EURO 2004 EURO 2004

Diário do Campeonato da Europa de Futebol de 2004


12.06.2004

GANHÁMOS!

(Exercício de "futurismo optimista")...

Fez-se história!

A partir de hoje, o dia 4 de Julho não assinala apenas a independência dos EUA. Para nós, 4 de Julho passará a ser sinónimo da maior proeza desportiva portuguesa de sempre, da glória de uma consagração como melhor equipa do "Velho Continente".

O que, apenas há 3 meses, parecia impossível, aconteceu!

Quem não se recorda da contestação a que Scolari foi sujeito após a derrota com a Itália a 31 de Março? (numa altura, em que, ao contrário, Mourinho fazia furor com a qualificação do FC Porto para a final da Liga dos Campeões, depois de eliminar o Manchester United, o Lyon e o Deportivo da Coruña).

Entretando, Scolari - numa inversão que pode ter constituído um contributo decisivo para a união em torno da selecção, criando um forte espírito de grupo até então algo arredado -, "arrepiara" caminho, ao aceder às solicitações do FC Porto de não convocar jogadores do clube para o jogo particular com a Suécia, a 28 de Abril (nas vésperas do decisivo jogo da meia-final da Liga dos Campeões, na Corunha).

A partir do estágio da selecção em Óbidos, fora possível perceber o ressurgimento de uma "comunhão" entre os portugueses e a sua selecção, de que o "episódio das bandeiras" (dando um novo colorido às cidades portuguesas) foi um excelente exemplo.

Agora, e depois do título Mundial, o campeão Scolari consegue novo "milagre" e, suportado no apoio incondicional dos adeptos portugueses (que foi conquistando, jogo a jogo), conduz Portugal ao título de Campeão Europeu!

Não sendo o sentimento bonito, é inegável que não deixou de dar um certo prazer especial esta sensação de revanche perante a França, bi-campeã europeia, que, nas suas anteriores conquistas nos deixara - de forma particularmente "cruel" (quer em 1984, quer em 2000) - "pelo caminho".

Quando Rui Costa (que já marcara a grande penalidade decisiva no desempate do Campeonato do Mundo de Juniores de 1991) partiu para a bola, tinha 10 milhões de portugueses a transmitir-lhe uma energia positiva que fez de todos nós "Campeões".

Mas, para além disso, fica a imagem de uma selecção convincente, personalizada, "esmagadora" mesmo: 6 jogos; 6 vitórias (em absoluto contraste com os 7 jogos sem vitória na fase de preparação!...), com um futebol "total", à semelhança da famosa "laranja mecânica" holandesa de 1974 - outra selecção que, mais uma vez, teve de se "vergar" perante o poderio luso.

É a consagração de uma geração, que soube aproveitar da melhor forma a última oportunidade para a glória.

PORTUGAL é CAMPEÃO DA EUROPA!

E, como dizia a canção, "Quero mais!"...

O Mundo espera por nós.

Deixem-nos sonhar!...


PERDERAM!

(Exercício de "futurismo pessimista")...

Ao fim de apenas 8 dias, o "sonho" transformou-se em pesadelo!

A pobre campanha de preparação (7 jogos contra finalistas do EURO sem uma única vitória!...) já o deixara antever.

O "caso Gondomar", despoletado a pouco mais de mês e meio do início da prova, "colocando a nu algumas situações dúbias." do nosso futebol, não era um bom "augúrio".

A própria selecção evidenciava sucessivos sintomas de desunião: as críticas de Scolari a Jorge Andrade (pela expulsão no jogo FC Porto-Coruña) e a Cristiano Ronaldo (por não "render" na selecção); as observações de Figo sobre a dispensa de jogadores do FC Porto no jogo de preparação contra a Suécia; a "novela" da contratação de Scolari pelo Benfica; a publicação com apreciações "menos positivas" sobre o desempenho dos jogadores na época em curso - um acumular de incontáveis "tiros nos pés".

Hoje, 20 de Junho, confirmou-se o fracasso.

Como (fraca) consolação, fica o facto de Portugal ter praticamente "replicado" a carreira da França (então campeão do mundo em título) no Mundial da Coreia-Japão, em 2002: derrota no primeiro jogo com a Grécia, por 0-1; empate com a Rússia, 0-0; e, finalmente, outro "descolorido" empate com a Espanha, também a zero, que nem um duvidoso penalty assinalado - no último minuto - por um árbitro "caseiro" permitiu desfazer: sob o peso da responsabilidade, parecendo "atemorizado" perante o seu colega de equipa Casillas, o último pontapé de Figo na sua carreira na Selecção saiu desastrado, em "direcção às nuvens".

Foi sob uma ensurdecedora vaia de assobios dos 65 000 espectadores que presenciaram este último jogo que a selecção portuguesa se despediu da prova.

Zero vitórias; zero golos; a completa nulidade e falência de uma concepção de futebol.

Com Scolari, ganha força a ideia de que "a história não se repete"; os portugueses confiavam num "milagre" ou em qualquer género de "força oculta" que o brasileiro pudesse transmitir a uma envelhecida e cansada selecção portuguesa.

Resta recomeçar, partindo do "zero", preparando e estruturando uma nova equipa que possa "limpar a face" na fase de qualificação para o Mundial 2006 que se aproxima a passos largos.

O EURO 2004 continua, mas para os outros - resta-nos continuar a assistir, "do lado de fora", às exibições das melhores equipas da Europa.


(Agora resta esperar para ver qual das duas versões será mais adaptada à realidade... Boa sorte Portugal!)


É claro que é importante que Portugal tenha sucesso desportivo nesta prova (embora seja difícil definir com absoluta precisão o que se poderá entender por sucesso - necessariamente o atingir das ½ finais -), até porque a continuidade da nossa selecção em prova manterá acesa a chama da dinâmica da prova, contribuindo para o seu "êxito global".

Porém, há que "ter os pés assentes no chão": Portugal entra na prova na 11ª posição do ranking entre os 16 finalistas (no actual ranking da FIFA - sendo o 10º em termos de história da competição), não tendo conseguido nunca melhor do que a meta mínima a que agora se propõe (e ainda, assim, de alguma forma, com carácter "excepcional", em 1966, 1984 e 2000); numa competição deste cariz, a eliminar, são muitas as contingências (o penalty falhado, a bola no poste, o "desacerto" de um árbitro.); objectivamente, nenhuma equipa do mundo pode garantir antecipadamente que irá ter sucesso.

PortugalGréciaEspanhaRússia

É também verdade que, numa perspectiva "minimalista", uma selecção poderá ser campeã com apenas 1 vitória e 4 empates (o PSV Eindhoven assim conquistou uma Taça dos Campeões Europeus contra o Benfica em 1988!), podendo mesmo "dar-se ao luxo" de perder um dos jogos da primeira fase; e, portanto, beneficiando do "factor casa", poderia "bastar-nos" não perder.

FrançaInglaterraSuíçaCroácia

Mas, acima de tudo, devemos consciencializar-nos que, mais importante do que a vertente desportiva (embora não completamente dissociável), a prova que "somos obrigados a vencer" é a de mostrar ao mundo a capacidade de organização de um torneio desta dimensão, com centenas de milhares de visitantes, dando sequência a uma "gigantesca empreitada" de construção de 10 estádios e restantes infra-estruturas (acessibilidades, hotéis, aeroportos). E que, mesmo que à "boa maneira portuguesa", com atrasos e derrapagens orçamentais, fomos capazes de fazer (bem)!

SuéciaBulgáriaDinamarcaItália

Havendo sempre um "velho do Restelo" (todos sabemos que não eram necessários 10 estádios! - assim como conhecemos as carências que a população portuguesa experimenta nas mais variadas vertentes), nada adiantará agora contestar as opções tomadas e definitivamente assumidas, porque irreversíveis; a verdade é que, tal como com a Expo'98 ou com o Centro Cultural de Belém, as obras feitas aí estão e permanecerão para o futuro; e, por todo o mundo, o nome de Portugal será ouvido e "visto" por milhões de pessoas... e por bons motivos.

R. ChecaLetóniaAlemanhaHolanda

É também assim que os países conquistam o respeito e a admiração internacional; é também por aqui que passa um pouco do "desenvolvimento" do país.

Trata-se de uma oportunidade singular que, provavelmente, não se repetirá no espaço de uma geração (25/30 anos). Temos portanto de "agarrá-la"!

PORTUGAL precisa de sentir orgulho de "si próprio" e de voltar a "ser feliz". Vamos mobilizar-nos (todos!) e fazer do EURO 2004 uma "grande festa"!


Grupo A - 1ª Jornada

PortugalGrécia1-2

A Grécia surpreendeu a equipa portuguesa com a colocação de avançados de início e com uma entrada em campo a jogar ao ataque, o que provocou que Portugal andasse "perdido" durante o primeiro quarto de hora (uma entrada em prova idêntica às que realizara no Euro 2000, com a Inglaterra, e no Mundial 2002, com os EUA).

Os gregos marcaram cedo (aos 6 minutos), tendo ainda desperdiçado, pelo menos, mais duas boas oportunidades (uma delas logo no primeiro minuto).

Com o seu futebol simples, linear, directo e objectivo, a Grécia justificava plenamente a vantagem com que chegava ao intervalo.

Na segunda parte, Portugal teve de "correr atrás do prejuízo", mas fê-lo sempre sem a tranquilidade necessária e, muitas vezes, sem nexo, cometendo inclusivamente erros infantis como o que originou o penalty que proporcionou o segundo golo da Grécia.

Uma equipa... pouco equipa, vivendo apenas de "rasgos individuais" de Figo (mais na primeira parte), Cristiano Ronaldo e Deco, pouco inspirados na finalização.

Nos últimos dez minutos, apesar da ansiedade, Portugal atacou bastante, "mais com o coração que com a cabeça", ainda assim remetendo a equipa grega para a sua área, mas sem conseguir maior felicidade que o "golo de honra" (que poderá eventualmente vir a ser decisivo, lá mais para a frente...).

Portugal Ricardo, Paulo Ferreira, Fernando Couto, Jorge Andrade, Rui Jorge, Costinha (65m - Nuno Gomes), Maniche, Luis Figo, Rui Costa (45m - Deco), Simão Sabrosa (45m - Cristiano Ronaldo), Pauleta

Grécia Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas, Giannokopoulos (67m - Nikolaidis), Basinas, Zagorakis, Karagounis (45m - Katsouranis), Vryzas, Charisteas (74m - Lakis)

0-1 - Karagounis - 6m
0-2 - Basinas - 51m (P)
1-2 - Cristiano Ronaldo - 93m

"Melhor em campo" - Zagorakis

Amarelos - Costinha (20m) e Pauleta (58m); Karagounis (39m) e Seitaridis (76m)

Árbitro - Pierluigi Collina (Itália)

Estádio do Dragão - Porto (17h00)


EspanhaRússia1-0

"Sinal mais" inicial da Espanha nos primeiros 15 minutos, com a Rússia a conseguir reequilibrar o jogo a meio-campo, atingindo mesmo um forte final de primeira parte, quase a ameaçar o golo.

A segunda parte iniciou-se, novamente, com uma tentativa de ataque mais continuado por parte da Espanha, mas com a Rússia "sempre à espreita" do contra-ataque.

Aos 58 minutos, a Espanha troca Morientes por Valerón, que, trinta segundos depois, na primeira intervenção no jogo, marca o golo da vitória!

Aos 77 minutos, Fernando Torres substitui Raul... e quase marca também no primeiro lance que disputa.

Depois do golo da Espanha, a Rússia não voltou a mostrar capacidade para chegar ao golo, excepto no último minuto (quando se encontrava já reduzida a 10).

Em suma, vitória justa da Espanha, que pecará até por algo escassa... e "dois ossos duros de roer" ainda no caminho de Portugal.

Espanha Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja (58m - Xabi Alonso), Albelda, Etxeberria, Vicente, Morientes (58m - Valerón), Raul (77m - Fernando Torres)

Rússia Ovchinnikov, Evseev, Gusev (45m - Radimov), Sharonov, Sennikov, Smertin, Aldonin (67m - Sychev), Izmailov (73m - Karyaka), Alenitchev, Mostovoi, Bulykin

1-0 - Valerón - 59m

"Melhor em campo" - Vicente

Amarelos - Baraja (43m), Marchena (65m) e Albelda (83m); Gusev (12m), Sharonov (20m), Smertin (28m), Aldonin (31m) e Radimov (93m)

Vermelho - Sharonov (88m - acumulação amarelos)

Árbitro - Urs Meier (Suíça)

Estádio Algarve - Faro-Loulé (19h45)


13.06.2004

Grupo B - 1ª Jornada

SuíçaCroácia0-0

De acordo com as crónicas do jogo, a Croácia procurou impor o seu poderio físico, dominando em termos de tempo de posse de bola.

Num jogo bastante faltoso, o árbitro português vê-se obrigado a exibir o cartão vermelho a um jogador suíço, obrigando a equipa Suíça a jogar em inferioridade numérica desde os 50 minutos.

A Croácia procurou tirar vantagem da situação mas não mostrou "engenho e arte" para chegar ao golo, desperdiçando duas ou três jogadas de perigo; a Suíca conseguiria, ainda assim, levar também o perigo à baliza croata, mas sem consequências.

Um jogo algo desinteressante, não muito bem jogado.

Suíça Jörg Stiel, Bernt Haas, Patrick Mueller, Murat Yakin, Christoph Spycher, Raphael Wicky (83m - Stéphane Henchoz), Johann Vogel, Benjamin Huggel, Hakan Yakin (87m - Daniel Gygax), Stephane Chapuisat (54m - Fabio Celestini), Alexander Frei

Croácia Tomislav Butina, Dario Simic (61m - Darijo Srna), Robert Kovac, Josip Simunic, Boris Zivkovic, Ivica Mornar, Niko Kovac, Nenad Bjelica (73m - Giovanni Rosso), Ivica Olic (45m - Milan Rapaic), Dado Prso, Tomislav Sokota

"Melhor em campo" - Jörg Stiel

Amarelos - Johann Vogel (5m), Benjamin Huggel (41m) e Jörg Stiel (73m); Dado Prso (13m), Nenad Bjelica (30m), Milan Rapaic (48m), Josip Simunic (51m) e Ivica Mornar (53m)

Vermelho - Johann Vogel (50m - Acumulação amarelos)

Árbitro - Lucílio Baptista (Portugal)

Estádio Dr. Magalhães Pessoa - Leiria (17h00)


FrançaInglaterra2-1

E, ao 2º dia, "ela" aí está: a "magia do futebol"!...

Começando pelo fim (pelos dois golos de Zidane): a vitória da França parece-me justa.

Até aos 38 minutos, momento em que Lampard marcou o primeiro golo, para a Inglaterra, a "única equipa" em campo tinha sido a da França, segura, confiante, e, decididamente, a querer ganhar o jogo; com um período "alto", entre os 10 e os 20 minutos, em que, por três vezes (14, 16 e 20 minutos) levou o perigo à área da Inglaterra - que até aí não conseguira ainda "entrar no jogo", não denotando capacidade para jogar "de igual para igual" com a França.

A partir dos 20 minutos, a Inglaterra conseguiu de alguma forma "equilibrar" o jogo; até que, aos 38 minutos, num livre (do lado direito) superiormente marcado por Beckam, apareceu Lampard a antecipar-se a toda a defesa francesa e a marcar um golo, claramente "contra-a-corrente".

Contudo, esse golo viria a "abalar" bastante a poderosa equipa francesa que nunca mais se encontrou, ao longo de quase uma hora (mostrando que mesmo o Campeão Europeu pode "acusar" significativamente um golo sofrido), tentando jogar em "rendilhados" dentro da área, com Zidane pouco feliz e Henry e Trezeguet "desastrados" na finalização.

Uma França que dava já a imagem de não ser capaz de inverter a situação (tendo inclusivamente Beckam desperdiçado, aos 70 minutos, a possibilidade de "resolver" o jogo, ao permitir a Barthez uma magnífica defesa de um penalty)... até que surgiu então a magia de Zidane: primeiro, num livre magistralmente executado, já em período de descontos; quando todos pensariam que a Inglaterra tinha deixado escapar a vitória, eis que, aos 93 minutos, surge um penalty, que possibilitou a reviravolta no marcador; foi o desespero inglês, sofrendo uma punição que não esperava, um remake (desta vez de sentido contrário) da final da Liga dos Campeões entre o Manchester United e o Bayern, de há alguns anos atrás.

Num estádio da Luz transformado num "Wembley a 3/4" (os adeptos franceses estavam limitados a cerca de 1/4 da lotação), assisti durante cerca de uma hora, no meio de um "mar de ingleses" aos seus cânticos "de vitória". Ingleses que ficariam completamente incrédulos com o que aconteceu no período de descontos.

Concluo como iniciei: a França é melhor equipa que a Inglaterra, mereceu a vitória, mas mostrou que também pode sofrer de "grande intranquilidade" quando (inesperadamente) se vê a perder.

E, claro, acabou por ter a "sorte dos campeões"... ou, "quem tem Zidane, tem tudo" (foi ele quem mais lutou para inverter o rumo do jogo e, talvez o único que sempre mostrou serenidade perante a situação adversa).

França Fabien Barthez, Lilian Thuram, William Gallas, Mikael Silvestre (79m - Willy Sagnol), Bixente Lizarazu, Robert Pires (76m - Sylvain Wiltord), Patrick Vieira, Claude Makelele, Zinedine Zidane, Thierry Henry, David Trezeguet

Inglaterra David James, Gary Neville, Ledley King, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckham, Frank Lampard, Steven Gerrard, Paul Scholes (76m - Owen Hargreaves), Wayne Rooney (76m - Emile Heskey), Michael Owen (69m - Darius Vassell)

"Melhor em campo" - Zidane

0-1 - Lampard - 38m
1-1 - Zidane - 91m
2-1 - Zidane - 93m (P)

Amarelos - Robert Pires (49m) e Mikael Silvestre (72m); Paul Scholes (53m) e Frank Lampard (70m)

Árbitro - Markus Merk (Alemanha)

Estádio da Luz - Lisboa (19h45)


14.06.2004

Grupo C - 1ª Jornada

DinamarcaItália0-0

De acordo com as crónicas do jogo, a Dinamarca entrou melhor, dominando a partida na primeira parte, com mais de 60 % de tempo de posse de bola, embora se registasse um empate em termos de jogadas de ataque (duas para cada equipa), com a Itália a fazer valer a sua característica solidez defensiva.

No início da segunda parte, a Itália conseguiu algumas jogadas de perigo, para, a partir dos 60 minutos, a partida entrar numa toada de cartões amarelos e substituições, portanto com muitas interrupções, num jogo em que se fez também sentir um intenso calor.

Apenas nos últimos minutos, voltou a haver alguma emoção, primeiro com Buffon a defender um remate de longe de Jensen (84 minutos) e, depois, com Totti a rematar por alto (aos 89 minutos) na marcação de um livre.

Totti que teria ainda tempo para pontapear um adversário, sendo contudo punido apenas com cartão amarelo. E assim chegava o jogo ao fim, com o segundo "zero a zero" da prova, desta vez graças às exibições de ambos os guarda-redes, num jogo de boa qualidade.

Dinamarca Thomas Sorensen, Thomas Helveg, Martin Laursen, Rene Henriksen, Niclas Jensen, Christian Poulsen (76m - Brian Priske), Daniel Jensen, Dennis Rommedahl, Jon Dahl Tomasson, Martin Joergensen (72m - Kenneth Perez), Ebbe Sand (69m - Claus Jensen)

Itália Gianluigi Buffon, Christian Panucci, Fabio Cannavaro, Alessandro Nesta, Gianluca Zambrotta, Cristiano Zanetti (58m - Gennaro Gattuso), Simone Perrotta, Mauro Camoranesi (68m - Stefano Fiore), Francesco Totti, Alessandro Del Piero (64m - Antonio Cassano), Christian Vieri

"Melhor em campo" - Thomas Sorensen

Amarelos - Tomasson (29m) e Helveg (68m); Cannavaro (61m), Fiore (69m), Cassano (70m), Gattuso (81m) e Totti (90m)

Árbitro - Manuel Mejuto Gonzalez (Espanha)

Estádio D. Afonso Henriques - Guimarães (17h00)


SuéciaBulgária5-0

Uma jovem (e "inexperiente") equipa búlgara não teve a capacidade para suster o ímpeto sueco, "entregando o jogo" no espaço de um minuto, quando Henrik Larsson (entre os 57 e os 58 minutos) marcou o 2-0 e 3-0.

A partir desse momento, os búlgaros estiveram absolutamente desconcentrados e o marcador foi subindo, de forma natural. A Bulgária ansiava pelo final do jogo que se tornara num "pesadelo".

A equipa búlgara será talvez a mais frágil da prova, situação a confirmar nos próximos jogos.

Pela positiva, a Suécia cumpriu a sua missão; num dia extremamente quente (mais de 30 graus às 20 horas), os suecos cedo tomaram a iniciativa do encontro, procurando o golo, que alcançariam por volta da meia-hora, dominando a partir de então em todos os capítulos do jogo e alcançando a maior goleada da prova (igualando o resultado mais desequilibrado já verificado em fases finais do Campeonato da Europa).

Suécia Andreas Isaksson, Teddy Lucic (41m - Christian Wilhelmsson), Olof Mellberg, Andreas Jakobsson, Erik Edman, Mikael Nilsson, Tobias Linderoth, Anders Svensson (77m - Kim Kallström), Fredrik Ljungberg, Zlatan Ibrahimovic (82 m - Marcus Allbäck), Henrik Larsson

Bulgária Zdravko Zdravkov, Vladimir Ivanov, Predrag Pazhin, Rosen Kirilov, Ivailo Petkov, Georgi Peev, Marian Hristov, Martin Petrov, Stilian Petrov (85m - Zdravko Lazarov), Zoran Jankovic (62m - Velizar Dimitrov), Dimitar Berbatov (76 m - Vladimir Manchev)

1-0 - Ljungberg - 32m
2-0 - Henrik Larsson - 57m
3-0 - Henrik Larsson - 58m
4-0 - Ibrahimovic - 78m (P)
5-0 - Allback - 91m

"Melhor em campo" - Henrik Larsson

Amarelos - Tobias Linderoth (52m) e Zlatan Ibrahimovic (65m); Ivailo Petkov (18m), Zoran Jankovic (23m) e Vladimir Ivanov (71m)

Árbitro - Mike Riley (Inglaterra)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) - Lisboa (19h45)


15.06.2004

Grupo D - 1ª Jornada

AlemanhaHolanda1-1

Início do jogo com a Holanda a dominar a partida no primeiro quarto de hora, até que a Alemanha acertou nas marcações a Cocu e a Davids, assumindo então o controlo do encontro.

Ao intervalo a Alemanha ganhava por 1-0, apresentando um score de 7-1 em remates à baliza.

Os alemães continuaram a "mandar" no jogo até cerca dos 60 minutos, criando algumas oportunidades de perigo, altura em que a Holanda começou a reagir, com Overmars a sobressaír.

Numa equipa renovada, de realçar a qualidade técnica de alguns jogadores alemães, com destaque para o jovem Schweinsteiger (vindo do Europeu de Sub-21), um autêntico "quebra-cabeças" para a defesa holandesa, com os seus "dribles".

Até que a Holanda arrisca tudo: substitui o lateral direito por Pierre van Hooijdonk, reassumindo a partir daí o comando da partida.

E surgiu então Ruud van Nistelrooy, num "toque de magia" à "la Zidane", a empatar o jogo.

Num quarto de hora final bastante intenso, Kahn acabaria ainda por ter oportunidade de brilhar com a "defesa da noite", sendo ainda chamado a intervir por mais duas vezes.

O jogo terminou a um ritmo muito elevado, com a Alemanha a ripostar ainda perigosamente nos últimos 3 minutos.

Resultado justo, numa boa partida de futebol, entre dois "eternos candidatos", com ligeira predominância da Alemanha em termos de controlo de jogo, enquanto que a Holanda terminou o encontro com mais tempo de "posse de bola".

Alemanha Oliver Kahn, Arne Friedrich, Christian Woerns, Jens Nowotny, Philipp Lahm, Bernd Schneider (68m - Bastian Schweinsteiger), Frank Baumann, Dietmar Hamann, Michael Ballack, Torsten Frings (79m - Fabian Ernst), Kevin Kuranyi

Holanda Edwin van der Sar, Johnny Heitinga (74m - Pierre van Hooijdonk), Wilfred Bouma, Jaap Stam, Giovanni van Bronckhorst, Edgar Davids (45m - Wesley Sneijder), Philip Cocu, Rafael van der Vaart, Boudewijn Zenden (45m - Marc Overmars), Andy van der Meyde, Ruud van Nistelrooy

1-0 - Frings - 29m
1-1 - Ruud van Nistelrooy - 80m

"Melhor em campo" - Michael Ballack

Amarelos - Kuranyi (12m); Cocu (29m) e Stam (73m)

Árbitro - Anders Frisk (Suécia)

Estádio do Dragão - Porto (19h45)


R. ChecaLetónia2-1

Dizem as crónicas que foi uma vitória "sofrida" da R. Checa, mas absolutamente merecida pelo domínio que exerceu praticamente ao longo de toda a partida, embora com dificuldade na concretização das inúmeras jogadas de ataque que desenvolveu.

Boa resistência da Letónia, em vantagem no marcador até próximo da entrada do último quarto de hora da partida.

R. Checa Petr Cech, Zdenek Grygera (57m - Marek Heinz), Tomas Ujfalusi, Rene Bolf, Marek Jankulovski, Tomas Galasek (65m - Vladimír Smicer), Karel Poborsky, Tomas Rosicky, Pavel Nedved, Jan Koller, Milan Baros (87m - Martin Jiranek)

Letónia Aleksandrs Kolinko, Igors Stepanovs, Mihails Zemlinskis, Olegs Blagonadezdins, Aleksandrs Isakovs, Valentins Lobanovs (90m - Vits Rimkus ), Vitalijs Astafjevs, Imants Bleidelis, Andrejs Rubins, Andrejs Prohorenkovs (71m - Juris Laizans), Maris Verpakovskis (81m - Marians Pahars)

0-1 - Verpakovskis - 45m
1-1 - Baros - 73m
2-1 - Heinz - 85m

"Melhor em campo" - Milan Baros

Amarelos - N/A

Árbitro - Gilles Veissière (França)

Estádio Municipal de Aveiro (17h00)


16.06.2004

Grupo A - 2ª Jornada

GréciaEspanha1-1

Segundo as crónicas - sabendo ambas as equipas que o empate não seria um "mau resultado" - este foi um jogo controlado pela Espanha, que assumiu sempre a iniciativa da sua condução.

O golo surgiria de forma algo "fortuita", na sequência da intercepção de um passe atrasado de um defesa grego.

Na segunda parte, mesmo a ganhar, foi a Espanha a continuar a dominar; o empate da Grécia surgiria, de alguma forma, "contra-a-corrente".

Para os gregos, significa uma excelente opção para o apuramento: apenas será eliminada se Portugal vencer a Espanha e se perder o seu jogo com a Rússia por uma desvantagem superior à que os espanhóis eventualmente registem no jogo com Portugal.

Grécia Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas (86m - Venetidis), Giannokopoulos (49m - Nikolaidis), Zagorakis, Karagounis (53m - Tsartas), Katsouranis, Vryzas, Charisteas

Espanha Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja, Albelda, Etxeberria (45m - Joaquín), Vicente, Morientes (65m - Valerón), Raul (80m - Fernando Torres)

0-1 - Morientes - 28m
1-1 - Charisteas - 66m

"Melhor em campo" - Raul

Amarelos - Katsouranis (7m), Giannakopoulos (24m), Karagounis (27m) Zagorakis (61m) e Vryzas (90m); Marchena (16m) e Helguera (36m)

Árbitro - Lubos Mitchell (Eslováquia)

Estádio do Bessa Séc. XXI - Porto (17h00)


RússiaPortugal0-2

"Serviços mínimos"... Portugal teve tudo a seu favor neste jogo: marcou cedo; jogou toda a segunda parte em superioridade numérica; evitou o sofrimento nos últimos 5 minutos, ao conseguir o 2-0 praticamente "em cima" do tempo regulamentar.

Et pourtant... soube a pouco! A sensação que ficou foi que a equipa portuguesa estava a jogar "dois jogos ao mesmo tempo": o empate no Grécia-Espanha implica que Portugal necessite "obrigatoriamente" de vencer a Espanha no último jogo.

O "fantasma" da Espanha pairou durante todo o tempo. A equipa portuguesa denotou uma enorme "falta de confiança" em si própria e, em alguns momentos da segunda parte, evidenciou mesmo sintomas de intranquilidade.

Como se "a cabeça estivesse noutro lado". É que, embora, fosse importante ganhar à Rússia, todos sabíamos (dentro e fora das "quatro linhas") que o jogo decisivo será o de Domingo.

E essa falta de confiança foi sendo transmitida para a bancada, pouco convincente no apoio à equipa, sendo, por várias ocasiões, os adeptos portugueses "abafados" pelos ("desesperados") apelos russos. Aliás, o ambiente de festa que se esperava começou a "falhar" precisamente por aí: em vez de um Estádio repleto de público, havia uma grande clareira no sector russo (terão ficado "desocupados" perto de 10 000 lugares...).

Em termos tácticos, Scolari fez uma "pequena revolução": trocou as posições de Figo e Simão Sabrosa; trocou 3/4 da defesa (apenas manteve Jorge Andrade, substituindo Paulo Ferreira, Fernando Couto e Rui Jorge, por Miguel, Ricardo Carvalho e Nuno Valente); colocou Deco de início, como "playmaker", em vez de Rui Costa.

E, embora não se compreenda muito bem como pode Scolari - depois de um ano de jogos-treino - mudar tanto de um jogo para outro, a verdade é que "no papel", as mudanças pareciam fazer bastante sentido (especialmente as de Ricardo Carvalho e Deco).

Contudo, na prática, "as coisas não saíram bem", pela tal "falta de confiança" e, a meio da segunda parte, a equipa não conseguia progredir no terreno, começando a "jogar para o lado"... e aí, surgiram, "implacáveis" os primeiros assobios da bancada (precisamente o oposto do que os jogadores necessitam neste momento - não foi bonito o momento da substituição de Figo, com o Estádio dividido entre os aplausos e as recriminações).

Algumas oportunidades criadas iam sendo desperdiçadas, notando-se também o receio em "assumir a responsabilidade" por rematar à baliza.

A equipa portuguesa "jogou sobre brasas" e só com vitórias poderá consolidar a sua motivação.

A Rússia foi tentando fazer o que podia (assumindo alguns riscos na segunda parte), parecendo, nesta altura "poder pouco" (e não só por causa da expulsão de Ovchinnikov - alegadamente, por ter tocado a bola com a mão fora da grande área, na antecipação ao avançado português).

Para a história, fica a vitória (justa) de Portugal, com dois bonitos golos, de Maniche e Rui Costa.

E, na retina, fica uma bela jogada construída por Deco, Nuno Gomes e Figo, que terminou ingloriamente no poste da baliza russa...

Cumpridos os "serviços mínimos" de ganhar à Rússia - primeira equipa eliminada neste Europeu - Scolari vai ter um importante trabalho de moralização dos jogadores, para os convencer de que é possível eliminar também a Espanha (todos nós conhecemos alguém que, este ano, foi capaz de convencer os jogadores que eram os melhores da Europa e que iam ser campeões...).

Rússia Ovchinnikov, Sennikov, Bugayev, Smertin, Evseev, Kariaka (79m - Bulykin), Loskov, Aldonin (45m - Malafeev), Alenitchev, Izmailov (72m - Bystrov), Kerzhakov

Portugal Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Simão Sabrosa (62m - Rui Costa), Deco, Figo (78m - Cristiano Ronaldo), Pauleta (57m - Nuno Gomes)

0-1 - Maniche - 7m
0-2 - Rui Costa - 88m

"Melhor em campo" - Maniche

Amarelos - Smertin (16m), Evseev (21m) e Alenitchev (86m); Ricardo Carvalho (24m) e Deco (85m)

Vermelho - Ovchinnikov (45m)

Árbitro - Terje Hauge (Noruega)

Estádio da Luz - Lisboa (19h45)


17.06.2004

Grupo B - 2ª Jornada

InglaterraSuíça3-0

Segundo as crónicas, um bom início de partida dos suíços, sem "complexos" face aos ingleses, construindo algumas jogadas de ataque, fazendo chegar algum perigo à área inglesa.

Sem ter ainda criado grandes situações de perigo, a Inglaterra "abriria o activo" aos 23 minutos, por Rooney - que, apenas com 18 anos, se torna o mais jovem marcador de sempre na história dos Europeus.

A Suíça encerraria a primeira parte com duas jogadas de perigo junto da baliza adversária.

Na segunda parte, a Inglaterra assumiu o controlo do jogo, pressionando o adversário, o que viria a originar a expulsão de Bernt Haas (com dois cartões amarelos em pouco mais de 10 minutos), obrigando a Suíça a jogar novamente em inferioridade numérica durante uma boa parte do jogo (última meia-hora).

A Suíça passa a recorrer aos lançamentos em profundidade, sem sucesso; e é a Inglaterra que volta a causar perigo, com Rooney perto de "bisar"... até que, pouco depois, o mesmo Rooney remata forte contra o poste, acabando a bola por tabelar no guarda-redes Stiel, anichando-se na sua própria baliza.

Derrotada, a equipa suíça "entrega-se" e, logo de seguida, sofre o terceiro golo: um "castigo pesado".

Inglaterra David James, Gary Neville, John Terry, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckham, Frank Lampard, Steven Gerrard, Paul Scholes (70m - Owen Hargreaves), Wayne Rooney (83m - Kieron Dyer), Michael Owen (72m - Darius Vassell)

Suíça Jörg Stiel, Bernt Haas, Patrick Mueller, Murat Yakin, Christoph Spycher, Raphael Wicky, Fabio Celestini (53m - Ricardo Cabanas), Benjamin Huggel, Hakan Yakin (84m - Johan Vonlanthen), Stephane Chapuisat (45m - Daniel Gygax), Alexander Frei

"Melhor em campo" - Wayne Rooney

1-0 - Wayne Rooney - 23m
2-0 - Wayne Rooney - 75m
3-0 - Gerrard - 82m

Amarelos - Bernt Haas (49m); Wayne Rooney (18m)

Vermelho - Bernt Haas (60m - acumulação de amarelos)

Árbitro - Valentin Ivanov (Rússia)

Estádio Cidade de Coimbra - Coimbra (17h00)


CroáciaFrança2-2

Tal como no primeiro jogo, frente à Inglaterra, a França entrou muito forte, impondo um ritmo acelerado, que a levaria até ao primeiro golo, mais uma vez na sequência de uma "bola parada"... mais uma vez, um livre apontado por Zidane, com o defesa croata a desviar a bola para a sua própria baliza.

E, tal como no jogo inaugural, a França decresceria de rendimento à medida que a primeira parte se aproximava do seu termo.

O início da segunda parte mostrou-nos uma Croácia completamente diferente, assumindo decididamente uma postura atacante (para os croatas, empatar ou perder era indiferente; apenas a vitória lhes interessava para chegarem em vantagem ao jogo decisivo com a Inglaterra).

E logo conseguiria empatar, beneficiando de mais um penalty sofrido pela França. Não baixando o ritmo, os croatas dariam a "volta ao resultado" 4 minutos depois.

Surgiria depois um período algo confuso, com as equipas a baixarem de rendimento e o jogo a transformar-se numa partida "estranha"... o que culminaria com mais um "golo esquisito", na sequência de mais um erro defensivo, a restabelecer novamente o empate para a França (que ainda não conseguiu marcar um golo de "jogada corrida normal").

Até final, ambas as equipas procuraram o golo (e a vitória), mas sem grande convicção ou serenidade, ajustando-se perfeitamente o empate como resultado do labor das duas formações.

A Croácia, bastante voluntarista na procura do golo, revela contudo alguma ingenuidade no momento da finalização (que já lhe custara o não ter alcançado a vitória frente à Suíça), tendo nomeadamente o benfiquista Sokota realizado mais um encontro bastante esforçado, embora não muito inspirado.

A França, transmitindo uma imagem de grande poderio, denotando dispor de capacidade para, a qualquer momento, poder "resolver um jogo", não realizou ainda uma partida "conseguida", de início a fim, tendo Henry (e o próprio Zidane) andado arredados das suas melhores exibições.

E o apuramento, que os franceses esperavam festejar já hoje, ficou adiado para a última ronda.

Croácia Tomislav Butina, Josip Simunic, Dario Simic, Igor Tudor, Robert Kovac, Giovanni Rosso, Nenad Bjelica (67m - Jerko Leko), Milan Rapaic (87m - Ivica Mornar), Niko Kovac, Dado Prso, Tomislav Sokota (73m - Ivica Olic)

França Fabien Barthez, William Gallas (81m - Willy Sagnol), Lilian Thuram, Marcel Desailly, Mikaël Silvestre, Patrick Vieira, Olivier Dacourt (78m - Benoît Pedretti), Zinedine Zidane, Sylvain Wiltord (70m - Robert Pires), David Trezeguet, Thierry Henry

"Melhor em campo" - Dado Prso

0-1 - Tudor - 23m (p. b.)
1-1 - Rapaic - 48m (P)
2-1 - Prso - 52m
2-2 - Trezeguet - 63m

Amarelos - Igor Tudor (39m), Giovanni Rosso (61m), Robert Kovac (67m) e Jerko Leko (78m); Patrick Vieira (32m) e Olivier Dacourt (59m)

Árbitro - Kim Milton Nielsen (Dinamarca)

Estádio Dr. Magalhães Pessoa - Leiria (19h45)


18.06.2004

Grupo C - 2ª Jornada

BulgáriaDinamarca0-2

De acordo com as crónicas, a primeira parte pertenceu por inteiro à Dinamarca, sempre nas proximidades da área búlgara.

Após muito porfiar, os dinamarqueses acabariam por marcar próximo do último minuto... imediatamente após a única jogada de perigo da Bulgária na primeira parte.

No início da segunda parte, a Dinamarca continuou a atacar, mas o calor acabaria por "adormecer" o jogo, que se foi "arrastando" até ao momento em que os búlgaros reclamavam a marcação de uma falta perto da área dinamarquesa, o que lhes custaria cartões amarelos e vermelho.

O segundo golo da Dinamarca surgiria já em tempo de descontos.

A Bulgária é a segunda selecção eliminada neste Europeu.

Bulgária Zdravko Zdravkov, Vladimir Ivanov (51m - Zdravko Lazarov), Rosen Kirilov, Ivailo Petkov (40m - Zlatomir Zagorcic), Ilian Stoyanov, Georgi Peev, Marian Hristov, Martin Petrov, Stilian Petrov, Zoran Jankovic (81m - Petkov), Dimitar Berbatov

Dinamarca Thomas Sorensen, Thomas Helveg, Martin Laursen, René Henriksen, Niclas Jensen, Martin Jorgensen (72m - Daniel Jensen), Daniel Jensen, Dennis Rommedahl (23m - Jesper Gronkjaer), Jon Dahl Tomasson, Thomas Gravesen, Ebbe Sand

0-1 - Tomasson - 44m
0-2 - Gronkjaer - 92m

"Melhor em campo" - Thomas Gravesen

Amarelos - Kirilov (4m), Stoyanov (50m), Stilian Petrov (77m), Zagorcic (80m), Hristov (83m) e Martin Petrov (84m); Niclas Jensen (11m) e Ebbe Sand (58m)

Vermelho - Stilian Petrov (83m - acumulação de amarelos)

Árbitro - Lucílio Baptista (Portugal)

Estádio Municipal de Braga - Braga (17h00)


ItáliaSuécia1-1

Os melhores primeiros 15 minutos deste EURO: no primeiro quarto de hora, contavam-se já três jogadas de perigo para cada lado; uma entrada "a todo o gás", de ambas as equipas!

E, nos seguintes cinco minutos, o ritmo aumentaria ainda mais... por parte da Itália, com mais três oportunidades de golo. Aos 20 minutos, a questão que se poderia colocar era: "como foi possível não haver golos?"...

Aos 27 minutos, Del Piero obriga Isaksson a uma excelente defesa. Sem nunca desarmar, uma "endiabrada" equipa italiana chegaria finalmente ao golo, aos 36 minutos, por Cassano.

E o ímpeto italiano manteve-se no início da segunda parte. A Itália continuaria instalada no meio-campo da Suécia até se entrar no período que, recorrentemente, tem sido marcado (em quase todos os jogos deste Europeu) por um abaixamento do ritmo da partida - entre os 60 e os 75 minutos (coincidindo também, geralmente, com a fase em que são realizadas várias substituições).

Também mercê das substituições, o contra-ataque da Suécia voltaria a começar a dar "sinal de vida", podendo ter empatado aos 77 minutos, não fora uma grande intervenção de Buffon.

A Suécia entusiamou-se e assistiu-se a uma espécie de "reprise" do Alemanha-Holanda, com ambas as equipas apostadas na procura do golo (apesar de uma "inversão de papéis", com a Itália a passar a adoptar o contra-ataque como estratégia de jogo, cedendo de alguma forma a iniciativa aos suecos).

Um quarto de hora final de "alta tensão", que culminaria mesmo com o golo do empate (aos 85 minutos), num lance fabuloso de inteligência (e técnica) de Ibrahimovic.

Em conclusão, "muito jogo", para tão "pouco resultado"... colocando também a Itália a "fazer contas de cabeça": se, por hipótese, se verificasse um empate por 1-1 no Suécia-Dinamarca (resultado perfeitamente previsível), a Itália teria de vencer a Bulgária, eventualmente, por 3-0.

E, para amanhã, fica a expectativa de ver se a R. Checa conseguirá ser a única selecção a vencer os dois primeiros jogos da competição, o que nenhuma das 15 restantes equipas conseguiu alcançar!...

Itália Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Alessandro Nesta, Gianluca Zambrotta, Christian Panucci, Simone Perrotta, Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso (76m - Giuseppe Favalli), Antonio Cassano (70m - Stefano Fiore), Christian Vieri, Alessandro Del Piero (82m - Mauro Camoranesi)

Suécia Andreas Isaksson, Mikael Nilsson, Olof Mellberg, Andreas Jakobsson, Fredrik Ljungberg, Erik Edman (77m - Marcus Allbäck), Tobias Linderoth, Christian Wilhelmsson (67m - Mattias Jonson), Anders Svensson (55m - Kim Kallström), Zlatan Ibrahimovic, Henrik Larsson

1-0 - Cassano - 36m
1-1 - Ibrahimovic - 85m

"Melhor em campo" - Ibrahimovic

Amarelos - Gennaro Gattuso (39m), Fabio Cannavaro (46m) e Gianluca Zambrotta (58m); Erik Edman (54m) e Tobias Linderoth (75m)

Árbitro - Urs Meier (Suíça)

Estádio do Dragão - Porto (19h45)


19.06.2004

Grupo D - 2ª Jornada

LetóniaAlemanha0-0

Talvez de forma algo surpreendente, a Letónia entrou na partida disposta a “jogar o jogo”, não se remetendo a uma defesa sistemática.

A Alemanha procurou impor desde cedo a sua força, evidenciando uma maior toada ofensiva, mas revelando sempre bastantes dificuldades em provocar situações de perigo para a baliza da Letónia.

A partir da meia hora, essa pressão alemã intensificou-se, parecendo os letões começar a denotar menor frescura física, reduzindo as suas jogadas ofensivas.

Porém, aos 39 minutos, Verpakovskis, o herói da qualificação letã para o Europeu, isolou-se, aproximou-se da área, mas, depois de uma longa corrida, o remate (já algo em desequilíbrio) seria sustido por Kahn, na que constituía então a maior oportunidade para a “surpresa”.

O pendor ofensivo alemão manteve-se no início da segunda parte, com os laterais a arriscarem mais e as jogadas de perigo começaram a suceder-se: aos 52, 55, 58, 64 e 66 minutos, a Alemanha ia-se sucessivamente aproximando do golo, na última das vezes com Bobic a chegar uma fracção de segundo atrasado ao que seria o desvio imparável da bola para dentro das redes da Letónia, já em plena pequena área.

No entretanto, duas tentativas de contra-ataque da Letónia, embora sem grande perigo; a Letónia apenas viria a ter nova oportunidade na sequência de um remate de cabeça, já em cima dos 90 minutos.

Mas a Letónia ia, pelo menos, conseguindo manter o nulo, à medida que se ia percebendo que as substituições realizadas pela equipa alemã não estavam a resultar, uma vez que as acções atacantes passavam a ter um carácter mais previsível, com notória falta de imaginação, facilitando a tarefa defensiva dos letões. Apenas aos 91 minutos, num remate de cabeça de Klose, a Alemanha voltaria a "ameaçar" chegar ao golo.

No final, um resultado histórico para a Letónia, apesar do esmagador domínio em termos de “posse de bola” (2/3 para os alemães), mas sem qualquer efeito prático... deixando também a Alemanha “a fazer contas de cabeça”. (terá provavelmente de vencer o último jogo, frente à R. Checa).

Letónia Aleksandrs Kolinko, Aleksandrs Isakovs, Mihails Zemlinskis, Igor Stepanovs, Olegs Blagonadezdins, Imants Bleidelis, Valentins Lobanovs (69m - Juris Laizans), Vitalijs Astafjevs, Andrejs Rubins, Andrejs Prohorenkovs (67m - Marians Pahars), Maris Verpakovskis (92m - Dzintars Zirnis)

Alemanha Oliver Kahn, Arne Friedrich, Christian Worns, Frank Baumann, Philipp Lahm, Bernd Schneider (45m - Bastian Schweinsteiger), Dietmar Hamann, Michael Ballack, Torsten Frings, Fredi Bobic (67m - Miroslav Klose), Kevin Kuranyi (77m - Thomas Brdaric)

"Melhor em campo" - Michael Ballack (Alemanha)

Amarelos - Isakovs (1m), Astafjevs (78m); Friedrich (21m) e Hamann (42m) e Frings (53m)

Árbitro - Michael Riley (Inglaterra)

Estádio do Bessa Séc. XXI - Porto (17h00)


HolandaR. Checa2-3

Entrada mais dinâmica da R. Checa, com duas jogadas de ataque nos primeiros dois minutos... mas, aos 3 minutos, na primeira descida holandesa, na sequência de um livre, surgiu isolado a cabecear na área o central Bouma, inaugurando o marcador.

Embalada com o golo, a Holanda passou a controlar um jogo que começou bastante “vivo” de parte a parte.

E, aos 18 minutos, dois erros de arbitragem consecutivos: primeiro, um penalty a favor da Holanda por sancionar (um “encosto” na área, a desviar o avançado holandês da bola) e, logo de seguida, um fora-de-jogo não assinalado, de que beneficiaria Ruud van Nistelrooy para, na sequência da jogada, e com toda a facilidade, empurrar a bola para a baliza, fazendo aumentar o placard.

A R. Checa não desarmou e, apenas 5 minutos depois, num rápido contra-ataque, após várias simulações de Baros já dentro da área, Koller conseguiria introduzir a bola na baliza holandesa e reduzir para 1-2.

Aos 29 minutos, o árbitro espanhol voltou a perdoar uma grande penalidade contra a R. Checa, com Nistelrooy a ser compulsivamente agarrado dentro da área.

E o jogo continuaria bastante repartido entre os dois meios-campos, rondando o perigo ambas as balizas, até final da primeira parte, numa partida bastante intensa; o primeiro tempo terminaria com a Holanda a rematar ao poste e o árbitro a errar, novamente em prejuízo dos holandeses, interrompendo uma jogada de perigo, assinalando um fora-de-jogo inexistente.

Na segunda parte, não obstante uma ligeira redução de ritmo, o jogo manteve o seu interesse, com ambas as equipas a jogar o “jogo pelo jogo”.

Aos 63 minutos, van der Sar negaria o golo do empate à R. Checa, com uma boa defesa... mas por pouco tempo, porque aos 70 minutos, Baros “enchia o pé2 e com um remate estrondoso, colocava a bola no fundo da baliza da Holanda... que, na jogada seguinte, poderia ter alcançado nova vantagem!

O curso dos acontecimentos seria afectado aos 75 minutos com a expulsão de Heitinga; no minuto seguinte, numa só jogada, a R. Checa teria duas ocasiões soberanas para desempatar o jogo a seu favor, o que – mais uma vez – seria negado por van der Sar.

Os últimos minutos seriam naturalmente caracterizados por algum predomínio checo, com a Holanda a procurar preservar, pelo menos, o empate.

Aos 85 minutos, Nedved, do “meio da rua”, faria um remate portentoso, que embateria estrondosamente na trave da baliza; mas 3 minutos depois, quase em cima do termo do tempo regulamentar, Smicer conseguiria o golo que faria da R. Checa a única selecção a conseguir duas vitórias nos dois primeiros jogos, tornando-a também no único país já apurado para os ¼ final, garantindo a vitória no grupo.

Haveria ainda tempo para a Holanda desperdiçar o golo do empate, que, em minha opinião, colocaria mais justiça num excelente jogo de futebol – até agora, o melhor da prova –, magnificamente disputado por ambas as equipas, sendo de realçar não obstante que a R. Checa teve o mérito, mesmo a perder por 2-0, de nunca desistir do jogo.

Holanda Edwin van der Sar, Johnny Heitinga, Jaap Stam, Wilfred Bouma, Giovanni van Bronckhorst, Clarence Seedorf (85m - Rafael van der Vaart), Philip Cocu, Edgar Davids, Andy van der Meyde (79m - Michael Reiziger), Arjen Robben (58m - Paul Bosvelt), Ruud van Nistelrooy

R. Checa Petr Cech, Zdenek Grygera (24m - Vladimir Smicer), Tomas Ujfalusi, Martin Jiranek, Marek Jankulovski, Tomas Galasek (62m - Marek Heinz), Karel Poborsky, Tomas Rosicky, Pavel Nedved, Milan Baros, Jan Koller (74 - David Rozehnal)

1-0 - Bouma - 3m
2-0 - Ruud van Nistelrooy - 18m
2-1 - Koller - 23m
2-2 - Baros - 70m
2-3 - Smicer - 88m

"Melhor em campo" - Pavel Nedved (R. Checa)

Amarelos - Seedorf (9m) e Heitinga (25m); Galasek (54m)

Vermelho - Heitinga (75m . acumulação de amarelos)

Árbitro - Manuel Mejuto González (Espanha)

Estádio Municipal de Aveiro (19h45)


20.06.2004

O "EURO 2004" ultrapassou já (em número de partidas) a sua metade, encontrando-se os jogos da fase de grupos já realizados a 2/3; um pretexto para fazer aqui um primeiro balanço ("intercalar").

A primeira nota a destacar é o grande equilíbrio que o tem caracterizado: à entrada para a última ronda, apenas 1 equipa (R. Checa) conseguiu vencer os 2 jogos, estando já apurada; 13 outras selecções disputarão ainda o apuramento; apenas a Rússia e a Bulgária (com duas derrotas) estão já "eliminadas".

Nos 16 jogos já disputados, 7 deles terminaram empatados (quase 50 %); em outros 5 jogos, as vitórias foram "tangenciais"; para além das vitórias da Suécia e Dinamarca sobre a Bulgária (5-0 e 2-0), apenas Inglaterra e Portugal conseguiram vencer por mais de um golo de diferença! Apenas metade (8 das 16) selecções conseguiu já ganhar! Nove dos países concorrentes ainda não perderam!

Não houve portanto ainda uma equipa que claramente se destacasse como favorita à vitória final: a França, apesar do "poderio" que se lhe reconhece, tem apresentado alguns jogadores preponderantes algo distantes da sua melhor forma; a R. Checa "viu-se e desejou-se" para ganhar à Letónia, conseguindo depois um magnífico jogo frente à Holanda; e, curiosamente, as selecções que apresentaram melhor futebol, nem sequer estão bem classificadas, como são os casos da Itália e Holanda.

Um pouco aquém das expectativas, em termos de resultados ou exibições, estarão Portugal, Espanha (vitória "sofrida" frente à Rússia e empate com a Grécia), Inglaterra (pouco c

changed June 23, 2008