JOGOS OLÍMPICOS

Um pouco de História...


Num projecto concebido por Paulo Querido, com recolha de dados e textos preparada por mim, um breve historial das anteriores edições dos Jogos Olímpicos, numa apresentação com base nos cartazes oficiais.


1896 (Atenas)

Atenas - 1896

Um congresso realizado em Paris em Junho de 1894, sob a direcção de Pierre de Freddy – que viria a ser conhecido como Barão de Coubertin –, esteve na génese do relançamento dos Jogos Olímpicos, tendo por origem a fundação do Comité Olímpico Internacional.

1503 anos depois das últimas Olimpíadas (extintas no ano de 393 pelo Imperador Romano Teodósio, após 293 edições), o renascimento dos Jogos Olímpicos atraiu 241 atletas (homens) de 14 países, que, entre 6 e 15 de Abril de 1896, em Atenas – próximo do local histórico das Olimpíadas originais, em Olímpia –, disputaram 43 provas de 9 modalidades (Atletismo, Ciclismo, Esgrima, Ginástica, Levantamento de Pesos, Luta, Natação, Ténis e Tiro).

Precisamente a 6 de Abril de 1896, no Estádio Olímpico de Atenas, perante cerca de 80 000 espectadores, o americano James Connolly, ao vencer o Triplo-salto, tornou-se o primeiro Campeão Olímpico da Era Moderna, recebendo, pelo feito, uma medalha… de prata (seria ainda vice-campeão no Salto em altura, e 3º no Salto em comprimento). O alemão Karl Schumann conseguiria um lugar de honra em 4 provas diferentes.

Mas o herói dos Jogos, seria o grego Spiridon Louis, vencendo a Maratona, a prova que evocava o feito do soldado Phidipiddes que, no ano 490 A.C., levou aos Atenienses a notícia da vitória sobre os Persas, na Batalha de Maratona, não tendo, após ter percorrido os 42,195 km, e transmitido a notícia de que era mensageiro, resistido à exaustão.

O quadro final de medalhas registou a seguinte repartição (Ouro / Prata / Bronze):

1. EUA – 11 / 7 /2
2. Grécia – 10 / 17 / 19
3. Alemanha – 6 / 5 /2
4. França – 5 / 4 / 2
5. Grã-Bretanha – 2 / 3 / 2
6. Hungria – 2 / 1 / 3
7. Áustria – 2 / 1 / 2
8. Austrália – 2/ 0 / 0
9. Dinamarca – 1 / 2 / 3
10. Suíça – 1 / 2 / 0


1900 (Paris)

Paris - 1900

Os Jogos da II Olimpíada realizaram-se em Paris, inseridos na Exposição Universal Internacional de 1900 (que apresentavas as grandes inovações da época), abrangendo 24 países e 997 atletas tendo as 95 provas sido repartidas ao longo de um período de cinco meses (de 14 de Maio a 28 de Outubro), sem grande ênfase no seu estatuto olímpico (relegado para segundo plano, quase de uma forma "marginal" e algo anárquica), tendo sido, pela primeira vez, admitidas (22) mulheres (a primeira Campeã Olímpica seria Charlotte Cooper, da Grã-Bretanha, em Ténis).

Alvin Kraenzlein venceria quatro provas em 3 dias (60m, 110 e 200 metros barreiras e salto em comprimento) – record até hoje nunca batido –, enquanto que Ray Ewry se sagrava, a 16 de Julho de 1900, tri-Campeão Olímpico, vencendo 3 provas num só dia (Saltos em comprimento, altura e triplo). John Walter Tewksbury venceu os 200 metros, 400 metros barreiras, tendo sido segundo nas provas de 60 m e 100 m e 3º nos 200 metros barreiras).

No quadro de medalhas, destacam-se os 10 primeiros países:

1. França – 25 / 41 / 34
2. EUA – 19 / 14 / 14
3. Grã-Bretanha – 15 / 6 / 9
4. Suíça – 6 / 2 / 1
5. Bélgica – 5 / 5 / 5
6. Alemanha – 4 / 2 / 2
7. Itália – 2 / 1 / 0
8. Austrália – 2 / 0 / 3
9. Dinamarca – 1 / 3 / 2
10. Hungria – 1 / 3 / 2


1904 (St. Louis)

St. Louis - 1904

Os Jogos Olímpicos de 1904, realizados nos EUA, em St. Louis (apesar de inicialmente previstos para Chicago), decorreram de 1 de Julho a 23 de Novembro, também algo "perdidos" no meio da Feira Mundial, apenas com a participação de 12 países – o mais baixo número de sempre – e 645 atletas (apenas 6 mulheres). Das 91 provas do programa, apenas cerca de 40 incluíam atletas para além dos norte-americanos.

Estes Jogos foram também marcados por indignos "Dias antropológicos", com a "exibição" de homens de raça negra, índia, pigmeia, turca e mexicana, assim como por pouco enaltecedores concursos de cuspir tabaco.

Na verdade, as medalhas de ouro, prata e bronze, apenas nestas Olimpíadas seriam introduzidas. Dada a grande variedade de provas e concursos, o número de medalhas atribuídas foi enorme, premiando essencialmente os participantes americanos, em larguíssima maioria.

A grande figura dos Jogos seria o ginasta americano George Eyser, vencedor de 6 medalhas. O também americano Archie Hahn seria Campeão dos 60m, 100m e 200m, enquanto que Harry Hillman vencia os 400m e os 400m barreiras, proeza nunca mais repetida. Ray Ewry repetiria os triunfos de 1900 (saltos em altura, comprimento e triplo).

O quadro de medalhas foi assim distribuído:

1. EUA – 77 / 81 /78
2. Alemanha – 4 / 4 / 5
3. Cuba – 4 / 2 / 3
4. Canadá – 4 / 1 / 1
5. Hungria – 2 / 1 / 1
6. Grã-Bretanha – 1 / 1 / 0
7. Suíça – 1 / 0 / 1
8. Grécia – 1/ 0 / 1
9. Áustria – 0 / 0 / 1


1908 (Londres)

Londres - 1908

Os Jogos Olímpicos de 1908 estavam inicialmente previstos para Roma, tendo sido entretanto atribuídos a Londres (após a renúncia italiana, em 1906), decorrendo de 27 de Abril a 31 de Outubro – a mais longa duração de sempre, tendo as provas sido divididas em dois períodos, na Primavera e no Verão – tendo marcado a reabilitação do espírito do movimento olímpico, depois dos insucessos de 1900 e 1904, apesar de decorrerem também em paralelo com uma grande exposição franco-britânica.

Pela primeira vez, na Cerimónia de Abertura, os (2008) atletas desfilaram por país, inscritos em equipas nacionais, tendo participado no evento 22 nações, disputando 110 provas.

Os arqueiros William e Charlotte Dod tornaram-se os primeiros irmãos a conquistar medalhas olímpicas.

Oscar Swahn seria o mais velho concorrente a vencer a medalha de ouro, aos 60 anos, na prova de Tiro. Ray Ewry seria Campeão Olímpico de Salto em altura pela terceira vez, vencendo também o Salto em comprimento, tornando-se no único atleta na história a conquistar 8 medalhas de ouro em provas individuais.

A Maratona teria um final dramático: o italiano Dorando Pietri seria o primeiro a entrar no Estádio, depois de 42 km de corrida, mas chegaria cambaleante, em situação de colapso por 5 vezes na pista, vindo a ser desclassificado ao passar a meta apoiado em assistentes.

No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram os seguintes:

  1. Grã-Bretanha – 56 / 51 / 38
  2. EUA – 23 / 12 / 12
  3. Suécia – 8 / 6 /11
  4. França – 5 / 5 / 9
  5. Alemanha – 3 / 5 / 6
  6. Hungria – 3 / 4 / 2
  7. Canadá – 3 / 3 / 10
  8. Noruega – 2 / 3 / 3
  9. Itália – 2 / 2 / 0
  10. Bélgica – 1 / 5 / 2

1912 (Estocolmo)

Estocolmo - 1912

Contrariamente aos de 1900 e 1904, os Jogos de Estocolmo – realizados entre 5 de Maio e 27 de Julho de 1912 – revelaram uma boa organização, numa competição em que participaram 2 407 atletas de 28 países (pela primeira vez, representando os 5 Continentes), disputando 102 provas.

Estes Jogos foram caracterizados por longas provas de resistência, com os 320 km na prova de estrada de ciclismo a constituírem a prova mais longa da história das Olimpíadas; e com a meia-final da prova luta greco-romana a prolongar-se por 11 horas.

O finlandês Hannes Kohlemainen venceria três medalhas de ouro em provas de fundo (5 000 m – sendo o primeiro atleta a baixar da barreira dos 15 minutos –, 10 000 m e cross-country). Mas o maior herói dos Jogos seria o índio americano Jim Thorpe, Campeão do Pentatlo (vencendo as 5 provas) e do Decatlo, com um record mundial.

Inédito na história dos Jogos Olímpicos foi o facto de um presidente de um Comité Olímpico (da Áustria) ter conquistado a medalha de prata na prova de sabre (Esgrima).

Na sequência da fundação do Comité Olímpico Português, Portugal teria a sua primeira participação, com 6 atletas (Atletismo, Esgrima e Luta), a qual viria a ser tragicamente assinalada com a morte de Francisco Lázaro - considerado candidato à vitória na Maratona -, a 22 de Julho de 1912, vítima de insolação ao untar com sebo a cabeça, tapando os poros, impedindo a transpiração, quando percorrera já 32 km de prova.

No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:

  1. EUA – 25 / 19 / 12
  2. Suécia – 24 / 24 / 17
  3. Grã-Bretanha – 10 / 15 / 16
  4. Finlândia – 9 / 8 / 9
  5. França – 7 / 4 / 3
  6. Alemanha – 5 / 13 / 7
  7. África do Sul – 4 / 2 / 0
  8. Noruega – 4 / 1 / 4
  9. Hungria – 3 / 2 / 3
  10. Canadá – 3 / 2 / 3

1920 (Antuérpia)

Antuérpia - 1920

Os Jogos da VI Olimpíada estavam previstos para Berlim, em 1916, mas viriam a ser cancelados devido à I Guerra Mundial.

Os Jogos apenas seriam retomados em 1920, sendo atribuída a VII Olimpíada a Antuérpia, na Bélgica, honrando o sofrimento do país durante a Guerra. Decorreram de 20 de Abril a 12 de Setembro, com a participação de 2 626 atletas de 29 países, disputando 154 provas.

BandeiraPela primeira vez, foi introduzida a bandeira olímpica, com os 5 anéis de cores diferentes, simbolizando os 5 Continentes (Azul - Europa; Amarelo - Ásia; Preto - África; Verde - Oceania; Vermelho - América).

O italiano Nedo Nadi conseguiria conquistar 5 medalhas de ouro em Esgrima, enquanto que a americana Ethelda Bleibtrey venceria todas as 3 provas de natação, estabelecendo records mundiais em todas elas.

O mais velho medalhado da história dos Jogos Olímpicos seria o sueco Oscar Swahn, conquistando a medalha de prata, na prova de tiro, com a idade de 72 anos.

A prova de vela seria a primeira a ser realizada simultaneamente em dois países, iniciando-se na Bélgica, mas terminando na Holanda.

No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:

  1. EUA – 41 / 27 / 27
  2. Suécia – 19 / 20 / 25
  3. Grã-Bretanha – 16 / 15 / 13
  4. Finlândia – 15 / 10 / 9
  5. Bélgica – 14 / 11 / 11
  6. Noruega – 13 / 9 / 9
  7. Itália – 13 / 5 / 5
  8. França – 9 / 19 / 13
  9. Holanda – 4 / 2 / 5
  10. Dinamarca – 3 / 9 / 1

1924 (Paris)

Paris - 1924

Nos Jogos Olímpicos de 1924, regressando a competição a Paris, realizada de 4 de Maio a 27 de Julho, foi introduzido o lema "Citius, Altius, Fortius" (Mais Longe, Mais Alto, Mais Forte); pela primeira vez, na Cerimónia de Encerramento, seriam hasteadas três bandeiras: a do Comité Olímpico Internacional, a do país organizador e a do país organizador das Olimpíadas seguintes.

Participaram nos Jogos 3 089 atletas, com um acréscimo importante de países, de 29 para 44, sendo disputadas 126 provas.

A 20 de Julho de 1924, Johnny Weissmuller, dos EUA – que viria a ser imortalizado como o "Tarzan" –, conquistaria duas medalhas de ouro em provas de natação, para além da medalha de bronze em pólo aquático.

O finlandês Paavo Nurmi conquistaria 5 medalhas de ouro, acrescendo às 3 que conquistara já em 1920. Num só dia, 10 de Julho de 1924, começou por vencer a prova dos 1 500 metros; menos de 1 hora depois, venceria os 5 000 metros. Outro finlandês, Ville Ritola, alcançaria também 4 medalhas de ouro (3 000 metros obstáculos, 10 000 metros e, colectivamente, as provas de 3 000 m e de cross-country) e 2 de prata (5 000 m e cross-country).

Portugal (com 29 atletas participantes) conquistaria a sua primeira medalha, de bronze, por intermédio da equipa de Hipismo, no concurso de Obstáculos (Aníbal Borges de Almeida, Hélder de Sousa Martins, José Mouzinho de Albuquerque e Luís Cardoso Mendes).

No quadro de medalhas, os 10 primeiros países foram:

1. EUA – 45 / 27 / 27
2. Finlândia – 14 / 13 / 10
3. França – 13 / 15 / 10
4. Grã-Bretanha – 9 7 13 / 12
5. Itália – 8 / 3 / 5
6. Suíça – 7 / 8 / 10
7. Noruega – 5 / 2 / 3
8. Suécia – 4 / 13 / 12
9. Holanda – 4 / 1 / 5
10. Bélgica – 3 / 7 / 3

23. Portugal – 0 / 0 / 1


1928 (Amesterdão)

Amsterdam - 1928

Nos Jogos da IX Olimpíada, realizados de 17 de Maio a 12 de Agosto de 1924 em Amesterdão, pela primeira vez, a Grécia abriu o desfile de participantes (2 883) na Cerimónia de Abertura, cabendo ao país organizador, Holanda, fechar o desfile, no que viria a tornar-se o protocolo oficial. Também pela primeira vez, a "Chama Olímpica" foi instalada no topo do Estádio, ficando acesa durante a duração do evento.

Dos 46 países participantes, disputando 109 provas, 28 conquistariam medalhas de ouro, um record que perduraria durante 40 anos. Pela primeira vez, as mulheres participaram nas provas de atletismo e ginástica.

Estes Jogos marcariam também a estreia de um país asiático na conquista de medalhas de ouro, por intermédio dos japoneses Mikio Oda, Campeão Olímpico do Triplo-Salto, e de Yoshiyuki Tsuruta, Campeão dos 200 metros em natação, tendo também a Índia vencido a prova de Hóquei em Campo, de que seria, consecutivamente, 6 vezes Campeã, até 1960.

Também a Hungria iniciaria a conquista de 7 medalhas de ouro consecutivas na prova de sabre, em Esgrima.

John Weissmuller venceria novamente as provas de 100 m e 400 metros em Natação.

Portugal, com uma comitiva de 32 atletas, conseguiria uma nova medalha de bronze, na prova de Espada e Florete (Esgrima), com uma equipa constituída por Paulo d’ Eça Leal, Mário de Noronha, Jorge Paiva, Frederico Paredes, João Sasseti e Henrique da Silveira.

A equipa olímpica portuguesa de futebol, presente pela primeira vez – com a direcção técnica de Cândido de Oliveira e Ricardo Ornellas – alcançaria os ¼ final da prova, depois de vencer o Chile por 4-2 (primeira vitória portuguesa no estrangeiro) e a Jugoslávia por 2-1, perdendo o jogo de acesso às 1/2 finais com o Egipto por 1-2; o Campeão Olímpico de 1928 seria a Argentina.

Os países mais medalhados foram:

1. EUA – 22 / 18 / 16
2. Alemanha – 10 / 7 / 14
3. Finlândia – 8 / 8 / 9
4. Suécia – 7 / 6 / 12
5. Itália – 7 / 5 / 7
6. Suíça – 7 / 4 / 4
7. França – 6 / 10 / 5
8. Holanda – 6 / 9 / 4
9. Hungria – 4 / 5 / 0
10. Canadá – 4 / 4 / 7

33. Portugal – 0 / 0 / 1


1932 (Los Angeles)

Los Angeles - 1932

Após a França, os EUA foram o segundo país a repetir a organização dos Jogos Olímpicos; em 1932, seriam realizados em Los Angeles (depois de St. Louis em 1904).

Apesar de decorrerem logo após a Grande Depressão de 1929, com uma redução do número de participantes (1 332 atletas, de 37 países, disputando 118 provas), estes seriam os melhores Jogos até então realizados, com 18 records mundiais e com uma audiência de 100 000 espectadores na Cerimónia de Abertura.

Pela primeira vez, a duração dos Jogos foi estabelecida em cerca de 16 dias (de 30 de Julho a 14 de Agosto), a qual seria sensivelmente observada a partir de então. Os atletas foram, também pela primeira vez, instalados numa única "Vila Olímpica".

O japonês Kusuo Kitamura, ao vencer, aos 14 anos, a prova de Natação de 1 500 m, tornou-se no mais jovem Campeão Olímpico masculino de sempre.

O sueco Carl Westergren conquistaria três títulos olímpicos de Luta Greco-Romana, em diferentes divisões.

Portugal apenas participaria com uma diminuta equipa de 7 participantes, sem feitos desportivos a realçar.

No quadro de medalhas, os primeiros países foram:

1. EUA – 41 / 32 / 30
2. Itália – 12 / 12 / 12
3. França – 10 / 5 / 4
4. Suécia – 9 / 5 / 9
5. Japão – 7 / 7 / 4
6. Hungria – 6 / 4 / 5
7. Finlândia – 5 / 8 / 12
8. Grã-Bretanha – 4 / 7 / 5
9. Alemanha – 3 / 12 / 5
10. Austrália – 3 / 1 / 1


1936 (Berlim)

Berlim - 1936

As Olimpíadas de 1936, realizadas em Berlim, capital da Alemanha, entre 1 e 16 de Agosto de 1936, foram organizadas com um cuidado então inigualável em toda a história do desporto, visando demonstrar a superioridade da raça ariana, transformando a competição num evento político. Participaram 3 963 atletas de 49 países, disputando 129 provas.

Foi a partir de 1936 que se iniciou a que viria a ser a tradicional rota da chama olímpica, viajando desde Olímpia (na Grécia) até ao local dos Jogos. Os Jogos de Berlim foram também os primeiros a ser transmitidos por uma "espécie" de televisão (por via de écrans gigantes espalhados pela cidade)!

Foi também o ano de introdução de modalidades como o Andebol e o Basquetebol.

Curiosamente, seria um atleta negro, o norte-americano Jesse Owens, a destacar-se, ao conquistar 4 medalhas de ouro em provas de velocidade (100m, 200m, estafeta 4 x 100m) e salto em comprimento, obrigando Hitler a retirar-se do Estádio no momento da Cerimónia de entrega das medalhas.

A norte-americana Marjorie Gestring, de apenas 13 anos, seria Campeã Olímpica de saltos para a água, tornando-se na mais jovem Campeã da história das Olimpíadas. A mais nova medalhada de sempre seria a dinamarquesa Inge Sorensen que, aos 12 anos, obteve a medalha de bronze em Natação.

O remador britânico Jack Beresford, vencendo a medalha de ouro na prova de "Double Sculls" conseguia ser medalhado em 5 Jogos Olímpicos consecutivos (entre 1920 e 1936!).

Portugal obteria nova medalha de bronze, mais uma vez em Hipismo, no concurso de obstáculos por equipas, através de Luís Mena e Silva, Domingos de Sousa Coutinho e José Beltrão.

No quadro de medalhas, os países mais medalhados foram:

1. Alemanha – 33 / 26 / 30
2. EUA – 24 / 20 / 12
3. Hungria – 10 / 1 / 5
4. Itália – 8 / 9 / 5
5. Finlândia – 7 / 6 / 6
6. França – 7 / 6 / 6
7. Suécia – 6 / 5 / 9
8. Japão – 6 / 4 / 8
9. Holanda – 6 / 4 / 7
10. Grã-Bretanha – 4 / 7 / 3

30. Portugal – 0 / 0 / 1


1948 (Londres)

Londres - 1948

As XII e XIII Olimpíadas, que deveriam ter-se realizado em 1940 e 1944, acabariam por ser anuladas, devido à II Guerra Mundial.

Após uma interrupção de 12 anos, os Jogos da XIV Olimpíada seriam disputados em Londres, em 1948 (repetindo também a organização de 1908), de 29 de Julho a 14 de Agosto, com a participação de 4 104 atletas de 59 países, disputando 136 provas.

Os Jogos de 1948 seriam os primeiros a ser efectivamente transmitidos pela televisão, apesar de serem ainda poucos os ingleses com televisão em casa.

Ficaram também assinalados pela primeira presença dos "países comunistas", provenientes do bloco de leste, na sequência do fim da Guerra. Ao contrário, primaram pela ausência, grandes potências como a Alemanha, a URSS e o Japão.

A holandesa Fanny Blankers-Koen tornar-se-ia na primeira mulher a conquistar 4 medalhas de ouro numa única Olimpíada, vencendo os 100m, 200m, 80 m barreiras e estafeta. Apesar de ser também recordista mundial do salto em altura e do salto em comprimento, seria impedida pelo regulamento de participar em mais provas.

O norte-americano Bob Mathias, vencendo a prova do Decatlo com a idade de 17 anos, tornou-se no mais jovem desportista de sempre a vencer uma prova de atletismo nos Jogos Olímpicos.

Ilona Elek (Hungria) e Jan Brzak (Checoslováquia) conseguiriam revalidar os títulos olímpicos que tinham conquistado 12 anos em Berlim, tendo portanto (em teoria) perdido a possibilidade de vencer mais títulos, devido à não concretização das Olimpíadas de 1940 e 1944.

Portugal participou no evento com 47 atletas, conseguindo conquistar finalmente a sua primeira medalha de prata, por intermédio de Duarte Bello e Fernando Bello, na prova de Vela (classe "Swallow"). Alcançaria também a 4ª medalha de bronze do seu historial, no concurso de "Dressage" (Hipismo), por Francisco Valadas Jr. e Luís Mena e Silva (também já medalhado em 1936).

No quadro de medalhas, os primeiros países foram:

1. EUA – 38 / 27 / 19
2. Suécia – 16 / 11 / 17
3. França – 10 / 6 / 13
4. Hungria – 10 / 5 / 12
5. Itália – 8 / 11 / 8
6. Finlândia – 8 / 7 / 5
7. Turquia – 6 / 4 / 2
8. Checoslováquia – 6 / 2 / 3
9. Suíça – 5 / 10 / 5
10. Dinamarca – 5 / 7 / 8

26. Portugal – 0 / 1 / 1


1952 (Helsínquia)

Helsínquia - 1952

Em Helsínquia, em 1952 – de 19 de Julho a 3 de Agosto –, pela primeira vez na história, as duas super-potências, EUA e União Soviética (estreante), enfrentavam-se no campo desportivo, aumentando o número de atletas presentes para 4 955, representando 69 países, disputando 149 provas.

Estes Jogos Olímpicos marcam o regresso da Alemanha (cuja última presença anterior datava já de 1936), com uma equipa da República Federal Alemã (RFA). A República Democrática Alemã (RDA) não participaria ainda nestas Olimpíadas.

A equipa feminina de ginástica da URSS iniciaria aqui um domínio que se estenderia por um longo período de 40 anos, em que venceu sucessivamente todas as Olimpíadas… até o próprio país se desmembrar em diversas repúblicas independentes.

No Triplo-Salto, o Campeão Olímpico seria o brasileiro Ademar Ferreira da Silva, batendo então o record mundial.

Mas a grande figura dos Jogos seria o checoslovaco Emil Zatopek, conhecido como "Locomotiva Humana", que se tornou no único atleta de sempre a conseguir vencer – numa única edição dos Jogos Olímpicos – as corridas de 5 000 metros e 10 000 metros (com um intervalo de apenas 24 horas) e ainda a Maratona.

Portugal apresentaria a maior delegação de sempre até à data, com 73 atletas participantes, tendo obtido nova medalha de bronze (elevando o total geral das medalhas conquistadas para 5 de bronze e 1 de prata), por via de Joaquim Mascarenhas Fiúza e Francisco Rebelo de Andrade, na prova de Vela (classe "Star").

No quadro final de medalhas, destacaram-se os seguintes países:

1. EUA – 40 / 19 / 17
2. URSS – 22 / 30 / 19
3. Hungria – 16 / 10 / 16
4. Suécia – 12 / 13 / 10
5. Itália – 8 / 9 / 4
6. Checoslováquia – 7 / 3 / 3
7. França – 6 / 6 / 6
8. Finlândia – 6 / 3 / 13
9. Austrália – 6 / 2 /3
10. Noruega – 3 / 2 / 0

40. Portugal – 0 / 0 / 1


1956 (Melbourne)

Melbourne - 1956

Pela primeira vez na história, os Jogos da XVI Olimpíada foram realizados fora da Europa ou dos Estados Unidos, chegando ao hemisfério Sul, à Austrália (que derrotara a candidatura de Buenos Aires… por 1 voto!), onde 3 314 atletas, representando 72 países, disputaram 145 provas, de 22 de Novembro a 8 de Dezembro de 1956.

Dadas as restritivas leis australianas quanto ao período de quarentena de animais, pela primeira vez, as provas de hipismo tiveram de ser realizadas num outro país, no caso a Suécia, em Estocolmo (provas realizadas em Junho de 1956), na única vez, em 100 anos de história olímpica, em que a unidade no tempo e no espaço não foi respeitada.

Na sua segunda presença, a URSS assumiria a liderança mundial em termos de medalhas conquistadas, o que se tornaria uma quase constante até ao fim da sua existência como país unificado, apenas perdendo para os EUA em 1968 e (em número de medalhas de ouro) em 1964.

O atleta russo Vladimir Kutz ganharia as provas dos 5 000 e 10 000 metros. O húngaro Laszlo Papp tornou-se no primeiro pugilista a conquistar três medalhas de ouro.

Na ginástica, o ucraniano Viktor Chukarin venceu 5 medalhas, 3 das quais de ouro, elevando o seu total para 11 medalhas (sendo 7 de ouro). Por seu lado, a húngara Agnes Keleti, conquistando 4 medalhas de ouro e 2 de prata, atingia um total de 10 medalhas olímpicas.

A equipa norte-americana de Basquetebol exerceu tal supremacia que marcava cerca do dobro dos pontos dos adversários, vencendo todos os jogos por mais de 30 pontos de vantagem.

A jovem australiana Elizabeth "Betty" Cuthbert, ao vencer 3 medalhas de ouro (100m e 200m e estafeta 4 x 100m), tornou-se numa heroína nacional.

Portugal participaria com uma pequena delegação de 12 atletas, sem resultados desportivos de destaque.

No quadro de medalhas, os primeiros países foram:

1. URSS – 37 / 29 / 32
2. EUA – 32 / 25 / 17
3. Austrália – 13 / 8 / 14
4. Hungria – 9 / 10 / 7
5. Itália – 8 / 8 / 9
6. Suécia – 8 / 5 / 6
7. Alemanha (equipa unificada) – 6 / 13 / 7
8. Grã-Bretanha – 6 / 7 / 11
9. Roménia – 5 / 3 / 5
10. Japão – 4 / 10 / 5


1960 (Roma)

Roma - 1960

Os Jogos Olímpicos de 1960 ficaram marcados pela grandiosidade, assinalada com a construção de estádios, ginásios e da "vila olímpica". Decorreram de 25 de Agosto a 11 de Setembro de 1960, com a participação de 5 338 atletas, representando 83 países, disputando 150 provas.

O hino olímpico composto pelos gregos Spyros Samaras e Kostis Palamas para os I Jogos Olímpicos, tornou-se (64 anos depois) o hino oficial.

Uns Jogos que fizeram uso da monumental cidade de Roma, com as provas de Luta a serem realizadas onde, 2 000 anos antes, decorriam concursos de luta, as provas de Ginástica nos "Banhos de Caracalla" e com o termo da maratona no Arco de Constantino.

Foram os Jogos que projectaram Cassius Clay (posteriormente Muhammad Ali), Campeão Olímpico de Pugilismo.

O dinamarquês Paul Elvstrom venceria a medalha de ouro pela quarta vez consecutiva, na prova de Vela (Classe Finn), enquanto que o esgrimista húngaro Aladar Gerevich conquistava a sexta medalha de ouro na prova de Sabre por equipas, tal como o sueco Gert Fredricksson, também 6 vezes Campeão Olímpico em canoagem.

Depois de derrotada três vezes consecutivas na Final, a Jugoslávia, conquistaria finalmente o título de Campeã Olímpica em Futebol.

O ganês Ike Quartey, finalista na prova de pugilismo, tornou-se no primeiro africano negro a conquistar uma medalha olímpica (prata). Poucos dias depois, despontava Abebe Bikila, o etíope que corria descalço, sagrando-se o primeiro Campeão Olímpico da África negra, vencendo a prova da Maratona.

A jovem norte-americana Wilma Rudolph tornou-se na primeira atleta americana a vencer três medalhas de ouro (100m, 200m e estafeta 4 x 100m).

Portugal, com uma comitiva de 65 atletas, alcançou nova medalha de prata, também na prova de Vela (classe "Star"), por Mário Quina e José Manuel Quina.

O quadro de medalhas regista os seguintes países com mais lugares de honra nesta Olimpíada:

1. URSS – 43 / 29 / 31
2. EUA – 34 / 21 / 16
3. Itália – 13 / 10 / 13
4. Alemanha (equipa unificada) – 12 / 19 / 11
5. Austrália – 8 / 8 / 6
6. Turquia – 7 / 2 / 0
7. Hungria – 6 / 8 / 7
8. Japão – 4 / 7 / 7
9. Polónia – 4 / 6 / 11
10. Checoslováquia – 3 / 2 / 3

32. Portugal – 0 / 1 / 0


1964 (Tóquio)

Tóquio - 1964

Pela primeira vez, os Jogos Olímpicos foram disputados na Ásia, envolvendo 5 151 atletas, de 93 países, disputando 163 provas, entre 10 e 24 de Outubro de 1964, premiando o processo de reconstrução do Japão, devastado na sequência da II Guerra Mundial.

Nesta Olimpíada, foram introduzidas as modalidades de Judo e Voleibol (sendo esta a primeira modalidade com equipas femininas).

Um dos grandes heróis seria Bob Hayes, ao vencer a prova de 100 metros, com 10 segundos exactos, um record mundial. O também norte-americano Don Scholander conquistaria 4 medalhas de ouro em natação.

O etíope Abebe Bikila tornou-se no primeiro atleta a sagrar-se bi-Campeão Olímpico da Maratona, repetindo a vitória alcançada em Roma.

A ucraniana Larysa Latynina, conquistando medalhas atrás de medalhas, fixava a sua marca em 18 medalhas, das quais 9 (!) de ouro, um record olímpico.

O remador russo Vyacheslav Ivanov, o norte-americano Al Oerter (Lançamento do Disco) e a nadadora australiana Dawn Fraser tornavam-se tri-Campeões Olímpicos, em sucessivas Olimpíadas (elevando a última o número de medalhas conquistadas para 8: 4 de ouro e 4 de prata).

O húngaro Dezso Gyarmati, jogador de polo aquático, conseguiria conquistar a sua 5ª medalha concecutiva. O também húngaro Imre Polyak (Luta greco-romana), depois de três medalhas de prata nas Olimpíadas anteriores (desde 1952), sagrou-se finalmente Campeão Olímpico.

Portugal fez-se representar por uma pequena comitiva de 20 atletas, destacando-se o 4º lugar alcançado por Manuel Oliveira na prova dos 3 000 metros obstáculos.

No quadro de medalhas, os primeiros países foram:

1. EUA -36 / 26 / 28
2. URSS – 30 / 31 / 35
3. Japão – 16 / 5 / 8
4. Alemanha (equipa unificada) – 10 / 22 / 18
5. Itália – 10 / 10 / 7
6. Hungria – 10 / 7 / 5
7. Polónia – 7 / 6 / 10
8. Austrália – 6 / 2 / 10
9. Checoslováquia – 5 / 6 / 3
10. Grã-Bretanha – 4 / 12 / 2


1968 (México)

México - 1968

Em 1968, na Cidade do México, nos Jogos da XIX Olimpíada, um novo record de participantes (5 516 atletas), representando 112 países, disputando 172 provas, num evento que decorreu entre 12 e 27 de Outubro.

Os Jogos Olímpicos de 1968 marcam a estreia da que viria a tornar-se numa nova grande potência desportiva mundial - até ao seu desaparecimento enquanto país independente -, a República Democrática Alemã (RDA).

Nestes Jogos, realizados a 2 260 metros de altitude, o ar rarefeito (menos 30 % do que ao nível do mar), ao mesmo tempo que limita a resistência, potencia o desempenho em provas rápidas, o que permitiu resultados excepcionais, com 88 records (nomeadamente em todas as provas de atletismo de extensão abaixo dos 800 metros), destacando-se os 8,90 m do americano Bob Beamon no Salto em comprimento (record mundial que perduraria durante mais de 20 anos, sendo ainda record olímpico, quase 4 décadas depois), os 9,9 segundos do também americano Jim Hines nos 100 metros e os 17,39 metros do soviético Viktor Saneev no Triplo-Salto.

A ginasta checoslovaca Vera Caslavska conquistaria quatro medalhas de ouro e duas de prata.

O norte-americano Al Oerter venceria a prova de Lançamento do Disco pela quarta vez. O também americano e até então desconhecido Dick Fosbury tornar-se-ia mundialmente famoso ao introduzir uma radical inovação na técnica de transposição da fasquia no salto em altura, que viria a ficar conhecido como o "Fosbury Flop", em que atacava a fasquia de costas, em vez do tradicional sistema de "rolamento ventral", que singraria, proporcionando-lhe a vitória olímpica e vindo a ser adoptado de forma generalizada a partir de então (o último campeão a ter êxito com o antigo sistema seria Gerd Wessig, o alemão de leste vencedor dos Jogos Olímpicos de 1980, já então uma excepção no uso dessa técnica de salto, a par da sua compatriota Rose Marie Ackermann).

Portugal, mais uma vez representado com uma pequena delegação, de 20 atletas, não alcançaria qualquer resultado de destaque.

No quadro de medalhas, os países mais medalhados foram os seguintes:

  1. EUA – 45 / 28 / 34
  2. URSS – 29 / 32 / 30
  3. Japão – 11 / 7 / 7
  4. Hungria – 10 / 10 / 12
  5. RDA – 9 / 9 / 7
  6. França – 7 / 3 / 5
  7. Checoslováquia – 7 / 2 / 4
  8. RFA – 5 / 11 / 10
  9. Austrália – 5 / 7 / 5
  10. Grã-Bretanha – 5 / 5 / 3

1972 (Munique)

Munique - 1972

O record de participantes ia sendo sucessivamente batido, de Olimpíada para Olimpíada: em 1972, nos Jogos da XX Olimpíada, realizados de 26 de Agosto a 11 de Setembro, 7 134 atletas, de 121 países, disputaram 195 provas.

A tradição pacificadora dos Jogos Olímpicos seria abrupta e tragicamente interrompida em 1972, a 5 de Setembro, quando terroristas palestinos da organização "Setembro Negro" invadiram os aposentos da delegação de Israel, saldando-se o ataque com a morte de 11 atletas e dos 5 terroristas, abatidos pela polícia alemã. Os Jogos seriam suspensos por 34 horas, até à deliberação do Presidente do Comité Olímpico Internacional de que "The Games must go on", embora com as bandeiras de todos os países participantes a meia-haste.

Depois de 36 anos de ausência, a Alemanha voltava (tal como em 1936) a integrar o Andebol como modalidade olímpica.

Os Jogos de 1972 foram os primeiros a ter uma mascote oficial. A mascote não oficial seria contudo a ginasta russa Olga Korbut, vencendo a prova por equipas, falhando na prova individual, mas acabando por vencer as provas por aparelhos.

O grande herói desta Olimpíada seria o nadador americano Mark Spitz, somando 7 medalhas de ouro às duas que conquistara já na Cidade do México.

O finlandês Lasse Viren, apesar de ter caído a meio da final dos 10 000 metros, conseguiria, ainda assim, estabelecer um novo record mundial, conquistando a primeira das suas 4 medalhas de ouro (duas em 1972 e duas em 1976, nos 5 000 m e 10 000 m).

A nadadora australiana Shane Gould alcançaria três medalhas de ouro, estabelecendo 3 records mundiais; conquistaria ainda mais uma medalha de prata e outra de bronze.

Portugal participaria com uma delegação de 29 atletas, não registando resultados de realce; na sua primeira participação olímpica, o futuro Campeão Olímpico Carlos Lopes não teria sucesso.

Os países que conquistaram mais medalhas foram os seguintes:

1. URSS – 50 / 27 / 22
2. EUA – 33 / 31 / 30
3. RDA – 20 / 23 / 23
4. RFA – 13 / 11 / 16
5. Japão – 13 / 8 / 8
6. Austrália – 8 / 7 / 2
7. Polónia – 7 / 5 / 9
8. Hungria – 6 / 13 / 16
9. Bulgária – 6 / 10 / 5
10. Itália – 5 / 3 / 10


1976 (Montreal)

Montreal - 1976

Os Jogos Olímpicos de Montreal ficariam marcados pelo boicote dos países africanos, em protesto contra o facto de a equipa de râguebi da Nova Zelândia ter feito uma digressão pela África do Sul, e isto em contestação ao regime político de apartheid deste país africano.

O número de participantes reduziu-se consequentemente para 6 084 atletas, representando 92 países, disputando 198 provas, entre 17 de Julho e 1 de Agosto.

Pela primeira vez, disputaram-se competições femininas de Andebol e Basquetebol.

O símbolo maior destes Jogos seria a ginasta romena Nadia Comaneci, de 14 anos, alcançando, pela primeira vez na história da ginástica, na prova de Paralelas Assimétricas, a nota máxima (10), traduzindo a "perfeição" (que repetiria por mais seis vezes), e que obrigaria a uma revisão da tabela de pontuação, com um acréscimo do grau de dificuldade dos exercícios obrigatórios. Esta seria a minha primeira "memória viva" de uns Jogos Olímpicos.

O italiano Klaus Dibiasi conquistava a terceira medalha de ouro consecutiva na prova de Saltos para a água, sagrando-se também o georgiano Viktor Saneyev (URSS) tri-Campeão Olímpico do Triplo-Salto.

A polaca Irena Szewinska alcançava a sua sétima medalha, em 5 provas diferentes. O cubano Alberto Juantorena conseguiria, pela primeira vez na história, uma dupla vitória nos 400 m e 800 m.

O húngaro Miklos Németh tornou-se no primeiro filho de um Campeão Olímpico a conquistar também a medalha de ouro olímpica, no Lançamento do Dardo; o pai, Imre, vencera a prova de Lançamento do Martelo em 1948.

Carlos Lopes, Campeão Mundial de Cross, fez sonhar os portugueses, mas na última volta das 25 que integram os 10 000 metros, o finlandês Lasse Viren, que sempre seguira na peugada do português, arrebataria nova medalha de ouro, relegando Carlos Lopes para o segundo lugar e correspondente medalha de prata - 8 anos depois, Carlos Lopes viria a confessar que, durante muito tempo, "se sentiu perseguido pela passada de Lasse Viren, qual fantasma sempre atrás de si, que finalmente tinha exorcizado".

Com uma pequena comitiva de apenas 19 atletas, Portugal conquistaria uma outra, e surpreendente, medalha de prata, por Armando Marques, no Tiro - Fosso Olímpico.

Na tabela geral de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:

  1. URSS – 49 / 41 / 35
  2. RDA – 40 / 25 / 25
  3. EUA – 34 / 35 / 25
  4. RFA – 10 / 12 / 17
  5. Japão – 9 / 6 / 10
  6. Polónia – 7 / 6 / 13
  7. Bulgária – 6 / 9 / 7
  8. Cuba – 6 / 4 / 3
  9. Roménia – 4 / 9 / 14
  10. Hungria – 4 / 5 / 13

  11. Portugal – 0 / 2 / 0

1980 (Moscovo)

Moscovo - 1980

Como grande manifestação universal, a política começou a ter um campo de intervenção nos Jogos Olímpicos, assistindo-se a novo boicote, liderado pelos EUA, seguido por diversos países ocidentais, em protesto contra a ocupação soviética do Afeganistão.

Nestes Jogos, da XXII Olimpíada, reduziu-se portanto o número de atletas participantes a 5 179, representando apenas 80 países (o menor número desde 1956), disputando 203 provas, entre 19 de Julho e 3 de Agosto.

Não obstante, a União Soviética faria um grandioso investimento, estimado em cerca de 3 000 milhões de dólares, dispondo de 68 estádios, 230 pavilhões de ginástica, 23 piscinas olímpicas e ainda outros 110 campos de futebol.

Um domínio avassalador da URSS (maior número de medalhas conquistadas de sempre), com apenas um único país a "dar alguma réplica", a RDA.

O soviético Aleksandr Dityatin, alcançando medalhas em todas as provas de ginástica, tornou-se no único atleta de sempre a conseguir 8 (!) títulos de Campeão Olímpico numa única Olimpíada.

O pugilista cubano Teófilo Stevenson tornou-se no primeiro a conquistar três medalhas de ouro em Olimpíadas sucessivas. O nadador soviético Vladimir Salnikov venceria também três medalhas de ouro, mas nesta Olimpíada, tornando-se o primeiro homem de sempre a nadar os 1 500 metros em menos de 15 minutos (viria a repetir o triunfo 8 anos depois, em Seoul).

Os Jogos ficaram também marcados pela intensa rivalidade entre os britânicos Steve Ovett e Sebastian Coe, que repartiriam entre si as vitórias nas provas de 800 m e 1 500 m – apesar de serem respectivamente recordistas mundiais das provas em que… acabaram por não vencer.

Portugal apresentaria uma das mais reduzidas comitivas de sempre, apenas com 11 atletas, sem resultados a destacar.

Os países com mais medalhas foram os seguintes:

1. URSS – 80 / 69 / 46
2. RDA – 47 / 37 / 42
3. Bulgária – 8 / 16 / 17
4. Cuba – 8 / 7 / 5
5. Itália – 8 / 3 / 4
6. Hungria – 7 / 10 / 15
7. Roménia – 6 / 6 / 13
8. França – 6 / 5 / 3
9. Grã-Bretanha – 5 / 7 / 9
10. Polónia – 3 / 14 / 15


1984 (Los Angeles)

Los Angeles - 1984

No regresso dos Jogos a Los Angeles (52 anos depois), pela primeira vez (na sua XXIII edição da Era Moderna) foram realizados sem qualquer financiamento oficial do Estado, sendo patrocinados por instituições privadas, tendo a cadeia de televisão ABC pago 325 milhões de dólares pelos direitos de exclusividade.

A Cerimónia de Abertura foi um espectáculo dentro do grande espectáculo, com uma mega-produção "hollywoodesca".

E continuou o boicote, desta vez dos países do bloco comunista, à excepção da Roménia e com a China a fazer a sua estreia.

Ainda assim, seria estabelecido um novo record de países participantes (140), reunindo um total de 6 829 atletas, disputando 221 provas, entre 28 de Julho e 12 de Agosto.

O herói desta Olimpíada seria Carl Lewis, que, com 4 medalhas de ouro (100m, 200m, estafeta 4 x 100m e salto em comprimento), repetia o feito de Jesse Owens de 48 anos antes.

Carlos Lopes - Campeão Olímpico da MaratonaO remador Pertti Karppinen venceria a prova de individual de "Sculls" pela terceira vez, enquanto que Sebastian Coe se tornava no primeiro atleta de sempre a repetir o título olímpico dos 1 500 metros.

Medalha de ouroPortugal, com uma comitiva de 39 atletas, conquistaria a sua primeira medalha de ouro de sempre nas Olimpíadas, com Carlos Lopes a sagrar-se Campeão Olímpico da Maratona, numa histórica madrugada, percorrendo os 42,195 km da prova em 2h09m21s, ainda hoje (mais de 20 anos decorridos), record olímpico!

Na que seria a melhor participação de sempre de Portugal até hoje, também Rosa Mota e António Leitão, conquistariam medalhas, de bronze, respectivamente nas provas da Maratona feminina (a primeira da história dos Jogos, vencida pela americana Joan Benoît) e dos 5 000 metros.

Na tabela de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:

1. EUA – 83 / 61 / 30
2. Roménia – 20 / 16 / 17
3. RFA – 17 / 19 / 23
4. China – 15 / 8 / 9
5. Itália – 14 / 6 / 12
6. Canadá – 10 / 18 / 16
7. Japão – 10 / 8 / 14
8. N. Zelândia – 8 / 1 / 2
9. Jugoslávia – 7 / 4 / 7
10. Coreia do Sul – 6 / 6 / 7

23. Portugal – 1 / 0 / 2


1988 (Seoul)

Seoul - 1988

Cerca de 8 391 atletas, de 159 países, fizeram dos Jogos de Seoul – finalmente sem boicotes – os maiores de todos os tempos, com a disputa de 237 provas, entre 17 de Setembro e 2 de Outubro.

Esta Olimpíada ficaria marcada pelo record mundial e quase imediata desclassificação de Ben Johnson, na prova de 100 metros, vindo a medalha de ouro a ser atribuída a Carl Lewis, por análise positiva de Johnson no controlo anti-doping.

A ciclista Christa Luding-Rothenburger tornar-se-ia na primeira atleta de sempre a conseguir alcançar medalhas nos Jogos de Olímpicos de Verão e de Inverno no mesmo ano (depois de ter sido já medalhada na prova de velocidade de patinagem no gelo).

No regresso do Ténis aos Jogos Olímpicos, depois de uma longa ausência, a tenista Steffi Graf, após ter ganho já os 4 torneios do Grand Slam (Austrália, Roland-Garros, Wimbledon e EUA), culminaria a época com a conquista do título olímpico.

Medalha de ouroOs americanos Matt Biondi, Greg Louganis e Florence Griffith-Joyner marcariam também esta Olimpíada, com o primeiro a alcançar 7 medalhas (5 de ouro) em provas de natação; o segundo, a conseguir repetir as duas medalhas de ouro nas provas de Saltos para a Água (tal como em 1984); e com a última a estabelecer inacessíveis records de velocidade em atletismo (100m e 200m).

Portugal participaria com 65 atletas, conseguindo Rosa Mota, também na prova da Maratona, conquistar a segunda medalha de ouro para Portugal, sagrando-se a primeira mulher portuguesa Campeã Olímpica.

No quadro de medalhas, os países mais bem colocados foram:

1. URSS – 55 / 31 / 46
2. RDA – 37 / 35 / 30
3. EUA – 36 / 31 / 27
4. Coreia do Sul – 12 / 10 / 11
5. RFA – 11 / 14 / 15
6. Hungria – 11 / 6 / 6
7. Bulgária – 10 7 12 / 13
8. Roménia – 7 / 11 / 6
9. França – 6 / 4 / 6
10. Itália – 6 / 4 / 4

29. Portugal – 1 / 0 / 0


1992 (Barcelona)

Barcelona - 1992

Nesta XXV Olimpíada, seria estabelecido novo record de participantes, com 9 356 atletas, representando 169 países, disputando 257 provas, entre 25 de Julho e 9 de Agosto de 1992.

Foram os jogos da abertura ao profissionalismo, com os EUA a apresentarem, no Basquetebol, um verdadeiro "Dream Team", com Magic Johnson, Michael Jordan, Larry Bird e Charles Barkley, entre outros. A equipa americana "arrasaria" todos os competidores – com uma média de 117 pontos por jogo, nos 8 jogos disputados –, vencendo sem dificuldade a medalha de ouro.

O ginasta soviético Vitaly Scherbo – agora já em representação da denominada "Comunidade de Estados Independentes", na sequência do colapso político da União Soviética –, conquistaria 6 medalhas de ouro, 4 delas num único dia.

A etíope Derartu Tulu, vencendo a prova de 10 000 metros, tornou-se a primeira africana negra a sagrar-se Campeã Olímpica, comemorando o título com a vice-campeã, a sul-africana branca Elana Meyer, numa volta de honra de grande simbolismo para África e para o mundo.

Portugal, apesar de participar com a maior comitiva de sempre (89 atletas), não alcançaria qualquer resultado de realce, numa presença frustrante.

Os países / equipas que conquistaram mais medalhas foram os seguintes:

1. Confederação de Estados Independentes (ex-URSS) – 45 / 38 / 29
2. EUA – 37 / 34 / 37
3. Alemanha – 33 / 21 / 28
4. China – 16 / 22 / 16
5. Cuba – 14 / 6 / 11
6. Espanha – 13 / 7 / 2
7. Coreia do Sul – 12 / 5 / 12
8. Hungria – 11 / 12 / 7
9. França – 8 / 5 / 16
10. Austrália – 7 / 9 / 11


1996 (Atlanta)

Atlanta - 1996

Os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, comemorando o centenário das Olimpíadas da Era Moderna, prometiam ser os melhores da história da existência das Olimpíadas.

De record em record, foi ultrapassada a barreira dos 10 000 atletas; no total, 10 318 atletas, representando 197 países, disputaram 271 provas, entre 19 de Julho e 4 de Agosto de 1996.

Outro record foi o de número de países medalhados, 79 no total, com 53 países a conquistarem títulos olímpicos, também consequência do desmembramento da União Soviética, com o surgimento de novas potências desportivas, com destaque para a Rússia, Ucrânia e Bielorrussia.

O americano Carl Lewis tornou-se no único atleta a vencer a mesma prova por 4 vezes consecutivas, sendo o quarto atleta a alcançar um total de 9 medalhas de ouro. Por seu lado, o também americano Michael Johnson esmagou o record mundial dos 200 m, vencendo ainda, também, a prova dos 400 metros.

O turco Naim Suleymanoglu conseguiria ser o primeiro halterofilista a conquistar a terceira medalha de ouro olímpica.

Passados 68 anos, Portugal voltou a participar com uma equipa de futebol nos Jogos Olímpicos, dirigida por Nelo Vingada, Agostinho Oliveira e António Simões. A equipa portuguesa começaria por vencer a Tunísia por 2-0 (dois golos de Afonso Martins), empatando depois a 1-1 com a Argentina (golo de Nuno Gomes) e com os EUA (golo de Paulo Alves), apurando-se (juntamente com a Argentina) para a fase seguinte da prova.

Nos ¼ final, Portugal venceria a França por 2-1, com um "golo de ouro" de Calado. Nas ½ finais, Portugal voltou a encontrar a Argentina, mas, desta vez, perderia por 0-2, ficando assim afastado da Final. Na disputa da medalha de bronze, a equipa portuguesa acabaria por sofrer uma pesada derrota frente ao Brasil, por 0-5. O Campeão Olímpico viria a ser a Nigéria, no primeiro grande título de futebol para o continente Africano.

Atlanta - 1996Numa boa presença olímpica, Portugal conseguiria a terceira medalha de ouro da sua história, com Fernanda Ribeiro a sagrar-se Campeã Olímpica dos 10 000 metros. A dupla Nuno Barreto / Hugo Rocha conquistaria a medalha de bronze na prova de vela, na classe 470.

Carla Sacramento (4º lugar nos 1 500 metros) e a dupla de voleibol de praia, formada por João Brenha e Miguel Maia, também relegados para o 4º lugar, perderiam ingloriamente a medalha que… esteve tão próxima.

No quadro de medalhas, os primeiros países foram os seguintes:

1. EUA – 44 / 32 / 25
2. Rússia – 26 / 21 / 16
3. Alemanha – 20 / 18 / 27
4. China – 16 / 22 / 12
5. França – 15 / 7 / 15
6. Itália – 13 / 10 / 12
7. Austrália – 9 / 9 / 23
8. Cuba – 9 / 8 / 8
9. Ucrânia – 9 / 2 / 12
10. Coreia do Sul – 7 / 15 / 5

47. Portugal – 1 / 0 / 1


2000 (Sidney)

Sidney - 2000

As Olimpíadas mais concorridas de sempre: 10 651 atletas, de 199 países, disputando 300 provas, entre 15 de Setembro e 1 de Outubro de 2000.

A atleta norte-americana Marion Jones conseguiu ser a primeira mulher de sempre a obter 5 medalhas na mesma Olimpíada (Campeã Olímpica dos 100m, 200m e estafeta 4 x 400m, alcançando ainda 2 medalhas de bronze, nas provas de salto em comprimento e estafeta 4 x 100m).

O remador Steven Redgrave tornou-se no primeiro a conquistar quatro medalhas de ouro, em 5 Olimpíadas.

O jovem nadador australiano Ian Thorpe, de apenas 17 anos, venceu três medalhas de ouro e uma de prata.

Birgit Fischer, ao vencer duas medalhas de ouro em provas de Canoagem tornou-se a primeira mulher da história a conseguir ganhar medalhas com um intervalo de 20 anos.

O judoca Ryoko Tamura, depois de perder as finais das provas de Barcelona e Atlanta, conseguiria vencer o título olímpico em Sidney.

Portugal participou com 61 atletas, conseguindo mais duas medalhas de bronze, por intermédio de Fernanda Ribeiro (10 000 m) e Nuno Delgado, na prova de Judo (- 81 kg).

A dupla de voleibol de praia, Miguel Maia e João Brenha repetiria o 4º lugar da Olimpíada anterior; Álvaro Marinho e Miguel Nunes terminariam em 5º lugar a prova de Vela (Classe 470), depois de terem chegado a ocupar "posições medalháveis".

No cômputo geral, no somatório de todas as suas participações olímpicas, os atletas portugueses conseguiram conquistar 3 medalhas de ouro, 4 de prata e 10 de bronze.

No quadro final de medalhas, os países com mais medalhas obtidas foram os seguintes:

1. EUA – 40 / 24 / 33
2. Rússia – 32 / 28 / 28
3. China – 28 / 16 / 15
4. Austrália – 16 / 25 / 17
5. Alemanha – 13 / 17 / 26
6. França – 13 / 14 / 11
7. Itália – 13 / 8 / 13
8. Holanda – 12 / 9 / 4
9. Cuba – 11 / 11 / 7
10. Grã-Bretanha – 11 / 10 / 7
11. Roménia – 11 / 6 / 8
12. Coreia do Sul – 8 / 10 / 10
13. Hungria – 8 / 6 / 3
14. Polónia – 6 / 5 / 3
15. Japão – 5 / 8 / 5
16. Bulgária – 5 / 6 / 2
17. Grécia – 4 / 6 / 3
18. Suécia – 4 / 5 / 3
19. Noruega – 4 / 3 / 3
20. Etiópia – 4 / 1 / 3
21. Ucrânia – 3 / 10 / 10
22. Cazaquistão – 3 / 4 / 0
23. Bielorrussia – 3 / 3 / 11
24. Canadá – 3 / 3 / 8
25. Espanha – 3 / 3 / 5
26. Turquia – 3 / 0 / 2
27. Irão – 3 / 0 / 1
28. R. Checa – 2 / 3 / 3
29. Quénia – 2 / 3 / 2
30. Dinamarca – 2 / 3 / 1

68. Portugal – 0 / 0 / 2


2004 (Atenas)

Atenas - 2004

A Grécia foi o berço das Olimpíadas originais da antiguidade, tendo celebrado também os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896.

108 anos depois, os Jogos Olímpicos regressam a casa, com a realização dos Jogos da XVIII Olimpíada, depois de Atenas ter conseguido suplantar as candidaturas de Buenos Aires, Cape Town, Roma e Estocolmo.

Ao longo de 16 dias (entre 13 e 29 de Agosto – efectivamente, com o torneio de Futebol a ter início a 11 de Agosto), em 28 modalidades desportivas, são disputadas - em cinco cidades gregas: Atenas, Salónica, Heraklion, Patras e Volos - 301 provas, com mais de 10 500 atletas, representando 201 Comités Olímpicos Nacionais.

Portugal participou com uma delegação de cerca de 80 atletas, a terceira maior de sempre.


E, começando pelo mais negativo, sobre a desastrada presença da selecção portuguesa de futebol neste Torneio Olímpico, é importante reter que não se trata de "uma campanha para esquecer", mas antes de "uma campanha para relembrar... e não repetir!".

Tal como no EURO2004, Portugal termina os Jogos Olímpicos como segunda melhor equipa da Europa (apenas atrás da Itália... e, desta vez, "à frente" da Grécia!); porém, sem qualquer glória e com muito pouca honra (entre os 16 participantes, Portugal, Grécia e Sérvia terminariam nos três últimos lugares da prova!).

Não deixa de ser irónico que o Paraguai, a quem Portugal bateu clamorosamente na semana anterior aos Jogos Olímpicos (por rotundos 5-0) tenha atingido a Final da competição, sagrando-se Vice-Campeão Olímpico! Portugal desperdiçou claramente esta medalha...

Em termos mais gerais, os fracos resultados das selecções europeias não deveriam deixar de constituir base de reflexão por parte da FIFA e da UEFA, nomeadamente sobre a forma de disputa da prova (equipas "sub-23" anos), uma vez que a mesma acabaria por resultar em (muito) fracas assistências (sobretudo justificadas pela reduzida mobilização de espectadores dos países participantes, o que automaticamente retira parte do "colorido à festa").

Dado encontrar-me em viagem de Atenas para Creta, não tive oportunidade de acompanhar a estreia da equipa portuguesa, contra o Iraque.

De qualquer forma, parece evidente que a selecção portuguesa, com os "pergaminhos" que tem a defender (uma equipa que, para atingir os Jogos Olímpicos, teve de afastar, sucessivamente, grandes potências como a Inglaterra, França e Alemanha - sempre com vitórias no terreno do adversário!) e com o grau de profissionalismo que a caracteriza (com jogadores das melhores equipas da Europa, como o Manchester United, Chelsea, Stuttgart, para além de FC Porto, Sporting e Benfica) "não pode" sofrer 4 (!) golos de uma desconhecida e "amadora" selecção do Iraque...

E as coisas até tinham começado bem, com o golo logo nos primeiros 15 minutos, marcado pelo adversário na própria baliza. Mas foi "sol de pouca dura": rapidamente os iraquianos "deram a volta ao resultado".

Tendo alcançado o empate a 2 golos ainda antes do intervalo, é dificil compreender o "descalabro" da segunda parte; entrando já avisada que as coisas não iriam ser fáceis, a equipa portuguesa não soube ter a necessária serenidade para impor o seu melhor futebol, acabando por "entregar-se" com a expulsão de Boa Morte.

Embora nada estivesse ainda perdido, o resultado final de 2-4 não augurava nada de bom...


Estádio HeraklionNo que respeita à organização do Torn

changed September 12