson esmagou o record mundial dos 200 m, vencendo ainda, também, a prova dos 400 metros.
O turco Naim Suleymanoglu conseguiria ser o primeiro halterofilista a conquistar a terceira medalha de ouro olímpica.
Passados 68 anos, Portugal voltou a participar com uma equipa de futebol nos Jogos Olímpicos, dirigida por Nelo Vingada, Agostinho Oliveira e António Simões. A equipa portuguesa começaria por vencer a Tunísia por 2-0 (dois golos de Afonso Martins), empatando depois a 1-1 com a Argentina (golo de Nuno Gomes) e com os EUA (golo de Paulo Alves), apurando-se (juntamente com a Argentina) para a fase seguinte da prova.
Nos ¼ final, Portugal venceria a França por 2-1, com um "golo de ouro" de Calado. Nas ½ finais, Portugal voltou a encontrar a Argentina, mas, desta vez, perderia por 0-2, ficando assim afastado da Final. Na disputa da medalha de bronze, a equipa portuguesa acabaria por sofrer uma pesada derrota frente ao Brasil, por 0-5. O Campeão Olímpico viria a ser a Nigéria, no primeiro grande título de futebol para o continente Africano.
Numa boa presença olímpica, Portugal conseguiria a terceira medalha de ouro da sua história, com Fernanda Ribeiro a sagrar-se Campeã Olímpica dos 10 000 metros. A dupla Nuno Barreto / Hugo Rocha conquistaria a medalha de bronze na prova de vela, na classe 470.
Carla Sacramento (4º lugar nos 1 500 metros) e a dupla de voleibol de praia, formada por João Brenha e Miguel Maia, também relegados para o 4º lugar, perderiam ingloriamente a medalha que… esteve tão próxima.
No quadro de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:
1. EUA – 44 / 32 / 25
2. Rússia – 26 / 21 / 16
3. Alemanha – 20 / 18 / 27
4. China – 16 / 22 / 12
5. França – 15 / 7 / 15
6. Itália – 13 / 10 / 12
7. Austrália – 9 / 9 / 23
8. Cuba – 9 / 8 / 8
9. Ucrânia – 9 / 2 / 12
10. Coreia do Sul – 7 / 15 / 5
…
47. Portugal – 1 / 0 / 1
2000 (Sidney)

As Olimpíadas mais concorridas de sempre: 10 651 atletas, de 199 países, disputando 300 provas, entre 15 de Setembro e 1 de Outubro de 2000.
A atleta norte-americana Marion Jones conseguiu ser a primeira mulher de sempre a obter 5 medalhas na mesma Olimpíada (Campeã Olímpica dos 100m, 200m e estafeta 4 x 400m, alcançando ainda 2 medalhas de bronze, nas provas de salto em comprimento e estafeta 4 x 100m).
O remador Steven Redgrave tornou-se no primeiro a conquistar quatro medalhas de ouro, em 5 Olimpíadas.
O jovem nadador australiano Ian Thorpe, de apenas 17 anos, venceu três medalhas de ouro e uma de prata.
Birgit Fischer, ao vencer duas medalhas de ouro em provas de Canoagem tornou-se a primeira mulher da história a conseguir ganhar medalhas com um intervalo de 20 anos.
O judoca Ryoko Tamura, depois de perder as finais das provas de Barcelona e Atlanta, conseguiria vencer o título olímpico em Sidney.
Portugal participou com 61 atletas, conseguindo mais duas medalhas de bronze, por intermédio de Fernanda Ribeiro (10 000 m) e Nuno Delgado, na prova de Judo (- 81 kg).
A dupla de voleibol de praia, Miguel Maia e João Brenha repetiria o 4º lugar da Olimpíada anterior; Álvaro Marinho e Miguel Nunes terminariam em 5º lugar a prova de Vela (Classe 470), depois de terem chegado a ocupar "posições medalháveis".
No cômputo geral, no somatório de todas as suas participações olímpicas, os atletas portugueses conseguiram conquistar 3 medalhas de ouro, 4 de prata e 10 de bronze.
No quadro final de medalhas, os países com mais medalhas obtidas foram os seguintes:
1. EUA – 40 / 24 / 33
2. Rússia – 32 / 28 / 28
3. China – 28 / 16 / 15
4. Austrália – 16 / 25 / 17
5. Alemanha – 13 / 17 / 26
6. França – 13 / 14 / 11
7. Itália – 13 / 8 / 13
8. Holanda – 12 / 9 / 4
9. Cuba – 11 / 11 / 7
10. Grã-Bretanha – 11 / 10 / 7
11. Roménia – 11 / 6 / 8
12. Coreia do Sul – 8 / 10 / 10
13. Hungria – 8 / 6 / 3
14. Polónia – 6 / 5 / 3
15. Japão – 5 / 8 / 5
16. Bulgária – 5 / 6 / 2
17. Grécia – 4 / 6 / 3
18. Suécia – 4 / 5 / 3
19. Noruega – 4 / 3 / 3
20. Etiópia – 4 / 1 / 3
21. Ucrânia – 3 / 10 / 10
22. Cazaquistão – 3 / 4 / 0
23. Bielorrussia – 3 / 3 / 11
24. Canadá – 3 / 3 / 8
25. Espanha – 3 / 3 / 5
26. Turquia – 3 / 0 / 2
27. Irão – 3 / 0 / 1
28. R. Checa – 2 / 3 / 3
29. Quénia – 2 / 3 / 2
30. Dinamarca – 2 / 3 / 1
…
68. Portugal – 0 / 0 / 2
2004 (Atenas)

A Grécia foi o berço das Olimpíadas originais da antiguidade, tendo celebrado também os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896.
108 anos depois, os Jogos Olímpicos regressam a casa, com a realização dos Jogos da XVIII Olimpíada, depois de Atenas ter conseguido suplantar as candidaturas de Buenos Aires, Cape Town, Roma e Estocolmo.
Ao longo de 16 dias (entre 13 e 29 de Agosto – efectivamente, com o torneio de Futebol a ter início a 11 de Agosto), em 28 modalidades desportivas, são disputadas - em cinco cidades gregas: Atenas, Salónica, Heraklion, Patras e Volos - 301 provas, com mais de 10 500 atletas, representando 201 Comités Olímpicos Nacionais.
Portugal participou com uma delegação de cerca de 80 atletas, a terceira maior de sempre.
E, começando pelo mais negativo, sobre a desastrada presença da selecção portuguesa de futebol neste Torneio Olímpico, é importante reter que não se trata de "uma campanha para esquecer", mas antes de "uma campanha para relembrar... e não repetir!".
Tal como no EURO2004, Portugal termina os Jogos Olímpicos como segunda melhor equipa da Europa (apenas atrás da Itália... e, desta vez, "à frente" da Grécia!); porém, sem qualquer glória e com muito pouca honra (entre os 16 participantes, Portugal, Grécia e Sérvia terminariam nos três últimos lugares da prova!).
Não deixa de ser irónico que o Paraguai, a quem Portugal bateu clamorosamente na semana anterior aos Jogos Olímpicos (por rotundos 5-0) tenha atingido a Final da competição, sagrando-se Vice-Campeão Olímpico! Portugal desperdiçou claramente esta medalha...
Em termos mais gerais, os fracos resultados das selecções europeias não deveriam deixar de constituir base de reflexão por parte da FIFA e da UEFA, nomeadamente sobre a forma de disputa da prova (equipas "sub-23" anos), uma vez que a mesma acabaria por resultar em (muito) fracas assistências (sobretudo justificadas pela reduzida mobilização de espectadores dos países participantes, o que automaticamente retira parte do "colorido à festa").
Dado encontrar-me em viagem de Atenas para Creta, não tive oportunidade de acompanhar a estreia da equipa portuguesa, contra o Iraque.
De qualquer forma, parece evidente que a selecção portuguesa, com os "pergaminhos" que tem a defender (uma equipa que, para atingir os Jogos Olímpicos, teve de afastar, sucessivamente, grandes potências como a Inglaterra, França e Alemanha - sempre com vitórias no terreno do adversário!) e com o grau de profissionalismo que a caracteriza (com jogadores das melhores equipas da Europa, como o Manchester United, Chelsea, Stuttgart, para além de FC Porto, Sporting e Benfica) "não pode" sofrer 4 (!) golos de uma desconhecida e "amadora" selecção do Iraque...
E as coisas até tinham começado bem, com o golo logo nos primeiros 15 minutos, marcado pelo adversário na própria baliza. Mas foi "sol de pouca dura": rapidamente os iraquianos "deram a volta ao resultado".
Tendo alcançado o empate a 2 golos ainda antes do intervalo, é dificil compreender o "descalabro" da segunda parte; entrando já avisada que as coisas não iriam ser fáceis, a equipa portuguesa não soube ter a necessária serenidade para impor o seu melhor futebol, acabando por "entregar-se" com a expulsão de Boa Morte.
Embora nada estivesse ainda perdido, o resultado final de 2-4 não augurava nada de bom...
No que respeita à organização do Torneio Olímpico de Futebol, a competição "ficou a léguas" do EURO 2004.
Quando decidi deslocar-me à Grécia para, juntando à visita turística, acompanhar os Jogos Olímpicos, ia numa perspectiva de "reviver" / prolongar a "grande festa" que tinha sido o EURO 2004...
Contudo, "festa" foi uma coisa que quase sempre esteve ausente deste torneio - independentemente da má carreira da equipa portuguesa de futebol.
Cenários "desoladores", com estádios quase vazios, completa "falta de ambiente"; quase chegou a ser deprimente ver os jogos decorrer sem qualquer entusiasmo nas bancadas, quase uma "competição clandestina": 6 000 espectadores no Portugal-Iraque, 7 500 no Portugal-Marrocos; 11 000 no Portugal-Costa Rica; um único jogo com números "condignos", na meia-final entre a Argentina e a Itália - as duas melhores equipas da prova - com 30 000 espectadores a comporem a lotação do Estádio do Olympiakos em Atenas.
Depois da (infeliz) estreia na cidade de Patras, o segundo jogo da selecção portuguesa seria disputado em Heraklion - capital da ilha de Creta -, frente a Marrocos.
Na cidade de Heraklion, não era visível qualquer referência ao torneio olímpico de futebol (!), nem (no centro da cidade), uma única indicação da direcção do Estádio (Pankritio) - um bonito Estádio, construído expressamente para os Jogos Olímpicos, com capacidade para cerca de 26 000 espectadores, confinando com a praia de Ammoudara - era possível ver (por entre as aberturas de acesso às bancadas, as ondas a chegar à praia...).
Não havia um esquema devidamente organizado de transporte para o Estádio; ao invés, um bom esquema de transporte para o centro da cidade, no final dos jogos (cerca de 5 minutos de percurso), com sucessivos autocarros, a "carregar" e a "arrancar".
Um bom esquema de segurança ao nível de acesso aos Estádios (todas as entradas com portas com detectores de metais e tapetes para inspecção "raio-x"!).
Muitos (mas mesmo muitos...) "assistentes" (voluntários, com os seus bonitos uniformes); em excesso, relativamente ao número de espectadores.
Bastante polícia dentro e nas imediações do Estádio. Praticamente nenhuma no centro da cidade! Alguma "insegurança" latente, com a polícia sempre "inquieta" (e bastante vigilante) perante as manifestações de apoio dos adeptos, temendo/receando eventuais confrontos que dificilmente se proporcionariam, perante assistências (no que respeita a adeptos dos países contendores) que raramente terão ultrapassado as 500 pessoas.
A equipa portuguesa surgiria neste segundo jogo bastante intranquila, "com a bola a queimar nos pés" (à semelhança do verificado no Portugal - Rússia no EURO 2004...).
E com um sintoma claramente notório: em todas as bolas "divididas", os portugueses nunca arriscavam a "meter o pé", procurando acima de tudo evitar qualquer eventual lesão nesta fase de início de época nos seus clubes.
Depois, no contra-ataque, os marroquinos surgiam sempre bastante mais velozes! Valeu a evidente superioridade técnica e física da equipa portuguesa que, ainda assim, depois de chegar aos 2-0, não conseguiria evitar o sofrimento nos 5 minutos finais, quando Marrocos reduziu a desvantagem para 1-2.

Sobre o jogo com a Costa Rica - selecção cujo real valor ficou patente no jogo dos 1/4 final com a Argentina (derrota 0-4) - é também dificilmente compreensível um descalabro desta natureza (nova derrota, também por 2-4!).
A selecção portuguesa de futebol foi, nesta competição, uma equipa que pareceu nunca assumir a 100 % (para lá das palavras...) o "objectivo Jogos Olímpicos".
Desde o início, sofrendo muitas pressões externas, começando pela "reclamação" do Manchester United (relativamente à convocatória de Cristiano Ronaldo) e pela "indignação" do FC Porto (por ter 6 convocados), passando pela mal explicada ausência de Quaresma (um dos jogadores do FC Porto com melhor desempenho na pré-época, não convocado por, supostamente, não se encontrar em condições físicas...), culminando com as "dispensas" de Hélder Postiga e Tiago.
Os três jogadores com mais de 23 anos, permitidos pelo regulamento da prova, acabaram por não se traduzir no reforço esperado: Frechaut, "vítima" das indefinições tácticas; Boa Morte, expulso no primeiro jogo, não voltaria a jogar; Fernando Meira, com um auto-golo no jogo com a Costa Rica, que, culminando uma "mão-cheia" de falhas defensivas, "acabou" com a equipa portuguesa, sempre desconcentrada, jogando muito numa base individualista, esquecendo que o futebol é um jogo colectivo, "de equipa"!
Mas, o pior de tudo foi a (falta de) atitude e carácter olímpico (inclusivamente ao nível do comportamento disciplinar, bastante negativo). Não houve a personalidade, nem sequer a calma ou serenidade, para evitar sucessivas advertências disciplinares, que se viriam a revelar decisivas, nos casos das expulsões de Boa Morte (no jogo com o Iraque) e de João Paulo (contra a Costa Rica).
Quando, aos 5 minutos da 2ª parte, a Costa Rica empatou o jogo, pensou-se que a qualificação iria ser perdida. Ainda assim, a jogar apenas com 10, Portugal assumiu o "jogo pelo jogo", procurando o ataque, conseguindo alcançar o 2-1 que, aparentemente, lhe deveria dar alguma (relativa) tranquilidade.
...Até cerca dos 70 minutos, altura em que a defesa portuguesa cometeu "hara-kiri" por duas vezes, "entregando" a vitória ao adversário!
Portugal tentaria ainda, "mais com o coração que com a cabeça" (teve 2 ou 3 oportunidades para empatar o jogo a 3-3 e poder qualificar-se), mas a Costa Rica teria também 2 bolas nos postes... antes de, já em período de descontos, chegar ao 4-2, que lhe dava a qualificação para os 1/4 final, eliminando Portugal e Marrocos (que, com o resultado em 3-2, e vencendo no seu jogo o Iraque por 2-1, se encontrava "qualificado").

Uma palavra final para destacar o justíssimo Campeão Olímpico: a Argentina - nem sempre as melhores equipas triunfam, mas a equipa argentina mostrou estar a grande distância competitiva de todas as restantes: 6 jogos, 6 vitórias, 17-0 em golos (8 da nova estrela, Carlos Tevez), com o "requinte" de ganhar ao vice-campeão da Europa de sub-23 (a Sérvia), por 6-0 e de, nas 1/2 finais, bater o Campeão da Europa (Itália), por 3-0!
A Final acabaria por ser o jogo menos "exuberante", com a Argentina a vencer o Paraguai por 1-0. Num "triste" jogo de apuramento do 3º lugar, a Itália venceria também o Iraque, igualmente por 1-0.
Argentina que, assim, voltava a conquistar - 52 anos depois - nova medalha de ouro na sua história olímpica; no mesmo dia, conseguiria uma outra medalha de ouro, no Basquetebol, frente à Itália, acabando assim por sagrar-se Campeã Olímpica das duas modalidades desportivas mais profissionalizadas (Futebol e Basquetebol).

Passando aos aspectos mais positivos, Portugal obteve na presente edição dos Jogos Olímpicos (da XXVIII Olimpíada), o melhor conjunto de resultados de sempre; apenas em 1984, Portugal conseguira alcançar 3 medalhas, então uma de ouro (Carlos Lopes, na Maratona) e duas de bronze (António Leitão, nos 5 000 metros, e Rosa Mota, na Maratona).
Para além das 3 medalhas (duas de prata, por Francis Obikwelu e Sérgio Paulinho e uma de bronze, por Rui Silva), os participantes portugueses alcançaram mais 10 classificações até ao 8º lugar, em 6 modalidades.
Em termos comparativos - e tendo em atenção uma classificação elaborada com base numa tabela de pontuação que atribui de 8 pontos ao vencedor até 1 ponto ao 8º classificado - Portugal obteve 44 pontos (resultando de dois 2º, um 3º, dois 5º, dois 6º, quatro 7º e dois 8º lugares) - ultrapassando pela primeira vez os 40 pontos -, face a apenas 30 pontos em Sidney, em 2000 (duas medalhas e seis classificações até ao 8º lugar); em 1996, em Atlanta, Portugal alcançara 35 pontos (duas medalhas e 7 classificações até à 8ª posição).
Começando pelos mais jovens, Vanessa Fernandes, Emanuel Silva e Nuno Merino.
Vanessa Fernandes (filha do grande campeão ciclista, exemplo ímpar de longevidade competitiva, Venceslau Fernandes), apenas com 18 anos, concluiu a prova do Triatlo no 8º lugar, depois de ser 5ª na prova de corrida; faltou-lhe um melhor desempenho na prova de bicicleta (em que se "limitou" a integrar o "pelotão") para poder chegar mais longe.
Emanuel Silva, também de 18 anos, atingiu o 7º lugar na prova de K1000 (Canoagem), num excelente desempenho, premiado com a outorga do papel de porta-estandarte português na cerimónia de encerramento.
Nuno Merino, jovem ginasta tomarense, de 24 anos, foi 6º classificado na prova de Trampolim.
Fora dos 8 primeiros, mas também uma jovem de grande potencial é a atleta Naide Gomes, de origem são-tomense (Heptatlo), também com 24 anos, já este ano campeã mundial em pista coberta.
Para estes jovens, em "início de carreira", os Jogos "a sério" serão os de Pequim, em 2008, implicando os necessários apoios à sua progressão, mas sem a pressão da "obrigação" de conquista de medalhas, que ninguém nunca, em nenhuma modalidade, pode antecipadamente garantir.

Para além do Atletismo, a modalidade que mais sucessos olímpicos tem proporcionado a Portugal é a Vela.
Mais uma vez, os velejadores portugueses fizeram prova de uma grande regularidade, conquistando posições entre os melhores do mundo, sem porém conseguir chegar às ambicionadas medalhas:
- Gustavo Lima (campeão do mundo em 2003 e 6º classificado nos Jogos de Sidney, em 2000) obteve o 5º lugar na Classe Laser.
- João Rodrigues (campeão do mundo em 1995) foi 6º na Classe Mistral.
- A dupla Álvaro Marinho / Miguel Nunes (5º classificados em Sidney, em 2000) alcançou o 7º lugar na Classe 470.

Também o Judo português começa a ter "tradição olímpica", alcançando com regularidade bons resultados.
Os judocas João Neto e João Pina alcançaram os 1/4 final, terminando as respectivas provas no 7º lugar.
Outra jovem esperança, Telma Monteiro (18 anos) classificou-se em 9º lugar.
Nuno Delgado, medalha de bronze em Sidney, em 2000, de quem muito se esperava nestes Jogos Olímpicos, acabou por ser afastado na 1ª ronda, tendo participado em inferioridade física, devido a lesão, com uma mão ligada.
A fechar o lote dos participantes portugueses com classificações nos 8 primeiros lugares, o atleta Alberto Chaíça (4º classificado no Campeonato do Mundo), foi desta vez 8º na prova da Maratona, ainda assim à frente do recordista do mundo Paul Tergat.
Finalmente, já para além dos 8 primeiros, referência ainda para o 10º lugar de João Vieira nos 50 km Marcha.
Tendo começado a praticar atletismo aos 16 anos, no Estrela Ouriquense, transferiu-se para o Sporting em 1997; actualmente, aos 27 anos, Rui Silva é já um atleta consagrado, um dos melhores do mundo na sua disciplina (1500 metros), com vários títulos e medalhas conquistados:
- Campeão do Mundo de Pista coberta, em 2001 (Lisboa)
- Campeão da Europa de Pista coberta, em 1998 (Valencia)
- Campeão da Europa de Pista coberta, em 2002 (Viena)
- Campeão da Europa de sub-23, em 1999 (Gotemburgo)
- 2º classificado na Taça do Mundo, em 1998 (Joanesburgo)
- Vice-Campeão da Europa, em 1998 (Budapeste)
- Vice-Campeão da Europa, em 2002 (Munique)
- Vice-Campeão da Europa de Pista coberta (3000 m), em 2000 (Gent)
Foi também recordista nacional das seguintes distâncias: 800m (2002), 1000m (1999), 1500m (2002), Milha (1999)e 2000m (1999). Em Pista coberta, alcançou também records nacionais em 800m (1999), 1000m (2001), 1500m (1999), Milha (2001), 2000m (2001) e 3000m (2000).
Depois de Carlos Lopes, é o atleta português mais premiado a nível internacional, alcandorando-se ao lugar de melhor meio-fundista português, depois de Lopes e Mamede.
Na prova disputada nos Jogos Olímpicos de Atenas, numa corrida notável (em que seria mesmo o atleta mais rápido no troço final de 200 metros), Rui Silva foi, mais uma vez, o melhor atleta da Europa, apenas cedendo perante dois africanos: o "imbatível" El Guerrouj e outro atleta de grande classe mundial, Bernard Lagat:
- Hicham EL GUERROUJ (Marrocos) - 3:34.18
- Bernard LAGAT (Quénia) - 3:34.30
- Rui SILVA (Portugal) - 3:34.68
- Timothy KIPTANUI (Quénia) - 3:35.61
- Ivan HESHKO (Ucrânia) - 3:35.82
- Michael EAST (Grã-Bretanha) - 3:36.33
- Reyes ESTEVEZ (Espanha) - 3:36.63
- Gert-Jan LIEFERS (Holanda) - 3:37.17
A prova provada de que "filho de peixe sabe nadar": Sérgio Paulinho, nascido em 1980, é filho de um grande ciclista (Jacinto Paulinho), o qual se caracterizava pela sua combatividade e empenhamento, conseguindo quase sistematicamente, ano após ano, arrancar longas fugas (na maior parte das vezes solitárias), que o conduziram a sucessivas vitórias em etapas na Volta a Portugal.
Aos 24 anos, Sérgio ultrapassou já os feitos do pai: um dos melhores valores do ciclismo português, foi já medalhado internacionalmente a nível das camadas jovens; na Volta a Portugal, foi o vencedor do contra-relógio individual da etapa decisiva, posicionando-se nos primeiros 10 classificados na tabela geral final.
Demonstrando a fibra que herdou do pai, e à semelhança do que este regularmente fazia, o corajoso Sérgio Paulinho arrancou do pelotão, chegando a liderar durante largos quilómetros a dura prova de estrada de ciclismo dos Jogos Olímpicos, apenas com a companhia do italiano Paolo Bettini, que não podia superar no sprint final, dadas as diferentes características competitivas de ambos.
A classificação final da prova olímpica, que tão inesperada quanto justamente o consagrou como Vice-Campeão Olímpico (curiosamente, à frente de outro filho de um grande campeão ciclista, Eddy Merckx), foi a seguinte:
- Paolo BETTINI (Itália) - 5:41:44
- Sérgio PAULINHO (Portugal) - 5:41:45
- Axel MERCKX (Bélgica) - 5:41:52
- Erik ZABEL (Alemanha) - 5:41:56
- Andrej HAUPTMAN (Eslovénia) - 5:41:56
- Kim KIRCHEN (Luxemburgo) - 5:41:56
- Roger HAMMOND (Grã-Bretanha) - 5:41:56
- Frank HOJ (Dinamarca) - 5:41:56
Francis Obikwelu, nascido em Novembro de 1978 na Nigéria (portanto, ainda apenas com 25 anos), com 1,91 metros de altura, este "gigante" atleta começou a afirmar-se muito cedo, tendo-se sagrado campeão mundial de juniores em 1996 em 100m e 200m.
Após se ter estabelecido em Portugal em 1994 (com 16 anos - não regressando ao seu país de origem, na sequência de um campeonato do Mundo de Juniores então realizado em Lisboa), Francis Obikwelu participaria nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e Sidney (2000), ainda em representação da Nigéria.
Em 2001, ao fim de 7 anos de estadia em Portugal - tendo, na fase inicial dessa estadia, chegado a trabalhar na construção civil, antes de ser "descoberto" o seu talento para o atletismo, cuja carreira como senior viria a desenvolver integralmente no nosso país -, adquiriu a cidadania portuguesa.
Ao longo da sua carreira, conquistou já diversos lugares no pódio:
- Vice-Campeão Mundial na estafeta 4x100m (Nigéria), em 1997 (Atenas)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de 1999, em 200m (Sevilha)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de 1999, na estafeta 4x100 m, pela selecção da Nigéria (Sevilha)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de Pista coberta de 1997, em 200m (Paris)
- Vice-Campeão da Europa, em 100m (Munique)
- Vice-Campeão da Europa, em 200m (Munique)
- Vencedor da Taça do Mundo, em 200m, em 2002
Com a magnífica prestação na prova dos 100m, nos Jogos Olímpicos de Atenas, com uma excepcional "ponta final", Francis Obikwelu estabeleceu um fabuloso Record da Europa, com o excelente registo de 9.86s, uma das melhores marcas mundiais de todos os tempos (igualando a melhor marca alguma vez alcançada pelo "campeoníssimo" Carl Lewis, quando se sagrou Campeão e Recordista Mundial da distância em 1991), superando dois dos três norte-americanos em competição (o Campeão Olímpico de 2000 e o Campeão Olímpico de 200m em 2004), para se tornar Vice-Campeão Olímpico... por 1 centésimo de segundo (equivalente a 10 cm!!!):
- Justin GATLIN (EUA) - 9.85
- Francis OBIKWELU (Portugal) - 9.86
- Maurice GREENE (EUA) - 9.87
- Shawn CRAWFORD (EUA) - 9.89
- Asafa POWELL (Jamaica) - 9.94
- Kim COLLINS (St. Kitts & Nevis) - 10.00
- Obadele THOMPSON - Barbados - 10.10
- Aziz ZAKARI (Ghana) - Desistiu
Francis Obikwelu, assolado durante a época por lesões que impediram o seu normal treino para a prova em que tradicionalmente sempre se revelou mais forte (200m), acabaria por "quedar-se" na Final Olímpica desta prova pelo 5º lugar. Evidenciando a sua grande humildade, pediria desculpa aos portugueses por não ter conseguido "oferecer-nos" mais uma medalha...
Os Jogos Olímpicos de Atenas (Jogos da XXVIII Olimpíada) – acompanhados por uma audiência televisiva global de 4 biliões de espectadores – bateram records de participação: 11 099 atletas, provenientes de 202 países.
Em termos desportivos, foram também batidos records mundiais por 21 vezes (11 em halterofilia, 5 de natação, 3 em ciclismo, 1 em atletismo, 1 em tiro), para além de outros 15 records olímpicos (7 em natação, 4 em ciclismo, 3 em halterofilia e 1 em tiro)
Consagraram alguns grandes campeões, quais "deuses do Olimpo", que hoje aqui destaco (começando pelos medalhados nas provas de Natação, os quais beneficiam da participação em provas de diversas distâncias e estilos):
- Michael Phelps (EUA) – aos 19 anos, sagra-se como a maior figura destes Jogos Olímpicos, com um total de 8 medalhas: 6 de ouro (100 metros mariposa, 200 metros mariposa, 200 metros estilos, 400 metros estilos, Estafetas 4 x 100 metros estilos e 4 x 200 metros livres) e 2 de bronze (nos 200 metros livres e Estafeta 4 x 100 metros livres); tornando-se no atleta mais medalhado de sempre nuns Jogos Olímpicos (a par do ginasta soviético Alexander Dityatin, em 1980).
- Aaron Peirsol (EUA) - 3 medalhas de ouro, em 100 e 200 metros costas e Estafeta 4 x 100 metros estilos
- Ian Thorpe (Austrália) – um total de 4 medalhas: 2 medalhas de ouro (nos 200 metros e 400 metros livres), 1 de prata (Estafeta 4 x 200 metros livres) e 1 de bronze (100 metros livres)
- Kirsty Coventry (Zimbabwe) – 3 medalhas: 1 de ouro (200 metros costas), 1 de prata (100 metros costas) e 1 de bronze (200 metros estilos)
- Yana Klochkova (Rússia) – 2 medalhas de ouro, em 200 e 400 metros estilos
- Kosuke Kitajima (Japão) – 2 medalhas de ouro, nos 100 e 200 metros costas
- Pieter van den Hoogenband (Holanda) – 3 medalhas: ouro nos 100 metros livres, e duas de prata, nos 200 metros livres e na Estafeta 4 x 100 metros livres
- Otylia Jedrzejczak (Polónia) – 3 medalhas: 1 de ouro nos 200 metros mariposa e duas de prata, nos 100 metros mariposa e nos 400 metros livres
- Roland Mark Shoeman (África do Sul) – 3 medalhas: uma de ouro (Estafeta 4 x 100 metros livres), uma de prata (100 metros livres) e uma de bronze (50 metros livres)
- Inge de Bruijn (Holanda) – 3 medalhas: ouro nos 50 metros livres, prata nos 100 metros livres e bronze nos 100 metros mariposa
- Laure Manaudou (França) – 3 medalhas: ouro em 400 metros livres, prata em 800 metros livres e bronze em 100 metros costas.
Outros Campeões olímpicos que acumularam títulos ou medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas foram:
- Catalina Ponor (Roménia) – 3 medalhas de ouro em ginástica (1 por equipas)
- Paul Hamm (EUA) - 2 medalhas em ginástica: uma de ouro e uma de prata
- Carly Patterson (EUA) - 2 medalhas em ginástica: uma de ouro e uma de prata
- Nicolas Massu (Chile) – 2 medalhas de ouro em ténis (singulares e pares)
- Ryan Bayley (Austrália) – 2 medalhas de ouro em ciclismo
- Brad McGee (Austrália) – 2 medalhas em ciclismo: uma de ouro e uma de prata
- David Cal (Espanha) – 2 medalhas na canoagem: ouro nos 1 000 metros; prata nos 500 metros
- Leontien Zijlaard van Moorsel – 2 medalhas em ciclismo: ouro no contra-relógio individual e bronze na prova de perseguição
- Adam van Koeverden (Canadá) – 2 medalhas em canoagem: ouro nos 500 metros e bronze nos 1 000 metros
- Maria Grozdeva (Bulgária) – 2 medalhas no tiro: ouro na pistola a 25 metros e bronze na pistola a 10 metros
A "modalidade rainha" dos Jogos Olímpicos sempre foi, tradicionalmente, desde os Jogos da Grécia antiga, o Atletismo.
Em 2004, foram consagrados 8 "reis do Estádio", que acumularam com o título de Campeão Olímpico, ainda outra(s) medalha(s):
- Veronica Campbell (Jamaica) – 3 medalhas: 2 de ouro, nos 200 metros e na Estafeta 4 x 100 metros; bronze nos 100 metros
- Kelly Holmes (Grã-Bretanha) – 2 medalhas de ouro (800 m e 1500 m)
- Hicham El Guerrouj (Marrocos) – 2 medalhas de ouro (1500 m e 5 000m)
- Jeremy Wariner (EUA) - 2 medalhas de ouro: 400 metros e Estafeta 4 x 400 metros
- Justin Gatlin (EUA) - 3 medalhas: ouro nos 100 metros, prata na Estafeta 4 x 100 metros e bronze nos 200 metros
- Kenenisa Bekele (Etiópia) – 1 medalha de ouro (10000 m) e 1 medalha de prata (5000 m)
- Shawn Crawford (EUA) - 2 medalhas: ouro nos 200 metros e prata na Estafeta 4 x 100 metros
- Derrick Brew (EUA) - 2 medalhas: ouro na Estafeta 4 x 400 metros e bronze nos 400 metros.
A par do nadador norte-americano Michael Phelps, acabam por ser coroados como heróis maiores desta Olimpíada a britânica Kelly Holmes (a atingir a consagração máxima aos 34 anos de idade) e o marroquino Hicham El Guerrouj (repetindo o feito de Paavo Nurmi 80 anos atrás) - os únicos a conseguir bisar o título de Campeão Olímpico em provas individuais; eles que tanto o haviam visado sem nunca o ter alcançado em anteriores Olimpíadas.
Destaque particular ainda para o etíope Kenenisa Bekele, que, também em duas provas individuais, alcançou o ouro e a prata (sofrendo, na prova dos 5 000 metros, com este 2º lugar, o primeiro grande "revés" da sua carreira, demonstrando ser afinal um ser "humano", também com limitações e não imbatível, pese embora o potencial que vem confirmando e que poderão fazer dele o maior atleta de sempre).

Para quem teve oportunidade de acompanhar "in loco" os Jogos Olímpicos em Atenas, foi possível constatar um natural entusiasmo com as Olimpíadas - não no Torneio de Futebol, evidentemente... em que apenas a 1/2 final entre a Argentina e a Itália permitiu que o Estádio ficasse minimamente "composto" (com cerca de 30 000 espectadores); apesar de a Final ter ultrapassado os 40 000 espectadores, não chegou a alcançar uma ocupação de 2/3 do Estádio Olímpico.
E, todavia, o problema de "bilheteira" não foi exclusivo do futebol; durante a primeira semana dos Jogos, as audiências nos locais de provas eram fracas e só as provas de atletismo levaram os espectadores a afluir em massa ao renovado e bonito Estádio Olímpico.
Na minha deslocação à Grécia, tive oportunidade de visitar 4 das 5 "cidades olímpicas" (Atenas, Salónica, Heraklion e Patras - apenas não tendo visitado Volos); como já antes escrevi , nas cidades que albergaram o Torneio Olímpico de futebol, o "entusiasmo" pelo facto de poderem "viver" localmente os Jogos Olímpicos não foi muito significativo (apesar dos relativamente acessíveis preços dos bilhetes, entre 10 e 30 euros).
A sombra do "terrorismo" não deixou de se fazer sentir, com uma forte retracção de adeptos de países como os EUA e a Grã-Bretanha; seriam os italianos e brasileiros a assumir - a par dos gregos - a festa.
Porém, se na entrada para os recintos desportivos a segurança e controlo eram bastante "apertados", já nos transportes se assistia a uma dualidade de situações de difícil compreensão: controlo absoluto (com detectores de metais) na estação de comboios de Salónica e na estação de Atenas onde chegavam os comboios do Norte da Grécia; nenhum controlo na estação de Atenas - situada a 100 metros da primeira - que faz a ligação com o Oeste (Peloponeso) e Sul da Grécia.
Atenas foi uma cidade que "girou" nestas semanas em torno de dois núcleos olímpicos (o novo Complexo Olímpico, no qual se incluia o Estádio, na parte nordeste da cidade; o centro olímpico de Falira, na região do Pireu, a sudoeste da cidade), ambos enquadrando a região central de Plaka e da Acrópole (local de "peregrinação" de todas as comitivas, com os novos "deuses do Olimpo" a prestarem o seu tributo à história milenar da Grécia).

A circulação na cidade - de dimensões relativamente reduzidas - era bastante fácil, com os "autocarros olímpicos" e um sistema de metropolitano (sobretudo de superfície - apenas com 3 linhas), que, com facilidade e rapidez permitia o acesso às diversas áreas desportivas.
Nestas semanas, Atenas viveu naturalmente num ambiente de festa, num contexto quase "irreal", recuperando o seu ancestral estatuto de "centro do mundo".
Mas, no mundo mediatizado dos dias de hoje, os Jogos foram também um grande espectáculo televisivo, com os três canais estatais da televisão grega a apresentarem uma ininterrupta emissão "olímpica", de manhã à noite, vibrando com os feitos dos atletas gregos, com um novo "herói" / "deus do Olimpo" a cada dia.
A Grécia acabaria por registar uma excelente presença competitiva, com um total de 16 medalhas (6 das quais de ouro), mas a grande vitória foi - sublimada com a belíssima cerimónia de abertura - a demonstração de que um país "pequeno" foi capaz (apesar das "reticências do mundo") de organizar uns Jogos Olímpicos que, não sendo perfeitos, não deixaram de constituir motivo de orgulho para todos os gregos - num projecto mobilizador, envolvendo milhares de voluntários que, orgulhosamente, "passeavam os seus uniformes" pela cidade -, podendo constituir um exemplo para outros "pequenos países"...
No quadro final de medalhas dos Jogos Olímpicos, os países mais premiados foram (indicando-se, sucessivamente, as medalhas de ouro / prata / bronze - e o total de medalhas):
- EUA - 35 / 39 / 29 - 103
- China - 32 / 17 / 14 - 63
- Rússia - 27 / 27 / 38 - 92
- Austrália - 17 / 16 / 16 - 49
- Japão - 16 / 9 / 12 - 37
- Alemanha - 14 / 16 / 18 - 48
- França - 11 / 9 / 13 - 33
- Itália - 10 / 11 / 11 - 32
- Coreia do Sul - 9 / 12 / 9 - 30
- Grã-Bretanha - 9 / 9 / 12 - 30
- Cuba - 9 / 7 / 11 - 27
- Ucrânia - 9 / 5 / 9 - 23
- Hungria - 8 / 6 / 3 - 17
- Roménia - 8 / 5 / 6 - 19
- Grécia - 6 / 6 / 4 - 16
- Noruega - 5 / 0 / 1 - 6
- Países Baixos - 4 / 9 / 9 - 22
- Brasil - 4 / 3 / 3 - 10
- Suécia - 4 / 1 / 2 - 7
- Espanha - 3 / 11 / 5 - 19
...
Portugal - 0 / 2 / 1 - 3
De entre os 202 países participantes, só 75 obtiveram medalhas; apenas 57 países conseguiram a glória de ter um Campeão Olímpico, adquirindo o direito à medalha de ouro.
Portugal, 61º classificado na tabela hierarquizada em função das medalhas de ouro, posicionou-se, em termos de número de medalhas alcançadas, no 51º lugar - 13º país de entre os antigos 15 da União Europeia (à frente da Finlândia e Luxemburgo); 19º na nova "Europa a 25" (suplantando, relativamente aos novos membros da União Europeia, Eslovénia, Estónia, Chipre e Malta). No que respeita exclusivamente ao Atletismo, com a medalha de prata de Francis Obikwelu e a de bronze de Rui Silva, Portugal alcançou a 26ª posição.
Na tabela geral - que, inevitavelmente, reflecte um padrão global evolutivo em termos políticos e económicos dos últimos 15 anos -, os EUA mantêm o primeiro lugar, destacados em termos de número de medalhas, bastante "ameaçados" pela China no que respeita a medalhas de ouro; os chineses, com um forte investimento nos últimos anos (apostando em algumas modalidades "menos mediáticas"), alcançando o seu melhor resultado de sempre, preparam o ambicioso "assalto" ao primeiro lugar em Pequim, em 2008.
A Rússia experimenta algumas dificuldades em travar o "declínio", perdendo em particular no que respeita a títulos olímpicos (apesar da significativa recuperação nos 3 últimos dias dos Jogos, que lhe permitiu ultrapassar a Austrália e o Japão - bastante medalhados nos primeiros dias, respectivamente em natação e no judo), em que, pela primeira vez nos últimos 50 anos, não ocupa um dos dois primeiros lugares.
Embora não seja "legítimo" fazer a adição das medalhas dos países da ex-União Soviética (porque, ao participarem separadamente, multiplicam o número de atletas e, portanto, as hipóteses de medalhas), dessa adição das medalhas da Ucrânia, Bielorrussia, Geórgia, Uzbequistão, Cazaquistão, Lituânia, Azerbaijão, Letónia e Estónia, resultaria um total global de 147 medalhas, das quais 45 de ouro.
Analogamente, não sendo também "legítima" a adição das medalhas dos países da União Europeia, os 22 países medalhados (apenas o Chipre, Luxemburgo e Malta não alcançaram qualquer medalha) somaram um impressionante total de 286 medalhas, das quais 82 de ouro - isto, não obstante as maiores potências desportivas da União (Alemanha - em "queda", com o pior desempenho das últimas quatro décadas -, França, Itália e Grã-Bretanha) se encontrarem "bastante longe" dos países de topo.
Referência final para o bom pecúlio da Grécia (capitalizando o investimento associado ao facto de "jogar em casa"), Países Baixos e Espanha.
Os Jogos Olímpicos Atenas-2004 acabaram; vivam os Jogos Olímpicos!
